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obras públicas Notícia da edição impressa de 25/02/2010

Estado espera por grandes projetos de infraestrutura

Aumento da profundidade do canal do porto do Rio Grande e ampliação da pista do Salgado Filho são prioridades em 2010

Jefferson Klein

Oderbretch/Divulgação/JC
Cerca de 80% do prolongamento dos molhes do porto do Rio Grande foi concluído.
Cerca de 80% do prolongamento dos molhes do porto do Rio Grande foi concluído.

O ano de 2010 significará um marco para a logística do Rio Grande do Sul devido à conclusão e ao início de obras de enorme porte. Para este primeiro semestre está prevista a finalização da expansão dos molhes e do aumento da profundidade do canal do porto do Rio Grande. E, para a segunda metade do ano, deve começar a ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho, na Capital gaúcha.

O diretor de contrato da construtora Odebrecht, Mauro Darzé, participa tanto da dragagem do canal do porto rio-grandino como da ampliação dos molhes. A empresa é líder dos dois consórcios envolvidos nos empreendimentos. Também desenvolve as obra dos molhes (paredes de pedra artificiais que protegem o acesso ao porto) com as companhias: CBPO Engenharia, Pedrasul Construtora, Carioca Christiani, Nielsen Engenharia e Ivaí Engenharia de Obras. E o aprofundamento do canal também conta com a Jan de Nul do Brasil Dragagem.

Darzé informa que, no momento, cerca de 80% do prolongamento dos molhes foi concluído. Falta expandir mais cerca de 80 metros o molhe oeste e 100 metros o leste para completar o avanço. O molhe leste fica do lado da praia do Cassino, em Rio Grande, e o oeste em São José do Norte. No total, o molhe leste, que antes tinha um comprimento de 4.220 metros, vai ser acrescido de 370 metros, e o oeste, que tinha 3.160 metros, vai ganhar mais 700 metros.

O prazo comprometido com a Secretaria Especial de Portos para a conclusão das obras foi fixado para abril. Darzé admite que alguns imprevistos com o mau tempo, com o excesso de chuvas no ano passado, causaram algumas interrupções nos serviços, principalmente no período de setembro a dezembro. “A primavera de 2009 não deixou saudades”, brinca o diretor. Para recuperar esse tempo perdido, as horas de trabalho foram aumentadas e, atualmente, segundo Darzé, as ações desenvolvem-se praticamente 24 horas por dia. Apesar dos problemas enfrentados com o clima, o diretor está confiante que o cronograma possa ser atendido.

A expansão dos molhes foi iniciada em 2001, mas intervenções do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público Federal (MPF), devido a questões ambientais e repasses de recursos, pararam diversas vezes a obra. Conforme Darzé, desde abril de 2008 não houve mais impedimentos.

A ampliação dos molhes absorverá um investimento, proveniente do governo federal, de cerca de R$ 445 milhões. No local estão operando sete guindastes com capacidade de 100 a 230 toneladas, gerando cerca de 560 postos de trabalho diretos e indiretos. As pedras que serão empregadas no projeto somam um peso de cerca de 2,5 milhões de toneladas e já foram utilizadas em torno de 2 milhões de toneladas. As tetrápodes (peças pré-moldadas de concreto) totalizarão 12 mil peças e já foram lançadas em torno de 5 mil peças.

O prolongamento é necessário para realizar o aumento da profundidade do canal do porto gaúcho. Sem a estrutura, o assoreamento seria intenso e o calado alcançado com a dragagem não poderia ser mantido.

Aprofundamento do canal será o diferencial do porto do Rio Grande

A maior profundidade do canal do porto do Rio Grande permitirá que o complexo gaúcho torne-se um concentrador de cargas do Mercosul, atraindo grandes embarcações. “Não haverá condições semelhantes entre Buenos Aires e Paranaguá”, diz o superintendente do Porto do Rio Grande, Jayme Ramis.

A dragagem do canal interno do porto, passando de 14 metros para 16 metros, já foi concluída. Agora, os esforços concentram-se no canal externo (fora dos molhes da Barra), onde a profundidade passará de 14 metros para 18 metros. A profundidade de 16 metros do canal interno ainda será verificada por técnicos da Secretaria Especial de Portos. Ramis prevê que a portaria oficializando o novo calado deve ser realizada ainda em março.

No total, com o canal interno e o externo, serão dragados em torno de 18 milhões de metros cúbicos. O diretor de contrato da construtora Odebrecht, Mauro Darzé, informa que a expectativa é de que todo o aprofundamento seja finalizado em maio deste ano. O investimento na iniciativa é de R$ 196 milhões e as ações começaram em agosto de 2009. Nesse procedimento está trabalhando uma draga com 16,5 mil metros cúbicos de cisterna que, de acordo com Darzé, é o maior equipamento que já operou na América Latina.

Para manter a nova profundidade, a perspectiva é que seja preciso dragar anualmente 2,5 milhões de metros cúbicos. “Para o tamanho do porto, é um volume muito pequeno”, salienta Darzé. Ele compara com o porto de Buenos Aires que tem que retirar de 25 milhões a 30 milhões de metros cúbicos ao ano. “Então, com esse cenário, cada vez mais Rio Grande consolida-se como o porto do Mercosul”, acrescenta o diretor.

Ramis destaca que hoje os navios que operam em Rio Grande (pós-panamax) e não aproveitam sua capacidade máxima de carga, devido ao calado, poderão completá-la com o aprofundamento, diminuindo os custos de frete. Além disso, com um calado maior o porto terá condições de se habilitar para captar cargas como grãos da Argentina, Paraguai e Bolívia; minério do Mato Grosso do Sul e da Bolívia; madeiras do Uruguai; e contêineres da Argentina, Uruguai e Paraguai.

O porto gaúcho terá condições de atender aos grandes graneleiros para cargas secas e líquidas, com capacidade para 60 mil toneladas, 150 mil toneladas e 200 mil toneladas e os navios porta-contêineres de 6 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) ou até de 11 mil TEUs. As embarcações voltadas para o transporte de celulose e madeira também apresentam uma tendência a aumentarem de tamanho, exigindo profundidades maiores.

Outro ponto salientado por Ramis é que o aprofundamento será fundamental para que encomendas destinadas ao polo naval de Rio Grande cheguem ao município. Ele acredita que em cinco anos haverá uma grande mudança da matriz logística do porto. “O importante é propiciar a estrutura, o resto a iniciativa privada faz”, sustenta o superintendente. Ele enfatiza ainda que o calado de São José do Norte, onde está prevista a expansão portuária no futuro, com o prolongamento dos molhes e a dragagem, saltará de 10 metros para 14 metros.

Expansão da pista do Salgado Filho deve começar em outubro

O projeto de ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho foi encaminhado para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para revisão e agora aguarda a autorização para a licitação da obra, relata o superintendente do aeroporto Internacional Salgado Filho, Jorge Herdina. A previsão é de que os serviços se iniciem em outubro deste ano e a estimativa de duração dos trabalhos é de 30 meses. O projeto, que tem como maior objetivo beneficiar o transporte de cargas aéreas, é estimado em cerca de R$ 120 milhões.

A iniciativa prevê o aumento da pista em 920 metros no sentido Leste, passando dos atuais 2,28 mil metros para 3,2 mil metros de extensão. A largura da pista passará de 42 metros para 45 metros. A primeira etapa, que já está acontecendo, que é o alargamento e recapeamento da pista atual, terá um custo de cerca de R$ 12 milhões. O responsável técnico pela obra pelo Consórcio Construtor Equipav/Procon, Onivaldo Pellizzaro, explica que se trata de um recapeamento com correções longitudinais e transversais do pavimento existente.

A correção é feita em toda a pista. Além disso, está sendo realizado um novo balizamento noturno. Pellizzaro lembra que as obras não podem ser efetuadas durante as operações das aeronaves. Por isso, as ações são conduzidas entre a meia-noite e às 6h. Em torno de 60 pessoas atuam na obra. As medidas de recapeamento e alargamento, iniciadas no ano passado, devem ser concluídas ainda no primeiro semestre de 2010, informa Herdina.

“E, posteriormente, com a ampliação teremos uma estrutura disponível para atender a operações de longo alcance para o transporte de cargas”, ressalta o superintendente. Ele comenta que será possível alcançar através de voos diretos mercados importantes como os Estados Unidos e a Europa. O Salgado Filho poderá receber operações de aeronaves como o Boeing 747-400 (cerca de 105 toneladas de capacidade carga) e o MD-11 (cerca de 70 toneladas de capacidade carga).

Atualmente, se uma aeronave de grande porte quiser transportar produtos a partir do aeroporto de Porto Alegre terá que optar por diminuir o volume de combustível ou a sua quantidade de carga. Os principais segmentos que utilizam o modal aéreo para transportar cargas no Estado hoje são o coureiro-calçadista, o metalmecânico e o eletrônico.

Além da expansão da pista, a Infraero prepara a licitação para a construção de um terminal de cargas. O projeto está na fase de habilitação das empresas para o processo licitatório e a previsão de início das obras é para o primeiro semestre deste ano. Esse empreendimento deverá levar em torno de dois anos para ser realizado e o investimento também será de cerca de R$ 120 milhões.

Outra meta é a expansão do terminal de passageiros. O projeto-executivo deve ser concluído neste ano, para abrir a licitação em 2011. Se tudo correr dentro do previsto, as obras começarão no final do mesmo ano e serão finalizadas em 24 meses. Com isso, a capacidade do Salgado Filho será expandida para 10 milhões de passageiros ao ano. Também, futuramente, a Infraero pretende realizar a ampliação do pátio de aeronaves.

Limitações na estrutura de pouso e decolagem do aeroporto internacional geram perdas que ultrapassam R$ 2 bilhões

A expansão da pista do Salgado Filho movimentará a economia gaúcha e evitará que algumas empresas optem por exportar suas mercadorias por outros estados. Levantamento feito pela Agenda 2020 aponta uma perda de R$ 2,4 bilhões ao ano devido ao aeroporto de Porto Alegre não ter capacidade para atender a aeronaves de grande porte que fazem a movimentação de cargas.

Para se chegar a esse número, explica o diretor-técnico da Polo RS Agência de Desenvolvimento e da Agenda 2020, Paulo de Tarso Pinheiro Machado, foi levado em conta fatores como o custo do transporte das cargas até outros aeroportos, a geração de empregos em outros locais, a perda de arrecadação de impostos, entre outras questões. Machado argumenta que a falta de condições de infraestrutura gera um desestímulo para que novas empresas exportadoras instalem-se no Rio Grande do Sul. Ele acrescenta que a logística é fator fundamental dentro dos custos das companhias. “Então, essa ampliação já está atrasada e o Estado está perdendo recursos com isso”, comenta Machado.

Uma das causas da demora e da complexidade das obras de expansão é a necessidade da retirada de moradores localizados próximos ao aeroporto. O diretor-geral do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), Humberto Goulart, admite que algumas discussões quanto aos contratos firmados e as chuvas ocorridas no ano passado atrasaram o processo de realocação das famílias das vilas Dique e Nazaré. Segundo ele, a estimativa é de que o deslocamento dessas pessoas seja concluído no final de 2011.

Apesar de as obras de extensão da pista estarem previstas para começarem antes deste prazo, Goulart acredita que não haverá empecilhos maiores para a ampliação, pois serão removidas primeiramente as famílias mais próximas do complexo. No total, serão realocadas em torno de 1,8 mil famílias e esse processo, que contará com recursos dos governos federal, estadual e municipal, implicará gasto de cerca de R$ 170 milhões.

O engenheiro do Departamento Aeroportuário do Estado (DAP) Fernando Bizarro, que faz parte do grupo de trabalho que acompanha a ampliação do aeroporto Salgado Filho, é outro que concorda que a expansão é uma obra tardia para o Rio Grande do Sul. Ele lembra que essa necessidade é discutida há cerca de 20 anos e em 1997 já havia sido firmado um convênio com o governo do Estado prevendo o aumento da estrutura.

Depois de terminada a expansão da pista do aeroporto da Capital, Bizarro defende que é importante que o Estado conte com outra opção para o transporte de carga área na Serra gaúcha, região que apresenta uma forte atividade econômica.

Para justificar seu argumento, o engenheiro destaca que a Renault chegou a pensar na região de Caxias do Sul para instalar sua fábrica, mas preferiu São José dos Pinhais (PR) por causa do seu interesse em transportar motores, via área, para a Europa. Algo que não poderia realizar no Rio Grande do Sul. Bizarro calcula que a implantação de um aeroporto de cargas na Serra levaria cerca de oito anos para ser concretizado e absorveria mais de R$ 100 milhões em investimentos.

Sindicato aponta superação da capacidade do terminal de passageiros

Estudo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) indica que o aeroporto Salgado Filho, no ano passado, operou acima da sua capacidade de passageiros. “O que projetamos para Porto Alegre, infelizmente, é durante alguns anos ainda trabalhar com sua capacidade completamente ultrapassada”, ressalta o diretor-técnico do Snea, Ronaldo Jenkins de Lemos.

Ele relata que o aeroporto tem um terminal para cerca de 4 milhões de passageiros ao ano e em 2009 passaram pelo complexo cerca de 5,6 milhões de usuários. Conforme as projeções do Snea, em 2010 esse número crescerá para cerca de 6,6 milhões, em 2011 para 7,1 milhões, em 2012 para 7,6 milhões e em 2013 para 8,1 milhões.

Lemos afirma que existe uma série de medidas que a Infraero pode tomar para atenuar os impactos dessa perspectiva. Ele informa que em levantamento da própria Infraero já se prevê o uso de módulos operacionais (edificações de mais fácil construção) para atender ao fluxo de pessoas. O diretor-técnico do Snea aponta que o excesso de passageiros no terminal gera desconforto para esse público. “A opção pelo transporte aéreo é justamente feita pelos seus pilares básicos: conforto, velocidade e segurança”, diz Lemos.

Ele não descarta a possibilidade de que, se houver uma capacidade muito aquém da demanda, as filas possam aumentar, causando a demora do atendimento e, por consequência, o atraso de alguns voos. Apesar desses receios, Lemos não acredita que esse cenário possa causar problemas durante a Copa do Mundo de 2014. Ele destaca que se trata de um evento pontual e é possível tomar medidas emergenciais para resolver situações específicas.

O superintendente do aeroporto Internacional Salgado Filho, Jorge Herdina, pondera que existe hoje uma intensificação das operações em determinados horários. Segundo ele, são quatro momentos durante o dia em que se verifica essa concentração das chegadas e saídas: das 6h às 8h, das 11h às 13h, das 17h às 19h, e das 22h às 24h. “No restante do tempo há ociosidade, então não significa que o aeroporto esteja saturado, existe momentos em que ele está com a capacidade muito utilizada”, comenta Herdina. Ele acrescenta ainda que, mesmo nos horários de pico, não se constatam grandes problemas operacionais no aeroporto.

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