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Estados Unidos 04/09/2015 - 20h22min

Em entrevista, Trump não consegue identificar líderes radicais islâmicos

Folhapress

Criticado pelo eleitorado latino por chamar os mexicanos de criminosos, o magnata Donald Trump cometeu um novo deslize sobre política externa durante uma entrevista na noite desta quinta-feira (3).

O pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos não soube reconhecer por fotos os líderes de organizações radicais do Oriente Médio e confundiu a Força al-Quds, elite da Guarda Revolucionária do Irã, com os curdos.

Na entrevista, o jornalista Hugh Hewitt mostrou as fotos de cinco pessoas -os líderes Abu Bakr al-Bagdhadi (Estado Islâmico), Ayman al-Zawahri (Al Qaeda), Hassan Nasrallah (Hizbullah), Abu Mohammad al-Julani (Frente al-Nusra) e Qassem Suleimani (Forças al-Quds).

O empresário admitiu não poder identificar nenhum deles. Em seguida, Hewitt perguntou: "Então a diferença entre o Hizbullah e Hamas não tem importância para o senhor ainda, mas terá?"

"Terá quando necessário. Saberei mais disso que você e, acredite, não levará muito tempo.", disse Trump. "Acho que, se você perguntar a qualquer candidato, ele não saberá responder, salvo alguém que estudou o assunto."

Ele rebateu o jornalista, dizendo que os mencionados não seriam mais líderes "em seis meses ou um ano". "Não sei. Nasrallah está tanto tempo no poder", respondeu Hewitt sobre o líder do Hizbullah, no topo desde 1992.

Antes, Trump havia se confundido em outra pergunta, sobre Qassem Suleimani: "Você conhece o general Suleimani?", pergunta o jornalista. "Sim, mas continue, dê-me mais detalhes."

Depois que Hewitt o identifica como chefe das iranianas Forças al-Quds, Trump responde: "A propósito, os curdos tem sido terrivelmente maltratados...".

Hewitt - Não, não os curdos. As Forças al-Quds, da Guarda Revolucionária do Irã.

Trump - Sim, sim.

Hewitt - Os maus elementos.

Trump ainda desconversou sobre o que faria se a China afundasse acidentalmente ou intencionalmente um navio das Filipinas ou do Japão. Os dois países disputam com Pequim territórios nos mares do Sul da China e do Leste da China.

As declarações do magnata sobre política externa ocorrem um dia depois de ter se comprometido a não se candidatar por outro partido. Ele havia ameaçado concorrer como independente se não fosse escolhido pelos republicanos.

Trump lidera as pesquisas de opinião há quase dois meses. Segundo a média de pesquisas de opinião calculada pelo site RealClearPolitics, ele tem 27,2% das intenções de voto, quase o dobro do segundo, Ben Carson (13,2%).

O estilo polêmico tem atraído eleitores cansados do modelo político de Washington, mas vem sendo combatido dentro de seu partido. Candidatos mais moderados têm feito declarações recorrentes contra Trump.

Segundo o jornal americano The New York Times, alguns dos 16 postulantes republicanos se uniram para fazer uma campanha contra o empresário. Dentre as estratégias, eles avaliam comprar espaço em televisão, rádio e jornais.

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