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Teatro Antônio Hohlfeldt
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Teatro

Coluna publicada em 17/07/2015

Coragem na noite fria

Numa das recentes mais frias noites da cidade, criei coragem e fui à concha acústica do Multipalco do Theatro São Pedro. A curiosidade era muita. Queria ver o tal espetáculo Capitão Rodrigo - A saga de um homem comum. Na verdade, a coisa não era bem assim. Trata-se do Grupo Mosaico Cultural, que tem o patrocínio do Fumproarte (álbum do disco) e do FAC da Secretaria de Cultura do Estado, para o espetáculo. Deste modo, ele deve ser apresentado gratuitamente. Capitão Rodrigo, contudo, é o nome da banda, formada por Rafa Cambará, Nando Rossa, Juliano Rossi, Cuba Cambará, Gilberto Oliveira e Eduardo Schuler. Com roteiro de Rafa e Cuba Cambará, sobrenome evidentemente inspirado nos romances de Verissimo, dos quais tiraram inspiração também para o batismo da banda, eles idealizaram uma dramatização para a apresentação do conjunto, que recebeu dramatização final de Kike Barbosa e direção de Liane Venturella.

Na verdade, com uma hora de duração, mais ou menos, temos um espetáculo bem alinhado com a perspectiva pós-moderna: música, teatro, projeções de imagens em telão que fica atrás dos músicos, um espetáculo, enfim, multilinguístico que, em seu enredo, às vezes me lembrou a Ópera dos três vinténs, popular texto de Bertolt Brecht, também na forma de ópera, por seu lado igualmente inspirado em outras obras bem mais antigas, ainda do século XVII. Aqui, define o conjunto tratar- se de uma ópera-rock. Não sei se a etiqueta é necessária, mas vamos lá: tem guitarras e teclados. Mas nem tudo é ritmo que, estritamente falando, poderíamos alinhar com o rock. Como disse, contudo, isso não é o principal.

Debaixo de um frio assustador, a concha acústica parecia ainda mais assustadora, com uns poucos gatos pingados sentados, aqui e ali, nos bancos do simpático espaço. Mas foi a gurizada fazer soar os primeiros acordes, e a concha lotou. Isso deu outra aparência ao trabalho, o pessoal como que encorpou, esqueceu o frio, ganhou brios e o espetáculo encontrou ritmo. Do ponto de vista dramático, temos a figura de Pompeu Homero, um homem comum que, em certo momento, participa de um programa tipo Big Brother: literalmente, uma mistura entre o show de televisão e o contexto do conhecido romance de George Orwell.

Como resultado, o sujeito, que era e pretendia ser um bom sujeito, transforma-se num gangster. Esta ascensão e queda da personagem é o que conduz o desenvolvimento do espetáculo, com uma série de aventuras que se desdobram nas composições musicais. Os figurinos de Daniel Lion permitem que o principal personagem vista-se com um traje todo vermelho quadriculado, que às vezes me lembrou o Chapolin Colorado da televisão, mas sem as trapalhadas daquele. Na verdade, o que temos em cena é algo que se equilibra entre o dramático e o trágico, na medida em que a personagem parece não querer seguir seu destino, mas tem pouca oportunidade de escapar. Os cenários e adereços de Ju(liano) Rossi ajudam na caracterização do contexto, especialmente com as projeções em data show, que podem reproduzir obras de artistas plásticos norte-americanos, ou simplesmente fazem correr, pela tela, manchas coloridas que se desmancham para se repetirem logo depois, mas sempre em movimento e com variações cromáticas constantes, o que dá um sentido de instabilidade que se coaduna perfeitamente com as ações da personagem.

Com cerca de uma hora de duração, o espetáculo prende, agrada e convence: é uma excelente iniciativa, e a exploração das diferentes linguagens mostra a potencialidade que outros espetáculos de artes cênicas podem explorar. O que me parece altamente positivo é a banda ter tido a humildade de se dar conta de que, se queriam fazer teatro, havia que chamar gente de teatro. Sem negar a evidente atração que é a música - a sua música - que era o que o conjunto queria mostrar. Assim, no resultado final, ganharam ambos: o disco recém gravado e promovido, e a linguagem das artes cênicas, que se enriqueceu. Que outros grupos e artistas tenham a mesma coragem que este Mosaico Cultural evidenciou. Todos ganharemos com isso. Ah, um aviso aos leitores: pelas próximas três edições, estarei ausente, mas o editor de cultura do JC, Cristiano Vieira, ficará como interino do espaço. Até mais!
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