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Petróleo Notícia da edição impressa de 23/04/2015

Petrobras tem prejuízo de R$ 21,587 bilhões

Perdas com corrupção somam R$ 6,194 bilhões no primeiro resultado negativo obtido pela companhia desde 1991
VANDERLEI ALMEIDA/AFP/JC
Diretoria justificou o prejuízo apontando uma perda de R$ 44,636 bi pela desvalorização de ativos
Diretoria justificou o prejuízo apontando uma perda de R$ 44,636 bi pela desvalorização de ativos

A Petrobras reconheceu em seu balanço financeiro de 2014, divulgado ontem, após meses de atraso, a perda de R$ 6,194 bilhões por causa de gastos relacionados à corrupção, feitos de 2004 a 2012, identificados nas investigações da operação Lava Jato, da Polícia Federal. Outros R$ 44,636 bilhões foram registrados como perdas após revisão no valor de ativos. Com isso, registrou prejuízo de R$ 21,587 bilhões em 2014, o primeiro resultado negativo anual desde 1991.

O presidente da empresa, Aldemir Bendine, confirmou que os acionistas da companhia não receberão dividendos relativos ao exercício do ano passado. O desconto no balanço, chamado de "baixa contábil", tem impacto no lucro e também no patrimônio da empresa.

Baixas são necessárias tanto por causa de custos indevidos relacionados à corrupção quanto pelo reconhecimento, por parte da empresa, de que não terá como recuperar o valor de um investimento já em curso - por causa de mudanças no ambiente de mercado, como cotações de matérias-primas, câmbio, custos de construção e mão de obra locais, entre outros.

Em 2014, a produção de petróleo e gás da Petrobras cresceu 6% em relação ao ano anterior e os reajustes nos preços da gasolina e do diesel aumentaram as receitas (R$ 337,260 bilhões), mas as perdas contábeis falaram mais alto. O último prejuízo anual da estatal, em 1991, foi de R$ 91 mil, em valores da época, ou R$ 1,2 bilhão, em valores de hoje atualizados pelo IPCA.

O valor das baixas era o dado mais aguardado. Por causa de controvérsias sobre como contabilizar as perdas, sobretudo as com corrupção, a PricewaterhouseCoopers (PwC) recusou-se a auditar o balanço do terceiro trimestre de 2014, ampliando as dificuldades da Petrobras.

"O pior já passou, isso já está claro", disse o analista independente Pedro Galdi. Segundo ele, apesar dos números "feios", a mensagem de que a empresa tenta arrumar a casa é importante não só para investidores, mas também para a cadeia de fornecedores e a economia como um todo.

Bendine procurou passar essa mensagem em entrevista coletiva na noite de ontem. "A Petrobras não vai parar. Não vai entrar em marcha à ré." Segundo ele, espera-se que, em maio, a empresa comece a receber o dinheiro desviado com corrupção. O dinheiro será o que foi resgatado em contas no exterior. Bendine disse ter entrado em acordo com a Justiça para que o dinheiro resgatado retorne ao caixa da empresa.

O custo da corrupção foi definido em R$ 6,194 bilhões, mas os efeitos da Lava Jato batem também na baixa de R$ 44,636 bilhões com a reavaliação de ativos. Desse total, R$ 30,976 bilhões são devidos à revisão do valor dos investimentos em refinarias, com destaque para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e Rnest (Abreu e Lima, em Pernambuco), envolvidas no esquema operado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Embora a perda de R$ 44,6 bilhões tenha mais a ver com condições de mercado do que com a corrupção, há efeitos indiretos da Lava Jato. Segundo documento divulgado junto com o balanço, as revisões da Rnest e do Comperj levam em conta "a postergação desses projetos por extenso período, motivada por medidas de preservação do caixa e problemas na cadeia de fornecedores oriundos das investigações da Operação Lava Jato".

As denúncias de corrupção reveladas na Lava Jato agravaram uma situação que já era ruim. Com problemas de caixa desde 2011, sobretudo por causa da pressão do governo para que o preço dos combustíveis não fosse reajustado para evitar inflação, e diante da necessidade de investir pesadamente, principalmente no pré-sal, a Petrobras teve de aumentar sua dívida. A dívida bruta encerrou 2014 em R$ 351 bilhões, dando à empresa o posto de petroleira mais endividada do mundo.

Segundo o economista Thiago Biscuola, da RC Consultores, a estatal deverá enfrentar dificuldades e um custo maior para se financiar, mesmo após o balanço. "Como reduziu o valor da Petrobras, aumenta a percepção de risco", disse Biscuola, que prevê uma revisão dos planos de investimentos até pelo menos 2020.

Estatal saldaria dívida em 4,8 anos

Menor e ainda mais endividada, a Petrobras segue distante das grandes petrolíferas globais e pode deixar o grupo das empresas com finanças consideradas saudáveis, chanceladas pelo chamado grau de investimento das agências de risco - ela perdeu o aval da Moody's, mas mantém o selo de boa pagadora por Fitch e S&P.

Com uma dívida de US$ 106 bilhões (pelo câmbio médio de 2014), ela precisaria de 4,77 anos para conseguir quitá-la.

O indicador, formado pela divisão da dívida líquida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, que mede a capacidade de geração de caixa), indica o grau de conforto com que uma empresa gere as obrigações financeiras.

Esse cálculo leva em consideração que o volume de recursos em caixa, o volume de geração de caixa e o endividamento permaneçam inalterados no período.

Até 2013, a Petrobras demoraria 3,5 anos para saldar sua dívida. Para analistas, o patamar ideal seria de até 2,5 anos. Já as agências de risco teriam um limite de até cinco anos para a estatal perder o grau de investimento.

A americana ExxonMobil, por exemplo, levaria menos de seis meses para saldar sua dívida (0,48 ano). A britânica BP demoraria pouco mais de um semestre (0,64 ano).

E isso sem considerar o passivo (até o terceiro trimestre de 2014) de R$ 43,8 bilhões com o Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, referentes a contribuições devidas que a estatal terá de saldar no futuro.

Bendine diz que página foi virada e nova fase se inicia

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, destacou que a empresa não vai entrar em um "sistema de paralisia" e ressaltou que, após a apresentação dos dados, esta é uma "página virada nesse capítulo triste que a empresa passou". "Temos confiança de que vamos conduzir a empresa para uma nova fase."

"Mesmo com todas as dificuldades que a empresa enfrentou, a companhia não vai entrar num sistema de paralisia. A Petrobras tem capacidade de investimento muito alto e a gente sabe da importância disso para a economia brasileira", afirmou.

De acordo com ele, a empresa "continuará gerando valor que sempre soube gerar". Para justificar o motivo para que se acredite na Petrobras, o executivo destacou alguns números e dados da empresa. Entre eles, afirmou que a petroleira é líder mundial de sucesso de exploração de petróleo. "Um em cada três barris de óleo descobertos no mundo nos últimos 10 anos foram da Petrobras."

Além disso, o executivo afirmou que a estatal possui a maior geração de valores sobre investimento da indústria de petróleo. "A cada dólar gasto em exploração, adicionamos US$ 4 aos nossos ativos." Ele destacou ainda um índice de sucesso exploratório acima de 70%, ante média de 60% da indústria mundial. No pré-sal, afirmou, está acima de 85%.

COMENTÁRIOS
Dagmar - 23/04/2015 - 09h33
Primeiro resultado negativo desde 1991???? duvido muito, se não fosse a operação Lava Jato o resultado seria positivo após fazer muita maquiagem nos números, sempre houve roubo na Petrobras, mas com certeza esse deve ter sido o pior resultado. É uma pena que não vai dar em nada, alguns serão ficarão presos temporariamente, mas o que interessa para o povo brasileiro é que devolvam o dinheiro, coisa que nunca vai acontecer infelizmente.

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