Porto Alegre, sábado, 04 de dezembro de 2021.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
19°C
15°C
7°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 5,5230 5,5250 1,61%
Turismo/SP 4,7300 5,8120 0,44%
Paralelo/SP 4,7400 5,6700 0%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
181923
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
181923
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
181923
Repita o código
neste campo
 
 
imprimir IMPRIMIR
Cinema Hélio Nascimento
[email protected]

Cinema

Coluna publicada em 26/06/2015

Passado oculto

O tema da violência gerada por impulsos reprimidos e por imposições que entram em conflito com tentativas de afirmação diante de normas que nem sempre levam em consideração a natureza humana é retomado pelo francês Gilles Paquet-Brenner neste Lugares escuros, baseado em livro de Gillian Flynn. Numa época em que é difícil definir a nacionalidade de um filme, a produção tem várias origens, mas é possível dizer que estamos vendo uma tentativa do cineasta em iniciar uma carreira no cinema americano. A se julgar por este trabalho, o realizador não pode ser visto como um nome à altura do assunto abordado. Ele próprio é um dos responsáveis pela adaptação cinematográfica e não pode, portanto, ser absolvido pelo artificialismo de muitas sequências, algo agravado pela escalação equivocada de alguns intérpretes, entre eles o que vive o administrador do grupo de investigadores que se dedicam a pesquisar sobre crimes que para eles não foram devidamente solucionados. Recentemente, nos Estados Unidos, alguns condenados, depois de passarem décadas no corredor da morte, foram libertados após recursos técnicos hoje utilizados terem provado suas inocências. Isso certamente estava entre os motivos que levaram o cineasta a concretizar tal projeto, cujo resultado na tela está muito aquém do que o tema pedia.

Investigar o passado é lançar luzes sobre acontecimentos esquecidos ou não devidamente elaborados. A protagonista do filme, quando criança, escapou de um massacre, no qual a mãe e suas duas irmãs foram assassinadas. Condenado perlo crime, graças a seu depoimento, o irmão mais velho cumpre uma pena que os investigadores antes mencionados acham injusta. O ponto de partida é dos mais interessantes, já que temos em cena uma personagem infeliz, solitária e agressiva, incapaz de conviver com um acontecimento traumático não solucionado. Mas Paquet-Brenner não é propriamente o indicado para desenvolver tal tema. O filme claramente é soterrado pelo artificialismo e por uma ambição que as imagens não conseguem concretizar em cena. As variações permitidas pelo tema central não chegam a se concretizar em situações reveladoras. Em filmes como este, no entanto, é possível constatar a presença de elementos que em outras mãos certamente resultariam em algo mais consistente.

Um deles, por exemplo, é a causa da revolta do irmão quando jovem. É quando a temática da família em processo de decomposição predomina. Mas o pai ausente, e que quando aparece é uma caricatura involuntária, não passa de uma figura grotesca. Um mundo em decomposição é então apontado como o culpado de tudo. O cenário faz tal afirmação na cena em que a protagonista vai de encontro ao pai. Mas este mundo movido pelo dinheiro, como está explícito no encontro da personagem de Charlize Theron com o representante do grupo de policiais amadores, mal aparece, seus mecanismos são ignorados e seus métodos de ação não são analisados. A crítica é pífia e se limita aos tradicionais sinais de inconformidade, encenados de uma forma da qual a profundidade está ausente. As cenas na prisão são as melhores, pois o encontro dos irmãos coloca nas imagens a tentativa de sobrevivência do humano. E quando tudo se resolve e uma frase edificante encerra a narrativa, o filme se distancia ainda mais de um epílogo no qual o final de um processo de elucidação se conclua com as luzes eliminando a escuridão. O filme de Paquet-Brenner está muito distante dos clássicos do gênero. Estes, por serem clássicos, não serão ultrapassados. Mas seria bem melhor para o cinema e para seus espectadores que as lições que foram deixadas pelo menos servissem de modelo. Não é o que acontece aqui. Até mesmo por procurar esconder limitações através de uma montagem que mescla passado e presente de forma canhestra, o filme de Paquet-Brenner se afasta do ponto principal, que seria o da investigação do passado para flagrar a origem da hostilidade dentro do núcleo familiar. Em vez disso se limita a destacar sinais exteriores de uma crise maior e a se distanciar do que teria papel elucidativo no processo de revelação da origem da tragédia focalizada.

COMENTÁRIOS
Nenhum comentário encontrado.

imprimir IMPRIMIR
COLUNAS ANTERIORES
Mais uma sessão
A morte do cinema foi muitas vezes prevista e encenada
Fragmentos
Dos cinco nomes que, no final dos anos 1950, fizeram a linguagem cinematográfica sofrer um tumulto, que a modificou e a enriqueceu, Jean-Luc Godard, nascido em 1930, é o único sobrevivente
Humanos contra as máquinas
O ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, como ator, conseguiu uma proeza significativa
Humanos contra as máquinas
O ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, como ator, conseguiu uma proeza significativa