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Livros Jaime Cimenti
jcimenti@terra.com.br

Livros

Coluna publicada em 04/09/2015

O livro da vida de Fernando Pessoa

DIVULGAÇÃO/JC

Livro(s) do Desassossego (Global Editora, 474 páginas, Edição Teresa Rita Lopes), de Fernando Pessoa (1888-1935), formado, em verdade, por três obras, é denominado o livro da vida de Pessoa, daquele que muitos consideram o maior poeta de língua portuguesa de todos os tempos.

Os textos acompanharam suas mudanças como pessoa e como escritor. O livro é composto por três livros, assinados por três autores, perfeitamente diferenciados. São três semi-heterônimos, no dizer do próprio Pessoa. O primeiro é assinado por Fernando Pessoa - O livro de Vicente Guedes - Autobiografia de quem nunca existiu, que, a certa altura, nomeou Vicente Guedes seu representante. Guedes é o jovem artista decadente, dândi e blasé, ao gosto pós-simbolista da época, que Pessoa também foi e que serviu de modelo para os "novos". Calou-se no final dos anos 1920, no rescaldo do suicídio de Mario de Sá-Carneiro, "alma-par" de Pessoa. Guedes era sensacionista, queria sentir tudo de todas as maneiras, e morreu de tuberculose como Caeiro.

O Livro do Barão de Teive - Educação do estoico, de 1928, repousa-nos com sua austeridade de pensamento e linguagem, dos excessos metafóricos de Guedes, embora nos arrepie com sua frieza suicida e mostre o frisson dos grandes textos. O Barão suicidou-se.

O terceiro texto, O Livro de Bernardo Soares - Rua dos douradores, assinado por Bernardo Soares, que se manifesta a partir de 1929, é nós todos, não apenas o ajudante de guarda-livros da Baixa lisboeta mas o homem todos os homens, de todos os tempos, a braços com a sua alma-corpo e com o enigma do universo. Este último foi o único que Pessoa cuidou os textos, alguns para publicação.

A organizadora entende que, para melhor degustarmos a obra em prosa de Pessoa, é melhor manter distintas as três personagens que perpassam por esse palco e assistir, separadamente e sem os confundir, aos monólogos de Guedes, Teive e Soares. O prazer ficará maior se imaginarmos sua interação e, ainda mais, se estendermos o diálogo até Fernando Pessoa.

Esta edição tem, justamente, o diferencial de apresentar uma nova "arrumação" das obras. Escreve a organizadora: "Com minha nova arrumação do Livro, para lhe restituir o corpo inteiro - que nunca chegou a ter - gostaria de imitar os arqueólogos que reconstituem, a partir de cacos soltos, as peças de que provinham. Refuto a ideia de que o Livro do Desassossego é uma espécie de baralho de cartas que cada um pode baralhar sem lhe respeitar a íntima estrutura. Estrutura que Pessoa, clássico, prezava".

A organizadora escreveu que novas edições do Livro virão, com novas ideias, mas aposta que a estrutura que escolheu para esta edição será uma contribuição permanente. A ver.

A queridona, do Mercado Público para a Padre Chagas

Ia falar da crise crônica do Estado, da tenebrosa situação da União, da violência crescente e de outras amenidades e escândalos que andam nos atordoando. Pensei até em falar da depressão do grande jornalista Ricardo Boechat e de tantos outros cidadãos, comentar sobre os 56% de brasileiros que estão com sobrepreso ou falar daqueles que estão com IMC acima de 24, ou seja, obesos. Pensei em falar das bombas de sempre no Oriente. Aí pensei que os queridos e assustados leitores já viram e veem estes filmes de terror e resolvi servir para eles a Bomba Royal, para dar-lhes, literalmente, um refresco. Não, não se assuste, a bomba não é nenhuma arma ou doce da Rainha Elisabeth, é a Bomba Royal da Banca 40 do Mercado Público, a banca mais famosa e celebrada de Porto Alegre, que, daqui uns dias, vai estar, lépida e faceira, em plena Padre Chagas. Notícia ótima no meio de tanta catástrofe. Quem disse que jornal é só para notícia ruim?

A Padre Chagas tem uns cento e poucos anos, a Banca 40 tem 88, vai fazer 89 dia 6 de janeiro de 2016. A Bomba tem 70. Pois é, tem coisas que duram, ainda, neste mundinho pós-moderno no qual nada dura muito. A Padre é a nossa Rua da Praia atual, guardadas as proporções. Depois do Dado Bier, da Renner, do Applebees, do clássico Café do Porto e de outras lojas e estabelecimentos elegantes, a rua coração do Moinhos segue impávida, contrariando algumas previsões negativas, que eram furadas como uma peneira.

A Banca 40 já resistiu a três incêndios, uma enchente e foi restaurada uma vez. É patrimônio afetivo-gastronômico-turístico-cultural-social de nossa cidade. Os três sabores de sorvete artesanal, com salada de frutas e nata, que compõem a Bomba Royal, a delícia mais famosa da casa, tem gosto de vó, mãe, pai, irmãos, infância, passeio na Redenção, footing na Rua da Praia e banho no Guaíba.

A Bomba Royal nasceu em 1945, quando os alemães chegaram por aqui e pediram para o seu Manuel Maria Martins, o saudoso portuga fundador da Banca 40, que servisse nata junto com as frutas e o sorvete. As frutas da salada da banca parecem colhidas diretamente do pé, lá da chácara da madrinha. O sorvete artesanal com ingredientes naturais, que no início era feito à mão pelo seu Manuel, de madrugada, continua, ainda hoje, pura verdade, tipo a figada, a pessegada e o schmier da vovó. Dá para ser feliz sem conservantes.

Além das frutas, do sorvete artesanal, da nata, do caldo de frutas, dos lanches, refeições leves e tudo mais do farto cardápio, a Banca 40 vai ter Temakeria Japesca e o Café do Mercado, para alegria de frequentadores de todas as idades, das 7h30min às 20h. Ah, os pães, frios e outros ingredientes a serem usados seguirão sendo os do Mercado Público, para que o padrão seja o mesmo. Para os que sentirem falta dos aromas do Mercado Público na nova banca, na Padre, podemos pensar em algum spray com eles. Que tal? Cartas para a redação.

A propósito...

Há uns 10 anos, um grande empresário da construção civil, um dos barões do bairro Bela Vista, andou fazendo previsões negativas, preconceituosas e que se mostraram equivocadas e furadas como uma peneira. Achava que o Moinhos de Vento "ia se tornar uma Cidade Baixa". A Cidade Baixa, aliás, se revitaliza todo dia e está ótima. A Padre Chagas e o Moinhos seguem patrimônios valorizados da cidade, do Estado, do País e dos visitantes estrangeiros. Agora, ainda mais, com a presença da vovó Banca 40, queridona dos porto-alegrenses e de quem passar por aqui, em busca da requintada simplicidade da natureza. (Jaime Cimenti)

Lançamentos

As dez vidas do senhor Cardano (Octavo, 256 páginas), do engenheiro e escritor José Carlos Mello, autor de Os tempos de Getúlio Vargas (Topbooks) e O cão de Pavlov (Octavo), mostra os 60 anos de luta de Cardano contra si, a sociedade, a religião e a natureza. "Ou mudas ou terás morte infame", disse-lhe a avó. Teria sido ele uma pessoa de bem?

Netúnia - A canção das águas (Mandragora, 136 páginas), romance da cantora lírica e jornalista Beatrice Witt, fala da saga de Drômeda e sua capacidade de prever acontecimentos. Quais segredos se escondem na profundidade dos oceanos? Será que os deuses controlam o destino dos mortais? Essas perguntas não fazem sentido diante da narrativa com imaginação.

Além do tempo e mais um dia (L&PM, 348 páginas), romance de Lu Piras, autora de Equinócio e dos romances A última nota e Um herói para ela, é uma densa e comovente história de superação. Benjamin sobreviveu a uma paralisia infantil aos 3 anos. Com 12, pediu amputação das pernas. Pode usar próteses e tênis All Star. Quer ser velocista campeão. Mas e o amor por Angelina?

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