Porto Alegre, sábado, 12 de junho de 2021.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
19°C
15°C
7°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 5,5230 5,5250 1,61%
Turismo/SP 4,7300 5,8120 0,44%
Paralelo/SP 4,7400 5,6700 0%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
865661
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
865661
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
865661
Repita o código
neste campo
 
 
imprimir IMPRIMIR

MEMÓRIA Notícia da edição impressa de 25/02/2015

Estudante da Ufrgs evitou corte de árvore há 40 anos

Bruna Suptitz

AGAPAN/DIVULGAÇÃO/JC
Dayrell só desceu da tipuana depois da garantia de que seria mantida
Dayrell só desceu da tipuana depois da garantia de que seria mantida

Em 25 de fevereiro de 1975 - há 40 anos, portanto -, três jovens estudantes protagonizaram um episódio que marcou o movimento ambientalista em Porto Alegre e no mundo. A previsão do corte de árvores para a construção de um viaduto na avenida João Pessoa, em frente à Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), encontrou a insatisfação de Carlos Alberto Dayrell, na época com 22 anos, que já acompanhava as discussões sobre as obras na via. Ele se manifestou subindo em uma tipuana na tentativa de impedir a sua derrubada pelas máquinas da prefeitura. Para lembrar este marco, um encontro será realizado hoje, às 18h, no mesmo local do protesto. Dayrell não poderá participar, pois vive hoje em Montes Claros, interior de Minas Gerais. Em entrevista ao Jornal do Comércio, o militante falou sobre o episódio e as causas que hoje defende.

Jornal do Comércio - Como se deu sua participação nos atos do movimento ambientalista? O primeiro foi o de 25 de fevereiro de 1975?

Carlos Alberto Dayrell -
Em 1974, fiquei sabendo da existência da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) através de uma amiga, a Mary Hiwatashi, que me levou a uma das reuniões. Na época, eu era estudante de Engenharia (Eletrônica na Ufrgs) e tinha uma vivência com uma família de horticultores japoneses no bairro Vila Nova. Tive a oportunidade de participar de palestras de José Lutzenberger, de ver o trabalho de mobilização de Augusto Carneiro (outro pioneiro da ecologia no Estado).

JC - Como surgiu a inspiração para subir na árvore?

Dayrell -
Foi no final de 1974, em uma das reuniões da Agapan, um dos assuntos que estava sendo abordado era a necessidade de manter e aumentar a arborização urbana. E, entre estas discussões, Lutzenberger comentou a iniciativa de jovens alemães que estavam se acorrentando em árvores para impedir o seu corte em função de abertura de novas rodovias.  Quando ia fazer a matrícula na parte da manhã ? morava na Casa do Estudante ?, encontrei o pessoal da prefeitura cortando diversas árvores para construção do viaduto. Como já tinham derrubado uma fileira, a alternativa que vi na hora foi de subir. Mas a árvore era muito alta. Então, pedi a um dos garis uma escada emprestada e a levei até a próxima que seria cortada. Estava com o Marcos Saraçol, colega de moradia. Foi meio de supetão, me lembrando do pessoal que se acorrentou nas árvores. A subida junto do Marcos e da Teresa Jardim foi muito importante. E principalmente o apoio da população, da Agapan e a boa repercussão dada pela mídia.

JC - Acredita que possa ter servido de inspiração para outros atos de defesa do meio ambiente depois disso?

Dayrell -
Na época, não tinha ideia desta repercussão que o caso acabou tendo. Mas me lembro que muita gente apoiou a atitude. Uma coisa importante é que não podemos ficar esperando, só vendo a destruição sem fazer nada. Temos que reagir, afinal é direito de todos termos um ambiente preservado, que garanta a nossa vida, a vida de todos.

JC - Como seguiu a sua militância pela causa após este episódio? Como é hoje?

Dayrell -
Acabei fazendo outro vestibular, comecei a fazer Agronomia, depois minha mãe conseguiu transferência para Viçosa (MG), ela tinha muito medo da repressão dos militares, pois um dia viu uma reportagem em que um general dizia que o ato de subida na árvore era visto como subversão. Era um período muito difícil, teve o caso do assassinato de Vladimir Herzog, de Manoel Filho. Em Viçosa, participei do Grupo Alfa de Ecologia, depois participei de um grupo de estudos de educação popular. E quando me formei, em 1980, tive a oportunidade de trabalhar em Moçambique, onde trabalhei com agricultura tropical. Quando voltei para o Brasil, em 1984, passei a trabalhar para em um projeto de Desenvolvimento Rural Integrado. Foi muito importante, pois passamos a ter contato com outros projetos. Estes contatos levaram à constituição, em 1985, por um grupo de lideranças de agricultores familiares e técnicos, na fundação do Centro de Agricultura Alternativa (CAA) do Norte de Minas, onde atuo até hoje. Infelizmente estamos vivendo agora um período de muita apreensão, pois uma nova ameaça vem crescendo: com a mineração, querem construir um mineroduto que vai levar minério e água até o Porto de Ilhéus. Um absurdo. Moramos em uma região de parcas águas, e o pouco que temos vai ser drenado por este projeto que está em processo de licenciamento pelo Ibama. Toda nossa pressão agora é contra a Mineração da SAM, atualmente de capital chinês.

JC - Em 2013, em situação semelhante, jovens tentaram impedir o corte de árvores para o alargamento de vias em Porto Alegre, porém não obtiveram o mesmo sucesso. O que mudou de lá para cá? As pautas ambientais têm menos espaço hoje do que naquela época?

Dayrell -
Vivemos um momento em que a pauta ambiental é apenas de fachada. Temos muitas leis, fala-se muito, mas os interesses econômicos são muito fortes. Infelizmente, as grandes corporações é que dominam a pauta dos governos, do Congresso, do Judiciário. É preciso radicalizarmos com a democracia, pois a grande maioria da população é contra a degradação, a grande maioria da população gostaria de saber que, amanhã, as pessoas, os nossos filhos vão ter o que beber, o que comer. Mas a degradação que ocorre em escala continental está nos privando deste direito. Então, não podemos ficar esperando que outros cuidem do meio ambiente. Nós mesmos precisamos fazer isso. Os jovens que tentaram impedir o corte das árvores em Porto Alegre, para mim, são heróis. Eles não podem desanimar.

COMENTÁRIOS
Nenhum comentário encontrado.

imprimir IMPRIMIR
TEXTOS RELACIONADOS
Prédio na rua Santo Antônio, na Capital, deve ser transformado em símbolo de luta contra a ditadura
Memorial Ico Lisboa ganha apoio internacional
Hagemann protagonizou debate sobre a legislação aprovada em 1999
Morre Lauro Hagemann, o repórter Esso gaúcho
Registros da política gaúcha estão ameaçados por questão financeira
Contingenciamento financeiro e espera por verbas federais impedem recuperação do prédio do Museu da Comunicação
Depois do tombamento pelo Patrimônio Histórico e Artístico, ainda não há um projeto para o espaço
Futuro da Ilha do Presídio é desconhecido