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Cinema Notícia da edição impressa de 11/08/2015

Festival de Gramado: Que horas ela volta? arrebata a plateia

Caroline da Silva

IGOR PIRES/PRESSPHOTO/JC
Mesmo fora da competição, longa de Anna Muylaert arrebatou a plateia
Mesmo fora da competição, longa de Anna Muylaert arrebatou a plateia

Um dos consensos em Gramado, antes mesmo de a luz do Palácio dos Festivais se apagar para começarem as projeções, era o lamento pela saída de Que horas ela volta?, de Anna Muylaert (de Durval Discos e É proibido fumar), da mostra competitiva de longas nacionais. Felizmente, a organização manteve a sessão e foi uma bela largada para um festival de cinema como o realizado na Serra gaúcha. Foi, também, a comprovação do que todos sentiam: que a narrativa seria arrebatadora.

Considerado um filme político (que formaria uma tríade com O som ao redor, de Kleber Mendonça, e Casa grande, de Fellipe Gamarano Barbosa), a diretora deixou claro que queria fazer uma produção que todos pudessem entender, pensando em Dagmar - a musa da protagonista Val (vivida por Regina Casé), que foi babá na casa de sua mãe.

"Educar o filho dos outros, esta função tão importante, é um trabalho que, no Brasil e em quase toda a América Latina, é delegado às mulheres e por isso o enredo é tão feminino", na opinião de Anna. Ela conta que a sua maternidade originou o projeto, cujo título faz referência ao repetitivo questionamento que fazem as crianças cujas mães estão fora do lar, a trabalho.

Que horas ela volta? parte disso, mas é muito maior que isso. Anna Muylaert, quando foi apresentar seu título antes da projeção, disse que a história era sobre três mulheres: uma que se julgava superior, outra que se achava inferior aos outros, e uma terceira que não era nem superior nem inferior a ninguém, e era nesta utopia que ela queria chegar sobre as relações sociais no País.

O primeiro longa brasileiro a ser exibido em competição foi Introdução à música do cinema, na noite de sábado. Luiz Carlos Lacerda (de Viva Sapato!, 2004), ao apresentar o título e sua equipe, disse estar feliz de voltar ao festival e dedicou a sessão aos seus mestres: Ruy Santos, Nelson Pereira dos Santos, Jurandyr Noronha e Norberto Pires. Com For all - O trampolim da vitória, o cineasta recebeu, em Gramado, os prêmios de melhor filme, melhor roteiro, melhor trilha sonora, melhor direção de arte e melhor filme do júri popular em 1997.

A sua nova produção traz os consagrados Ney Latorraca (também produtor associado do filme) e Bete Mendes, mais os jovens atores Armando Babaioff e Greta Antoine. Sempre sugerindo algum incesto, a trama erótica se passa em uma pequena propriedade rural, no interior de Minas Gerais. Numa ambientação arcaica de uma família que ainda espera a chegada da luz elétrica, isolados do mundo e com o tédio norteando a rotina (onde os poucos prazeres são colher goiabas, andar de balanço e se lambuzar com goiabada), as relações parentais não estão bem definidas e se revelam conforme a trama evolui. O roteiro de Introdução à música do cinema se baseou em um argumento inédito do escritor mineiro Lúcio Cardoso.

Um lugar ermo e afastado da civilização também é o cenário de En la estancia (filmado em um vilarejo da província de Guanajuato), longa mexicano que abriu a concorrência dos latinos na sexta-feira. Com um roteiro surpreendente e uma linguagem instigante, a produção é do tipo "filme dentro do filme" e tem, como primeiro ato, uma parte documental, apresentada como documentário ao espectador, e que se descobriu, depois, totalmente encenada. O ator Gilberto Barraza, que contribuiu para esta confusão entre real e ficção devido à sua perfeita interpretação, conta que a rodagem proporcionou uma conexão maravilhosa com o espaço e com Dom Jesus, um senhor de 94 anos não ator do qual ele deveria "tornar-se o filho caçula".

Dificilmente o tema da repressão no Brasil ou em países da América do Sul fica fora da seleção de Gramado. O segundo estrangeiro exibido na mostra competitiva foi o uruguaio Zanahoria (Cenoura, em português), nome de uma operação do governo para investigar crimes ocorridos na ditadura do país.

O diretor Enrique Buchichio subiu ao palco na noite de sábado deixando claro que o seu filme era baseado em uma história real ocorrida há 11 anos e a qual ele teve conhecimento após ler uma crônica jornalística. Amparado no universo de paranoia relativo ao antigo regime e nas feridas dos familiares que tiveram entes desaparecidos, Buchichio narra uma interessante jornada, com belo esforço na direção de arte e produção (remontando às eleições de 2004) e com um time de peso no elenco: Cesar Troncoso (O banheiro do papa), Abel Tripaldi (A casa), Martín Rodríguez (Pedro Missioneiro, de O tempo e o vento) e o cômico Nestor Guzzini (Sr. Kaplan e Tanta água).

Entre os curtas, o primeiro exibido em competição - o paulista , de Leandro Tadashi - ainda é o preferido dos críticos. "É um poema", elogiou Maria do Rosário Caetano, da Revista de Cinema. Tadashi coloca em cena sua própria "Bá" (de Batchan, avó em japonês) para discutir o tema da velhice e da solidão em uma sociedade cada vez mais individualizada. O menino Bruno (excelente em cena) é obrigado a lidar com as mudanças que ocorrem em sua vida quando a avó é trazida para morar em sua casa, após ter sofrido um acidente quando estava sozinha.

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