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Cinema Hélio Nascimento
hr.nascimento@yahoo.com.br

Cinema

Coluna publicada em 28/08/2015

Mais uma sessão

A morte do cinema foi muitas vezes prevista e encenada. Essa desconfiança sobre sua perenidade começou quando um de seus inventores declarou, sem aparentar qualquer dúvida, que o novo meio de captação da realidade era uma invenção sem futuro. A frase tem, de uma outra forma, sido repetida, o que causa certa surpresa, até mesmo pelos que ao cinema tudo devem. Godard, por exemplo, a citou naquele que talvez seja seu melhor filme, O desprezo, no qual escalou como ator um de seus ídolos, Fritz Lang. Em anos recentes, o diretor de Acossado tem feito força para que tal profecia seja concretizada, praticando um cinema hostil às leis do relacionamento entre público e tela, sob o pretexto de criar algo novo. Mas Godard não é o único. Nos anos 1960, um então jovem crítico norte-americano, Peter Bogdanovitch, movido pelo entusiasmo diante do cinema de alguns mestres, proclamou que todos os bons filmes já tinham sido feitos. Tal declaração causou alegria entre os integrantes da velha guarda, até porque era um jovem que fazia tal constatação. Bogdanovitch se transformou em diretor e seus dois primeiros trabalhos, Na mira da morte e A última sessão de cinema desmentiram aquela afirmação. O primeiro, por sinal, tem parte da ação transcorrida num cinema ao ar livre, sendo citado por Iberê Carvalho numa sequência de O último cine drive-in. A carreira de Bogdanovitch não durou muito e ele logo mostrou sinais de cansaço, provavelmente inibido pela grandeza de seus ídolos, com os quais, por sinal, realizou entrevistas esclarecedoras.

A admiração pelo passado não deve ser contaminada pelo pessimismo gerado por uma espécie de culto à petrificação. É necessário o interesse pela continuidade, esse elemento que une o passado ao futuro, criador do novo, portanto. O cinema já tem os seus clássicos, faróis que iluminam o caminho dos verdadeiros revolucionários. O filme de Carvalho, assim como o primeiro de Bogdanovitch, tem entre seus cenários um local de projeção. Mas enquanto o norte-americano mostrava que a violência não era apenas um elemento a ser projetado numa tela em branco, o brasileiro, além de mostrar preocupação com a decadência de certas formas de apresentação de filmes, vê nos bons sentimentos um caminho de recuperação. Sua sequência final - quando tudo se harmoniza, a burocracia é vencida pela ousadia e o humanismo se impõe - é um exemplo de como por vezes o desejo de ver extintos os conflitos pode encaminhar o narrador para o terreno das simplificações. Um desejo se concretiza, como nos finais felizes do cinema de outra época.

O epílogo construído de maneira a tudo harmonizar esconde elementos essências à compreensão de um mundo e dos personagens que o habitam. Carvalho não vê apenas o que ele define como a decadência do cinema como espetáculo. Ele olha também para a crise familiar, claramente expressa, mas não aprofundada, na hostilidade entre pai e filho. Um elemento simboliza o outro. A agonia da mãe representa o fim próximo do cinema. Para ela, só resta olhar para o espaço recuperado e devidamente iluminado. Essa contemplação do passado omite, no entanto, uma outra realidade. O personagem de Othon Bastos mostra várias vezes seu desconforto diante de novos métodos de projeção. Ele ignora, assim como o filme, que os novos recursos tecnológicos nos têm proporcionado imagens deslumbrantes e uma nitidez que antes não havia sido alcançada. E que inclusive alguns clássicos têm voltado à tela de forma a realçar todas as suas virtudes. O futuro parece ter sido ignorado, substituído por uma contemplação embevecida de outros tempos. A questão teria sido melhor colocada se fosse feito um contraponto entre os avanços tecnológicos e a precariedade no relacionamento entre seres humanos. Essa seria uma forma correta de colocar na tela um dilema cuja solução certamente encaminharia os seres humanos para um cenário mais bem iluminado. Assim como está, o filme se aproxima de um saudosismo que pode se transformar em obstáculo para qualquer tentativa de inovação.

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