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Livros Jaime Cimenti
jcimenti@terra.com.br

Livros

Coluna publicada em 07/08/2015

Quando desistimos de ser perfeitos

DIVULGAÇÃO/JC

O amor acontece quando desistimos de ser perfeitos. Este é o subtítulo do volume de crônicas Prometo falhar (Editora Novo Conceito, 400 páginas), do jornalista, roteirista e publicitário português Pedro Chagas Freitas, fenômeno de vendas em Portugal. O autor tem mais de 300 mil fãs na página do Facebook e se diz fã de cada um deles.

O amor segue como um dos grandes e infindáveis temas para todos os humanos e continua como fonte de inspiração interminável para as artes. O tempo, a distância e a geografia podem variar, mas as sensações, a procura e a perda do amor sempre vão estar presentes nas vidas das pessoas, sempre vão proporcionar paz, felicidade ou tristeza, de forma diversas, talvez, mas vão estar.

Além de jornalista e escritor de dezenas de obras, Freitas diz que, de vez em quando, é operário, barman, nadador, salvador, jogador de futebol e muitas outras coisas igualmente desinteressantes, segundo ele, que orienta desorientadas sessões de escrita criativa; e adora cães, gatos e pessoas. Pedro diz odiar bacalhau, marisco e eufemismos. Suas múltiplas atividades e seu jeito hiperativo tem tudo a ver com os textos que escreve.

Prometo falhar traz centenas de textos breves contendo histórias de amor, reflexões sobre o tema, o cotidiano, as relações pessoais e muito mais. Amor entre homens, mulheres, pais e filhos, muitos tipos de amor estão nas narrativas. Muitas narrativas são iniciadas com frases fortes, como: A grande vantagem da vida é nos ensinar a chorar. Você é a mulher da minha vida, mas o corpo precisa, sabe? Comecei a te amar no dia em que te abandonei. A loucura da vida é o corpo, sabe? Foi sem querer, mas tudo o que vale a pensa nesta vida é sem querer. Você é a pior pessoa do mundo e eu te amo para sempre.

As histórias escritas com a linguagem clara, sensível e fluente de Freitas resultaram da colaboração atenta e criativa de muitos de seus leitores e fãs, que diariamente lhe deram sugestões, abordagens, emoções e vida. O autor diz preferir ser especialista em vida do que em outras coisas. Não se julga um escritor iluminado e não pensa no ato de escrever como se fosse algo fora do comum. Na página 398, lista dezenas de pessoas que, de forma direta, estão dentro da obra.

Pedro Chagas Freitas pensa que, se ao amarmos alguém, admitirmos que a pessoa amada pode falhar, como nós, aí então as coisas podem ser melhores, mais bem-sucedidas e, quem sabe, mais felizes. Daí o título do livro e daí o mote para muitas histórias. Para o escritor, como está dito no subtítulo, amamos melhor quando desistimos de atingir a perfeição e entendemos que somos destinados a erros, a falhas e a incoerências. Ou seja, quando nos damos conta que somos apenas humanos e, por vezes, demasiadamente humanos.

E palavras...

Pais

Não lembra do dia em que olhos do pai viram pela primeira vez os da mãe. Não estava no baile. Lembra vagamente dos carinhos das suas mãos na barriga dela e dos sons das palavras. Movimentava os pezinhos e o pai dizia que ele ia ser jogador de futebol. Não sabe se foi bem assim. Fica sendo.

Os olhos do piá o viam como um gigante, um super-homem. A mão do pai era segura. Segura como os pneus do velho anúncio de propaganda. Montado na sua cacunda, ele era o gigante que dominava o mundo, o rei de tudo. O futuro era só coisa boa, mas era longe, era bem depois.

O adolescente, com sua liberdade de calça velha, azul e desbotada, sua rebeldia sem causa e seu poder de flor, sexo e rock and roll, queria paz e amor, bicho, queria fazer amor, não a guerra, queria mudar o mundo e pensava em passar o pai a limpo. Achava que o velho já era, que não sabia de nada, o inocente.

Dois ou três anos depois, o jovem adulto, como falou o Twain, se deu conta de que o velho tinha aprendido um monte de coisas naquele tempo. Notou que o pai sacava muitos lances, sabia das coisas, era cancheiro, sim, o velho era o cara. O jovem adulto começava a enxergar melhor o pai, agora que iniciava a saber que na vida a gente nunca sabe tanto assim que a gente só sabe que pouco sabe, que a arte é longa e a vida é breve.

O adulto olhou para o pai um dia e achou que ele estava velhinho, acabadinho, aos 50 anos. Ficou com medo das rugas dele, do espelho, do futuro. Anos depois, quando fez 50 anos, o adulto se deu conta que o pai não estava tão velho assim aos 50 e sentiu o olhar do filho para ele daquele mesmo jeito. Um dia, seu menino também se daria conta de que o pai não estava tão velho assim. Sempre foi assim, sempre será, enquanto a luz do sol aparecer e desaparecer no planeta, enquanto houver gerações se sucedendo, o tempo e o vento indo e vindo.

Naquele dia de inverno sulino, abrupto como um trovão, o telefonema fatal. O pai partira para outras dimensões, de um minuto para outro, sem anestesia, aviso prévio ou tempo para o adeus. Coração. A ficha jamais caiu. Nunca vai cair, mesmo passados 30 anos. Ficha da memória.

O pai passou a viver dentro dele, todos os dias, sempre. Passou a ser o pai, os dois, o guardião. No início, todas as recordações, depois, o tempo e a sabedoria fazendo seu papel, o esquecimento para algumas lembranças doídas e a memória só para as boas. Esquecimento feliz, lembranças felizes, memórias inventadas ou não.

O pai com seus vários tons, suas várias vozes, seus vários tamanhos, idades e tempos, o pai como aquela pessoa muito especial e igual. O pai como ele, um homem, um pai, uma pessoa que viverá até o momento que alguém ainda lembre dela. Uma pessoa com silêncios e palavras, atos e quietudes, idas e vindas, sorrisos e lágrimas, sonhos e desilusões, rumos e errâncias, perdas e ganhos.

A propósito...

Pais hoje não são mais os caras que saíam de manhã para caçar javalis e voltavam com cara feia de noite. As autoridades do lar – “vai ver quando teu pai chegar!” - com suas carrancas, mãos, cintos, chinelos, relhos, varas de marmelo e chicotes, botando moral na pensão. Pais hoje são meio mães, pães, meio vovôs bonzinhos, buscando novos papéis, dando banhos, colo, papinhas, trocando fraldas, brincando, assando churrasco, mas também falando sério e, quando preciso, dando uma de pai à moda antiga, tentando, ao menos, mostrar que na vida todos precisamos de um mínimo de leis, ordens e limites para sobreviver no planeta. Feliz dia dos pais! (Jaime Cimenti)

Lançamentos

O trem dos órfãos (8Inverso, 102 páginas), de Philippe Charlot e Xavier Fourquemin, tradução de Danielle Reichelt, novela gráfica, traz os dois primeiros volumes, Jim e Harvey, da série O trem dos órfãos, publicada pela Bamboo na França. De Nova Iorque, crianças órfãs eram levadas para o Centro-Oeste. No início, tudo bem, depois... maior migração de crianças do mundo.

Jürgen Habermas (Editora Sulina, 136 páginas), do psicólogo e professor universitário, Aluísio Ferreira de Lima, traz cinco ensaios sobre linguagem, identidade e psicologia social de Habermas, um dos mais conhecidos e produtivos autores no âmbito da Filosofia, das Ciências Sociais e da Psicologia Social, especialmente em linguagem, discurso e ação.

Menos do que um troco (Artes e Ofícios, 72 páginas), da professora e escritora premiada Simone Sauressig, novela infantojuvenil, traz a história de Uélintom. Garoto pobre, não vê saída para sua situação, até descobrir os meandros obscuros da tecnologia. Com um clique multiplicou seus horizontes. Horizontes duvidosos em que virtualidade e ética nem sempre andam juntas.

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