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Teatro Antônio Hohlfeldt
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Teatro

Coluna publicada em 14/08/2015

Pulsante, agressivo e sincero

Concentração é um roteiro dramático livremente criado a partir do livro Ácido sulfúrico, da escritora belga Amélie Nothomb, trazendo de volta à cidade a diretora Ana Paula Zanandréa, depois de temporada europeia. No elenco, nomes conhecidos, como Miriã Possani, ao lado de Sofia Vilasboas, Priscilla Colombi, Frederico Vittola e Pedro Nambuco. O tema é interessante e atual: grupo de prisioneiros pode comutar pena se participar de um reality show. Com muita violência, porque as mortes são verdadeiras e ocorrem frente às câmeras, o show atrai audiências milionárias, mas como toda a fórmula pronta, acaba por cansar o público, que anseia por novidades. Assim, é preciso sempre inovar, o que significa maior dose de violência. Na prática, o que se pretende discutir é a responsabilidade ética do público espectador, em última análise, o verdadeiro culpado pela baixa qualidade dos programas televisivos, porque lhes dá audiência.

A tese é velha: Dominique Wolton já a refutou em seu livro Elogio do grande público a respeito da televisão aberta. Por outro lado, o princípio de que ninguém é nem totalmente culpado, nem totalmente inocente, já permitiu uma dramaturgia extraordinária, como Dois perdidos numa noite suja ou Navalha na carne, de Plínio Marcos, textos, todos eles, de Wolton e de Plínio, bem anteriores ao livro de Amélie Nothomb, que é de 2005. Tudo bem, pode-se admitir esta desinformação: afinal, quase nenhum europeu leria um brasileiro. Mas Amélie Nothom, que é belga e se expressa em francês, certamente deveria ter lido a obra de Wolton, mesmo que eventualmente não concordasse com ela. Aquilo de que discordo, na tese da encenação (não conheço o livro da escritora belga) é sua ingenuidade: o que salva o enredo são as reviravoltas constantes do final da peça, o que, indiretamente parece confirmar a tese do dramaturgo brasileiro: não há inocentes totalmente inocentes, nem culpados totalmente culpados. De todo o modo, o espetáculo propõe um debate e busca resolvê-lo com certa racionalidade e eficiência, o que deve ser respeitado, valorizado e saudado.

Ana Paula Zanandréa procura valorizar tanto os atores e suas falas (o que valoriza, por extensão, o enredo) quanto o movimento desses atores em cena, o que valoriza, por outro lado, o espetáculo. Para fugir a qualquer risco de discursividade da encenação, a diretora tratou de imprimir-lhe um ritmo forte, contínuo, que obriga a entradas e saídas de cena com muita adrenalina: talvez se o elenco fosse mais numeroso, isso pudesse ser evitado. Mas talvez tenha sido opção da própria linha de direção, no sentido de sugerir a urgência da cotidianidade vivida por aqueles personagens totalmente marginalizados e instrumentalizados, ao longo do enredo a que assistimos. A consequência desta opção, no entanto, é contraditória: sente-se um elenco coeso, extremamente bem trabalhado e treinado, mas por isso mesmo, muitas vezes, um pouco mecanizado e automatizado. Sente pouco o que diz, e por isso o texto, entregue em frases entonadas muito rapidamente, soa falso, discursivo e, enfim, vazio. O ator não tem condições de introjetar o sentimento do personagem, porque, ao mesmo tempo em que dá a fala, corre pela cena, joga-se ao chão, entra e sai da arena do teatro, troca de figurino - o elenco deve ficar terrivelmente fatigado, e esta fadiga é transmitida ao público. Eu, pelo menos, ao final, estava cansado. E isso é lastimoso, porque existe uma enorme e evidente doação do elenco ao trabalho solicitado, cada intérprete se esmera em fazer exatamente aquilo que lhe foi pedido e determinado, mas o resultado fica aquém do que poderia ter sido alcançado, se o texto fosse menos gritado, mais pessoalizado e exigisse, a performance, menos movimentação cênica.

Os figurinos de Rafael Körbes, contrastando os tons escuros dos prisioneiros e os coloridos artificiais dos demais personagens; a trilha sonora propositadamente irritante, de Jimi Melo; a cenografia de Yara Balboni, explorando objetos cotidianos com novos sentido; e a iluminação de Fabiana Santos mostram-se eficientes para os objetivos da direção. O espetáculo, de quase hora e meia de encenação, tem pulsação jovem, forte e provocativa. Tensiona, às vezes agride, mas é sincero.

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