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Teatro Antônio Hohlfeldt
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Teatro

Coluna publicada em 10/07/2015

O retorno do balé russo

Os grupos de dança da Rússia sempre fizeram sucesso entre nós. O autodenominado Russian State Ballet (Balé Nacional Russo) não foge à regra. Já esteve conosco há alguns anos. Mais do que um espetáculo de dança, o projeto implica uma série de atividades que se estende, desta vez, a todas as capitais brasileiras (um tour de force, sem dúvida) e, muitas vezes, a algumas cidades do Interior (no Rio Grande do Sul, Caxias do Sul, Lajeado, Pelotas e novo Hamburgo). Mais que isso: do mesmo modo que a solista de Don Quixote é uma bailarina japonesa, em Porto Alegre, o grupo fez uma espécie de concurso e sai daqui com uma jovem dançarina gaúcha que, aliás, já estreia em Caxias do Sul. Este Balé Nacional Russo, na verdade, pelo que disse seu promotor no Brasil, é um conjunto formado a partir dos melhores artistas de diferentes grupos coreográficos russos. Periodicamente, faz-se uma espécie de seleção de artistas, tanto solistas quanto membros de grupo, para excursões como a que ora se desenrola na América Latina: na verdade, são meses de viagem.

Em Porto Alegre, o grupo mostrou A bela adormecida, O lago dos cisnes, em duas récitas extras, e uma seleção de Sheherazade (1º ato) e Dom Quixote (2º ato). Assisti a esta récita, no domingo à tarde, e é a partir dela que escrevo estas linhas.

As coreografias originais destes espetáculos verdadeiramente centenários têm sido revistas periodicamente. Não sei se para melhor. No caso do Sheherazade, a revisão de Viatcheslov Gordeev parece que não foi muito feliz: a movimentação de cena é relativamente pobre, sem grandes idéias. Buscou-se, na atualização, reforçar uma certa perspectiva de sensualidade. Mas, em compensação, os grupos que, na lateral da cena, acompanham, por exemplo, os movimentos dos dois solistas, se mexem tanto (sobretudo os braços) que parece quererem roubar a cena. O público estava frio, nesta primeira apresentação, e frio continuou, porque, de fato, a encenação não chegou a entusiasmar.

Mas depois do intervalo chegou uma peça de força: Dom Quixote que, certamente, faz, no seu segundo ato, a alegria de muitos solistas, tanto masculinos quanto femininos. Neste caso, tínhamos em cena a japonesa (!!!) Fukuda Shaori e o russo Anton Korsakov, este do grupo Kirov-Mariynski), ambos de excelente qualidade. O conjunto estava mais uníssono, com maior movimento. A coreografia revista de Gordeev aqui andou bem, e a direção técnica de Victor Davidov mostrou sensibilidade: a cena é alegre, graças, sobretudo, ao Sancho Pança em cena, já que o Dom Quixote é um sonâmbulo que atravessa a cena de vez em quando. A coreografia mistura resquícios de outras narrativas, como a de Carmen, com seus toureiros e uma sugestão da cigana traiçoeira, mas quem rouba a cena, de fato, é o casal amoroso, que ocupa boa parte de toda a encenação, para gáudio do público, que lotava o teatro e que, então sim, reagiu, aplaudiu e pôs-se de pé.

É curioso pensar que, justamente depois que terminou a união Soviética, aumentou significativamente o número de viagens dos conjuntos russos. Muitos dizem que são espetáculos caça-níqueis. Por certo, aqui não temos um conjunto totalmente harmonioso, justamente porque não se constitui numa companhia permanente, mas num grupo formado especialmente para uma viagem. Mas isso não invalida a iniciativa, sobretudo, porque as perfomances pagas – e que não são baratas – complementam-se com estas outras atividades, aproximando artistas, permitindo intercâmbios e, sobretudo, levando alguns bailarinos a instituições de caridade ou assistência. Por tudo isso, vale a pena que tais projetos sejam mantidos, neste caso, com o apoio dos governos do estado e do município. Nem sempre do ótimo vive a arte, mas também da perseverança e da simpatia humana. E isso, o grupo russo tem de sobra.

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