Porto Alegre, sexta-feira, 22 de outubro de 2021.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
19°C
15°C
7°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 5,5230 5,5250 1,61%
Turismo/SP 4,7300 5,8120 0,44%
Paralelo/SP 4,7400 5,6700 0%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
142422
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
142422
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
142422
Repita o código
neste campo
 
 
imprimir IMPRIMIR
Teatro Antônio Hohlfeldt
[email protected]

Teatro

Coluna publicada em 07/08/2015

Milagre de Teatro

Passei duas semanas afastado dos teatros, por conta de uma cirurgia, sendo afetivamente substituído pelo editor desta página, Cristiano Vieira, a quem agradeço o carinho e o cuidado com o espaço (e com nosso teatro, claro). Retornei, ao final da semana passada, e não poderia ter escolhido melhor espetáculo para fazê-lo: O outro Van Gogh, original de Maurício Arruda de Mendonça, direção de Paulo de Moraes (que também assina o cenário) e interpretação de Fernando Eiras a partir da correspondência trocada entre os irmãos Vincent e Theodorus (Theo, como Vincent o chamava).

O espetáculo é dessas obras raras, tanto enquanto criação de texto dramático (proeza do dramaturgo) quanto precisão de marcação e de detalhes (não por acaso, o diretor também assina o minimalista cenário, com cadeira e abajur). A realização plena se completa com uma iluminação escultórica, criada por Maneco Quinderé, interferindo dinamicamente na construção dramática do espetáculo, ao lado da trilha sonora, criada por Rico Vianna e Renato Vilarouca, que incide em três momentos fundamentais, mudando os climas da encenação, de pouco mais de uma hora de duração. A equipe técnica se completa com Rita Murtinho, que cuida dos figurinos (uma bata branca, de doente em hospital, no caso, psiquiátrico, e alguns panos com que a personagem joga/brinca) e Patrícia Selonk, que responde pela preparação corporal (excelente) do ator.

Fernando Eiras incorporou plenamente a personagem. Por isso, quando entramos no teatro, ele já se encontra em cena (quer dizer, internado no hospital, enfrentando a mesma doença do irmão). Mas quem assistiu ao espetáculo no domingo pela tarde recebeu um bônus especial, graças aos sinos da Catedral Metropolitana que, obviamente, sempre tocam no horário das 18h. Mas eles atrasaram (talvez para chamarem à missa) e acabaram soando justamente cerca de vinte ou trinta minutos depois de iniciado o espetáculo, quando a personagem, imbuída de sua pretensa vocação de pastor (igual ao pai), inicia um sermão junto à população miserável de mineiros belgas, em pequenina comunidade. A combinação da representação teatral com os sinos foi miraculosa: o ator congelou a cena, surpreso e emocionado, como, aliás, todos nós. Era como se aquele Deus do pastor/pintor estivesse se manifestando junto aos fiéis.

Depois, o ator avançou sobre a boca de cena e, interrompendo o espetáculo, dialogou com a platéia a respeito do trabalho do ator, intérprete de uma personagem como Van Gogh, para muitos, uma espécie de mártir da pintura contemporânea. Passada a magia do momento, retomou-se o espetáculo. Mas, por certo, nem ator nem público daquela sessão esquecerão esta experiência que só o "ao vivo" do teatro permite.

Independentemente disso, O outro Van Gogh é um momento excepcional de teatro. Num momento em que, cada vez mais, as relações se dão de modo indireto, mediadas por aparelhinhos irritantes como os celulares e tudo o mais, este foi um episódio de reencontro com a humanidade e de reafirmação do teatro. Assim como no cinema o roteiro é a alma de um filme (não há bom filme sem bom roteiro, embora o vice-versa não seja verdadeiro), não haveria este espetáculo tão extraordinário sem a correta seleção/orquestração de cenas montada a partir das cartas, mas não linearmente: daí que a narrativa se fragmenta, mas esta fragmentação torna o espetáculo altamente dramático, contando, para isso, com a direção meticulosa, com a entrega apaixonada do intérprete e com uma equipe técnica que, em tudo, acertou sempre, no momento certo e na dose condizente.

Lastima-se que o teatro não estivesse lotado. Continuamos, infelizmente, plateia de televisão, que vai ao teatro ver seu astro de telenovela. Mas quem foi assistir, como disse, não esquecerá este milagre de teatro.

Obrigado a Barbara Heliodora que, numa de suas últimas colunas, anotou toda a ficha técnica do espetáculo, e que aqui repasso aos leitores.
COMENTÁRIOS
Nenhum comentário encontrado.

imprimir IMPRIMIR
COLUNAS ANTERIORES
Pulsante, agressivo e sincero
Concentração é um roteiro dramático livremente criado a partir do livro Ácido sulfúrico, da escritora belga Amélie Nothomb, trazendo de volta à cidade a diretora Ana Paula Zanandréa
Coragem na noite fria
Numa das recentes mais frias noites da cidade, criei coragem e fui à concha acústica do Multipalco do Theatro São Pedro. A curiosidade era muita
O retorno do balé russo
Os grupos de dança da Rússia sempre fizeram sucesso entre nós
Teatro para vomitar
Muita gente que assistiu a Crime Woyzeck, o novo espetáculo assinado pelo diretor Luciano Alabarse, comentava que não sabia bem o que dizer