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Rio Grande das Letras Notícia da edição impressa de 25/02/2010

Grades que libertam

Guilherme Brendler

João Mattos/JC
Susana Vernieri exibe os seis livros que até agora compõem sua bibliografia.
Susana Vernieri exibe os seis livros que até agora compõem sua bibliografia.

Susana Vernieri precisou de 44 anos para se autodenominar escritora. Por mais que a carreira dela tenha começado muito antes disso e que seu desejo sempre fora exercer o ofício das letras, a humildade da moradora do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, não a permitia intitular-se como tal antes de receber a segunda condecoração literária. Aliás, quem não se der o direito de ser chamado escritor depois de ganhar o Prêmio Açorianos, o mais importante reconhecimento literário do Rio Grande do Sul, de fato não é digno de tal referência.

Susana recebeu o troféu no ano passado pela publicação do opúsculo As grades do céu (editora Libretos). A coletânia de 13 contos versa principalmente sobre as experiências da autora em análises e tratamentos psiquiátricos. “Não sei se você sabe, mas eu sou bipolar.” Surpreso, o repórter responde negativamente. “Fui internada várias vezes. É uma realidade em minha vida e o livro me ajudou a falar abertamente sobre a doença. Sempre que palestro ou dou entrevista não deixo de tocar no assunto”, afirma a autora. No livro As grades do céu existem três contos em que Susana narra algumas vivências experimentadas por ela própria: o texto que abre o livro, Das grades, descreve uma contenção, uma paciente sendo amarrada em uma cama e sedada por funcionários de um hospital psiquiátrico. Em outro conto, O fim do labirinto, narra a vivência de uma mulher em meio a um surto psicótico. E o texto Internação satiriza um mercenário analista de origem platina, conto capaz de deixar orgulhosos o escritor pernambucano Xico Sá e o ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, em razão da grafia em portunhol.

A familiarização de Susana Vernieri com as letras começou cedo. Na infância, “comecei a escrever poesia. Tinha um caderno onde colocava alguns versos. Todos muito ruins. Aos 15 anos publiquei meu primeiro poema com ares de paródia de um verso de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto”, relembra. Ela se diz uma leitora voraz desde pequena, mas foi no cursinho pré-vestibular, aos 18 anos, que algo a chocou de maneira arrebatadora: “Fui apresentada a Grande Sertão: Veredas. Li Guimarães Rosa e nunca mais fui a mesma. Isso acontece quando você se depara com literatura de primeira qualidade, revolucionária, aquela que provoca uma transformação na linguagem. Ele foi um escritor mágico, captou a palavra oral e juntou com o que há de mais arcaico e erudito.”

O interesse pela leitura começou em casa com o pai, um exímio contador de causos que deixou Bagé rumo a Porto Alegre. Quando se estabeleceu como funcionário do porto da Capital, conheceu Terezinha, e no dia 23 de outubro de 1965, os dois se tornaram os pais da recém-nascida Susana. “Meu pai foi uma pessoa marcante na minha vida. Além de uma figura muito bonita, era um sujeito grandioso que, infelizmente, sofreu muito com o câncer”, conta. A doença não apagou o legado que ele, excelente narrador, e os professores da faculdade de Jornalismo da Ufrgs lhe deixaram: o importante é ter uma boa história para contar. “Trabalhei dez anos com jornalismo impresso. Fiz matérias sobre os mais variados assuntos e sei que aquilo que prende o leitor ao texto é uma boa narrativa, o drama, os personagens.”

Intensidade total

Depois de passar uma década trabalhando com jornalismo, Susana Vernieri foi à academia estudar na teoria os grandes mestres que encantaram sua infância e adolescência. De volta à Ufrgs, a escritora dedicou-se ao mestrado em Letras e, durante os dois anos do curso, preparou a dissertação O Capibaribe de João Cabral em O cão sem plumas e O rio: duas águas, apresentada à banca em 1997. No ano seguinte, a Secretaria Municipal de Cultura do Recife, cidade onde o rio em questão passa antes de desaguar no oceano Atlântico, cedeu-lhe um prêmio literário pelo trabalho.

Depois da conclusão do mestrado, Susana embarcou em uma viagem de três meses à Europa. Passou por Portugal, Espanha, França, Itália, República Checa e Grécia, e de lá voltou com um livro em mente que se materializou, em 2002, na sua primeira novela, chamada O caminho de Telêmaco (editora Criação Humana).

Susana Vernieri dá tempo ao silêncio para falar. Em pouco mais de uma hora de conversa, pode-se chegar à conclusão de que ela é o tipo de pessoa que zela pelo cuidado de cada frase, no que parece ser uma seleção de palavras onde cada sentença quer ser um verso. Essa característica claramente se explica à leitura dos dois livros subsequentes, ambos de poesia: Memorabilia (editora Libretos), de 2005, e De(s)amores (Editora do Autor), publicado em 2007.

Para quem “a coisa mais prazerosa é escrever”, Susana é a prova de que rapidez pode, sim, estar relacionada à qualidade. Ela diz que “tem gente que acha que escrever é sofrer. Para mim, é um alívio e algo que acontece muito rápido e de forma intensa. Às vezes, escrevo bobagem... Dias atrás joguei um monte de coisa fora. Não tinha me dado conta, mas guardei uma série de poemas ruins”, revela. Segundo ela, o autor não deve ser muito zeloso com aquilo que produz: “Quando escrevo algo, deixo de lado por um tempo e depois retorno a ler. Se não me agradar, vai parar no lixo”. A alta produção e a versatilidade estilística de Susana Vernieri vão continuar alimentando os amantes da literatura pelos próximos anos, já que ela possui cinco livros no prelo. São eles: Ato de longe, coletânea de poesias, Carnaval e Menina do lado, ambos livros de contos, e os infantis Gato Chico, sem data prevista para lançamento, e Rosa, a gata limpeza - livro ilustrado pelo sobrinho de Susana, Lucas Machado -, que estará disponível aos leitores na edição deste ano da Feira do Livro de Porto Alegre.

COMENTÁRIOS
HELDER PINHEIRO MAYER - 04/03/2010 - 15h19
CREIO Q O TEMA PSIQUIATRÍCO SERÁ SEMPRE INSTIGANTE AO PÚBLICO EM GERAL POR INVADIR UM TERRENO DESCONHECIDO E OCULTO DA PERSONALIDADE HUMANA. A ARTE DE ESCREVER É SOFRER, DIZ TB AO DESLIGAR DA PRÓPRIA OBRA CRIADA DO AUTOR. UM FILHO AMADO DO ÚTERO INTELECTUAL QUE SE AFASTA SEGUINDO O CICLO DA VIDA. NÃO NOS PERTENCE MAIS, PORÉM A UM ESTRANHO, Q É O LEITOR.SOMOS APENAS POEIRA E TEMPO NA EXISTÊNCIA.

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