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Consumo Notícia da edição impressa de 16/02/2015

Carnaval: folia que dá dinheiro

Roberta Mello

MARCOS NAGELSTEIN/Arquivo/JC

Depois de anos marginalizada e vista como uma festa sem relevante reflexo econômico, o Carnaval ganhou status de megaevento. Pesquisadores e gestores públicos passaram a se interessar em colocá-lo na agenda mundial e a estimular a geração de emprego e renda através da sua profissionalização.

Uma das mais importantes formas de expressão da identidade e cultura nacionais, o Carnaval representa também a capacidade do brasileiro de criar e transformar. De origem europeia, a comemoração trazida à colônia pelos nobres que para cá migravam se popularizou, fundiu-se ao samba e se transformou no mais importante produto cultural do País. As escolas de samba passaram a servir como forma de organização comunitária, o ritmo caiu no gosto dos brasileiros de todas as classes sociais e o evento começou a atrair visitantes de outros países.

Dados do Ministério do Turismo apontam que a festa atrai todos os anos mais de 6 milhões de turistas e movimentou, apenas em 2013, R$ 5,7 bilhões em todo Brasil. De uma festa popular, ganhou status de megaevento. Tanto que pesquisadores e gestores públicos se interessam em colocá-lo na agenda mundial e a estimular a geração de emprego e renda através da sua profissionalização.

O Ministério da Cultura (Minc), em parceria com as entidades organizadas do setor, criou o projeto Cadeia Produtiva do Carnaval. O objetivo é desenvolver a formação de pessoal e a pesquisa nas três principais etapas de elaboração daquilo que se vê na avenida. A primeira delas é voltada à produção no barracão, que compreende a execução de carros e demais alegorias. A segunda é focada no ateliê, cujo valor é destinado à confecção de fantasias. O último quesito diz respeito à criação ou fomento de um Grupo Show, coletivo formado por membros da bateria, passistas e destaques que se apresenta durante os ensaios para atrair público pagante e gerar renda para a escola.

O Rio Grande do Sul foi escolhido para receber o projeto-piloto da iniciativa. Com isso, se tornou pioneiro no desenvolvimento da política pública que, em breve, deve se tornar permanente e ganhar abrangência nacional.

Uma demanda há muito tempo levantada por entidades organizadas de todo País, o projeto teve seu edital lançado em 2013. No ano passado, a Secretaria da Cultura do Estado, gestora da verba, disponibilizou R$ 3 milhões oriundos do Minc e R$ 340 mil provenientes de uma contrapartida estadual a 30 projetos contemplados – 17 em Porto Alegre e 13 no Interior.

O ex-diretor de Cidadania e Diversidade Cultural do governo gaúcho, João Pontes, envolvido diretamente com a Cadeia Produtiva do Carnaval durante os dois anos de execução (2013/14), destaca que a meta é expor o potencial da manifestação artística enquanto gerador de renda. “As pessoas pensam que, quando o Estado investe no Carnaval, ele está fazendo um favor, mas não é. Para começar, é um direito social básico, então estamos falando de cidadania”, defende. Além disso, diz Pontes, o trata-se de uma manifestação historicamente invisibilizada no Rio Grande do Sul, mesmo em que pese o desfile de Porto Alegre ocupar o terceiro maior do País em termos de público e audiência nas transmissões.

Desenvolver ainda mais o já rentável e grande Carnaval brasileiro, salienta o especialista em Economia da Cultura Luiz Carlos Prestes Filho, pode ser uma maneira de dinamizar a economia nacional. Segundo Prestes Filho, a manifestação popular pode e deve ser melhor explorada tanto pelas empresas privadas quanto públicas para aumentar seu potencial de produção de riquezas.
“O Brasil investiu fortemente na Copa do Mundo e está investindo nos Jogos Olímpicos de 2016, porém, ainda olha muito pouco para a festa popular”, reflete o pesquisador, ao lembrar que a festividade traz um retorno financeiro muito superior ao obtido no Mundial de futebol, por exemplo.

Cadeia produtiva valoriza elementos autênticos do Carnaval gaúcho

Investir na festa realizada no Rio Grande do Sul significa movimentar a economia sem perder de vista os elementos autênticos da cultura de matriz africana que resistiram à chegada de influências de outros lugares. O empoderamento comunitário e a garantia de certa independência dos interesses empresariais podem, estimam os especialistas, evitar a chamada “carioquização” dos desfiles.

O tambor de sopapo e a figura da porta estandarte são dois grandes exemplos apontados pelos especialistas de resistência e originalidade que estiveram, inclusive, ameaçados de extinção. O especialista em Economia do Carnaval, Luiz Carlos Prestes Filho, defende que “estimular um dos carnavais mais negros do Brasil é uma devolução social”.

O presidente da Superliga Estadual do Carnaval Jorge Sodré complementa que o incremento financeiro através do projeto do Minc foi importante especialmente para as instituições do interior. “Essa iniciativa com certeza foi importante”, diz Sodré, “mas ainda há uma grande preocupação em envolver pessoal capacitado para colocar o bloco na rua”.

Preocupada com a sustentabilidade do carnaval gaúcho e com a finalização, este ano, do convênio com a União, a entidade elaborou o projeto O Samba Não Pode Parar. O objetivo é realizar oficinas itinerantes em diferentes municípios “ao estilo Pronatec, com profissionais experientes interessados em repassar seus saberes”.

Aprovado para captação via Lei Rouanet, o projeto, entretanto, segue engavetado. O presidente da superliga diz que ainda existe certo preconceito com tudo que diz respeito ao Carnaval. “O empresário e os administradores têm que rever o conceito de Carnaval o ano todo”.

Ainda não há um estudo definitivo sobre o quanto é gerado em renda e movimentado indiretamente em serviços e comércio em âmbito estadual durante a festa. Isso, dizem os gestores, atrapalha a captação de recursos. A expectativa, informa o tesoureiro da Estado Maior da Restinga Sandro Santos, é que as pesquisas nacionais incluindo Porto Alegre iniciem este ano, com a inclusão de representantes locais no Grupo de Trabalho do Programa Nacional da Cadeia do Carnaval, vinculado ao Minc.

Desfiles de 2015 levam para a avenida os primeiros resultados do projeto

MARCO QUINTANA/JC

Silva comemora o interesse de crianças e adolescentes pelo evento

O desfile do grupo especial de Porto Alegre e das 13 apresentações do Interior, que vão de Guaíba a Santana do Livramento permite conferir de perto os efeitos do aporte financeiro na produção de quem faz e vive o Carnaval.

De tudo que a Associação Beneficente e Cultural Unidos do Guajuviras levou para a avenida, uma parte significativa foi fruto do valor recebido através do projeto de desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Carnaval.

A escola foi contemplada com R$ 120 mil para a execução de cada um dos três projetos aprovados: Grupo Show Guajuviras, Barracão Guajuviras e Guajuviras Atelier de Fantasias.

Ao todo, 130 pessoas da comunidade receberam formação durante todo o ano passado devido ao estímulo, o que aumentou o envolvimento da comunidade e gerou renda para o caixa da escola e para a captação de novos investidores. Márcio Rodrigues, vice-presidente da escola que representa o bairro homônimo de Canoas, comenta que “um Grupo Show consolidado atraiu mais gente à quadra durante os ensaios, quando são cobrados ingressos”, indispensáveis para o sustento da entidade.

Um dos fundadores da Unidos do Guajuviras 25 anos atrás, Noé Oliveira da Silva é serralheiro e, aos 65 anos, nem pensa em abandonar o trabalho no barracão. Silva comemora o bom tempo e o interesse das crianças e jovens pelo Carnaval. “Assim, eu consigo passar tudo o que sei para garantir que o show vai continuar. A nossa cultura é a época do Carnaval. É isso que a gente gosta de fazer”, confessa.

Investimentos estimulam regularização das agremiações

As exigências legais atreladas à concorrência em editais públicos têm estimulado as escolas a se regularizarem. “A primeira política pública voltada especificamente ao Carnaval inaugurou uma nova forma de encará-lo, indo além do espetáculo”, diz o tesoureiro da Estado Maior da Restinga, Sandro Santos, que foi coordenador de Culturas Populares da Secretaria da Cultura (Sedac/RS).

Carregando uma pasta com a “papelada da prestação de contas”, o presidente da Unidos de Vila Isabel, Cléber Tavares, adverte que o sistema é um tanto perverso. “As contas dificilmente fecham e, independentemente do caixa, o desfile precisa sair”, afirma.

Em janeiro, as escolas têm de prever tudo que será apresentado na avenida. Esse planejamento é entregue aos jurados, e a agremiação é avaliada de acordo com a projeção. “A escola de samba oferece um produto cultural com dia e hora para ser entregue. Ao mesmo tempo, temos que lidar com variáveis incontroláveis, como o recorrente atraso no envio de verbas”, sintetiza.

Devido à falta de regularização, muitas agremiações não puderam participar do edital. Outras tantas deram um jeitinho brasileiro. A solidariedade dos barracões extrapolou o Porto Seco e as escolas fizeram projetos em conjunto. Estima-se que quase o dobro de escolas tenham usufruído das atividades de formação.

Na Academia Samba Puro, da Vila Maria da Conceição, na zona Leste da Capital, 500 fantasias distribuídas gratuitamente à comunidade foram confeccionadas pelas 30 pessoas que participaram da oficina de costura, feita em parceria com a escola de samba Imperatriz Leopoldense, de São Leopoldo,. A costureira Lucimara Costa foi a responsável por repassar a homens e mulheres da comunidade um pouco do que sabe. O projeto possibilitou o pagamento do seu salário e a compra de material.

O presidente da entidade, Mário Jeferson Pinheiro, diz que a opção por aplicar o recurso em fantasias para a comunidade surgiu exatamente para investir “naqueles que são o coração da escola de samba: as alas das baianas, da comunidade, das crianças e bateria”. Para os próximos anos, ele pretende estar com a documentação em dia para obter novos investimentos tamanha importância do projeto para a realização do Carnaval deste ano.

Porto Alegre aposta no samba para fomentar o turismo

As escolas de samba de Porto Alegre tiveram, nos últimos anos, a concretização de desejos importantes à sua profissionalização, principalmente na área de infraestrutura, como com a realização do Porto Seco, situado na zona Norte. Ao todo, são 27 entidades com ações durante o ano todo e que, segundo dados da prefeitura, empregam em torno de 8 mil pessoas (diretamente e indiretamente) anualmente. Apesar de não contar com uma diretriz consolidada dos investimentos a serem feitos no evento, o Executivo municipal é responsável pelo pagamento de um cachê a cada uma das escolas que desfilam, em esquema semelhante à contratação de um show, por exemplo, e à disponibilização de pessoal para trabalhar nos dias de apresentação.

Para o prefeito José Fortunati, o Carnaval de Porto Alegre tem uma consistência muito grande e vem se consolidando como um dos atrativos da cidade nos últimos anos. Além das evoluções nos desfiles de escolas de samba, o resgate do Carnaval de rua também é uma das grandes apostas para manter os moradores e atrair turistas. “Tenho plena convicção de que essa festa vai ajudar a nos tornar um polo turístico”, projeta Fortunati.

Especialista em Economia do Carnaval, Luiz Carlos Prestes Filho ressalta que, para isso, é preciso que “os gestores locais, tanto públicos quanto privados, utilizem os projetos para potencializar o Carnaval do ponto de vista econômico” e para que a comunidade do carnaval possa realmente viver dele.

Autor do livro Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval, publicado pela editora e-Papers, no qual investigou do surgimento da festa até a atualidade, Prestes Filho salienta que todo tipo de pesquisa em torno da Economia da Cultura e, mais especificamente do Carnaval, é muito recente. O cenário, contudo, é cheio de potencial. “O primeiro estudo que olha realmente para o Carnaval tendo em vista seu potencial econômico data de 1998 e foi feito pelo economista Carlos Lessa. É tudo recente. Assim como em outros setores da economia nacional, fica claro que temos muito a amadurecer”, complementa.

Para desenvolver outros aspectos da cadeia, o Ministério da Ciência e Tecnologia iniciou uma pesquisa para estimular também a produção dos insumos usados na festa, como tecidos, penas e demais artigos. Atualmente, a maior parte deles são importados.

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