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Cinema Hélio Nascimento
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Cinema

Coluna publicada em 07/08/2015

Fragmentos

Dos cinco nomes que, no final dos anos 1950, fizeram a linguagem cinematográfica sofrer um tumulto, que a modificou e a enriqueceu, Jean-Luc Godard, nascido em 1930, é o único sobrevivente. Nem todos pertenciam à chamada Nouvelle Vague, movimento que agrupou autodidatas e ex-críticos da revista Cahiers du Cinéma. O maior deles, Alain Resnais, tinha estudado cinema no Idhec e, com suas obras de curta, média e longa-metragem, superou a todos com títulos que se transformaram em marcos do cinema, como Noite e nevoeiro, Hiroshima, meu amor e O ano passado em Marienbad. Outro que não pertencia ao grupo dos Cahiers era Louis Malle, que havia trabalhado com o comandante Cousteau antes de causar escândalo com Amantes, o título mais célebre de uma obra extensa e quase sempre de alto nível. Os três da Nouvelle Vague foram François Truffaut, Claude Chabrol e o realizador de Adeus à linguagem, que agora estamos vendo. De uma outra maneira, todos os cinco partiram de um modelo: cinema norte-americano.

Mas nenhum deles se submeteu a fórmulas e nem seguiu linhas e indicações. Foi uma aproximação marcada pela ousadia e pela ânsia de renovação. Resnais foi um revolucionário e praticamente criou um novo cinema. Malle, Truffaut e Chabrol utilizaram a linguagem tradicional para focalizar situações e personagens antes ausentes das telas. Quem, de certa forma, se aproximou de Resnais foi Godard.

O modelo americano está bem claro no primeiro longa-metragem de Godard, Acossado. O diretor dedicou tal trabalho à Monogram, companhia dedicada a filmes de baixo orçamento e dedicados ao gênero de ação. Durante o relato eram feitas várias citações a filmes de Hollywood. Mas, neste filme, já se fazia presente a marca do futuro realizador de Adeus à linguagem, que, aos 85 anos, não parece disposto a se retirar do cinema. Em algumas cenas, a sequência de planos não obedecia à imposição do tempo. Era como se o diretor estivesse interessado apenas em registrar o essencial de determinado acontecimento. Era possível definir tal técnica narrativa como uma espécie de cinema americano sem as cenas intermediárias, só com imagens e diálogos reveladores. Não era uma investida contra o realismo de cena, mas uma valorização dele. Também em Acossado já apareciam outras características do cinema de Godard, entre elas a de fazer os personagens falarem por ele, como na ironia sobre Brahms e na exaltação de Mozart, cujo concerto para clarinete é utilizado em uma sequência. Essas discussões sobre assuntos diversos são lembradas em outro título marcante do cinema, Pulp fiction, de Quentin Tarantino, quando, na cena inicial, os dois pistoleiros dialogam enquanto se dirigem para cumprir uma determinada ação criminosa.

Adeus à linguagem é a radicalização de tal método. O que se vê na tela são fragmentos de uma relação, enquanto se discute assuntos diversos, como as atrocidades nazistas e os crimes stalinistas. Godard sempre foi, também, um crítico do uso das palavras. Notável foi sua brincadeira com o locutor esportivo em Uma mulher é uma mulher, uma comédia, por sinal, brilhante e bastante acessível, quando compara uma manobra do Real Madrid com Shakespeare. Godard, de certa forma, continua prestando sua homenagem ao cinema americano. A formação das imagens e a direção dos intérpretes seguem o modelo clássico. Além do mais, esse tipo de proposta, só é possível porque há salas de exibição funcionando graças ao tipo de cinema do qual Godard procura se afastar. Os personagens discutem, mas suas palavras nada resolverão. E não há qualquer empatia com o público. Tudo é distante. Quando o allegretto da sétima sinfonia de Beethoven confere grandeza às imagens, também este trecho se transforma num fragmento. Nada parece se completar. Tudo se desmancha com o tempo. O processo que teve seu início em Acossado se completa. Mas há o risco de tudo perder o significado e o sentido. Se este é o objetivo de Godard, é possível dizer que seu cinema, salvo alguns títulos, não tem futuro. Provavelmente será visto como tentativa de captar o caos dele fazendo parte. Mas não foi este o caminho escolhido pelos grandes do cinema.
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