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Jornalismo Notícia da edição impressa de 30/03/2010

Desalinhado do poder

Rafael Gloria, especial JC

GilmarLuís/JC
Mino Carta discorre sobre o papel da mídia contemporânea em relação à política e sociedade.
Mino Carta discorre sobre o papel da mídia contemporânea em relação à política e sociedade.

Assim como todo bom italiano, Mino Carta também fala com as mãos. Ele as utiliza para completar um raciocínio, emendar uma frase ou articular as ideias - com a maior naturalidade do mundo. Suas mãos, entretanto, têm uma função muito mais importante do que gesticular: elas escrevem. Conhecido por possuir um dos textos mais elegantes do jornalismo brasileiro, Mino Carta é parte importante da história da nossa imprensa. Afinal, suas mãos também ajudaram a fundar revistas que marcaram época, como Veja, IstoÉ, Quatro Rodas, e, mais recentemente, a Carta Capital, do qual é diretor de redação. Mais do que isso, Mino Carta é um dos poucos profissionais amplamente respeitados por outros jornalistas e também ignorado por parte da categoria. Sua postura crítica em relação à imprensa do País o torna uma figura ímpar no meio. Talvez seja por isso que, no alto de seus 77 anos, Carta continue tão ativo e participante na fiscalização do poder – segundo ele, um dos três fundamentos para o bom jornalismo – que ele, em particular, vem exercendo há muito tempo. Desde os 15 anos para ser mais exato.

Ele explica que seu pai era jornalista, assim como seu avô, que fundou um jornal na sua cidade de origem, Gênova, na Itália. Influenciado por um suspeito gene dominante jornalístico, ele se entregou à profissão após cobrir a Copa do Mundo de 1950, ocorrida no Brasil. Mais tarde, dedicou-se a outras publicações no País e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - a qual acabou abandonando. Carta acredita que jornalismo se aprende na vivência. “Eu sou contra o diploma por três motivos: é uma invenção da ditadura - eles queriam tirar os jovens das ruas para não militarem pensamentos subversivos -, é uma ideia, a meu ver, corporativista, e acredito que jornalismo não é uma profissão tão difícil quanto engenharia, ou medicina”, explica. Para ele, a questão do diploma se propagou rápido no Brasil, diferentemente de outros países, e deveria haver um “debate inteligente, desapaixonado, isento e imparcial” sobre a questão.

Carta também é reconhecido por sua elegância no modo de vestir. Trajando um terno preto e uma gravata de linho, ele leva o copo de vinho à boca ao mesmo tempo em que avalia o jornalismo brasileiro atual. Para ele, os jornalistas fizeram a aposta errada ao crer na ideia de que o público é composto por idiotas. “Estão baixando o nível do raciocínio, aviltando a língua como se houvesse uma aposta na ignorância alheia. Os próprios jornalistas acabaram mergulhando nessas águas turvas e se acostumando com isso”, manifesta. Perguntado sobre o jornalismo anterior ao golpe ditatorial de 1964, Mino revela que era um trabalho mais aprumado, de atribuir um valor literário ao texto jornalístico. “E, durante a ditadura, houve momentos muito bons dentro do jornalismo brasileiro, porque ele, em certos níveis, na imprensa alternativa, ou até na revista Veja, representou uma forma de resistência”, evidencia. Segundo ele, é nestes momentos de pressão em que se revela o caráter, “ou pelo menos você tem a oportunidade de mostrá-lo”, ratifica.

Posições políticas definidas

Mino Carta considera-se um homem de esquerda, e quando perguntado sobre o que é ser esquerda e direita atualmente, ele responde sem titubear que é “sempre a mesma coisa”. O que mostraria a diferença, segundo ele, é a preocupação com a igualdade. “É quando você entra na discussão dos meios para conseguir essa igualdade que você percebe a diferença. Basicamente seria essa: quem quer que as coisas fiquem como estão é de direita; Quem acha que a igualdade é o objetivo é de esquerda. A partir dessa escolha, vêm certas diferenças que dizem respeito à maneira de se realizar isso”, explica. A revista que dirige, Carta Capital, tem a tradição de se posicionar em seus editoriais, normalmente escritos por Carta. “Aqui não se tem o costume, porque a maioria dos jornalistas é de uma hipocrisia sublime, já que eles estão todos de um lado só, o do poder”, critica. A Carta Capital, defende, mantém uma postura opinativa não em todos os momentos, mas quando o assunto é de relevância, assim como fazem as grandes publicações de fora. “É o que acontece nos Estados Unidos, com o New York Times. Eles dizem: ‘Nós somos pró Obama’. Eles deixam claro que os artigos serão a favor de tal candidato”.

Há outros dois fundamentos para se exercer o bom jornalismo, segundo Mino Carta - fora a fiscalização do poder, evidenciada no primeiro parágrafo desse texto. “Essa pergunta é como um convite para dançar valsa”, ele diz. E, com a maestria de um ótimo dançarino, ele expõe seus pensamentos: “Primeiro, você tem que ter uma fidelidade canina à verdade factual. A qual se distingue das mil verdades que cada um carrega à sua cabeça, achando que são verdades e simplesmente não são. E ainda há o exercício do espírito crítico, aquilo que te diz ‘estou vivo’. É se colocar diante das questões e se manifestar em conformidade com aquilo que se está vendo”, finaliza.

COMENTÁRIOS
Mariana Sirena - 30/03/2010 - 17h26
É bom conhecer mais sobre uma importante figura do jornalismo brasileiro através de um texto tão bem costurado.

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