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ARTES VISUAIS Notícia da edição impressa de 30/01/2015

Danúbio Gonçalves, o último de Bagé

Leonel Mittmann

MARCO QUINTANA/JC
Danúbio Gonçalves comemora nesta sexta-feira 90 anos
Danúbio Gonçalves comemora nesta sexta-feira 90 anos

Apesar de, nos últimos anos, a bengala ter substituído o pincel, o lápis e a tinta, ao longo dos 90 anos - completados neste 30 de janeiro -, Danúbio Gonçalves se consagrou como um dos artistas mais importantes do Estado e consolidou um nome que se autossustenta. Hoje, mesmo doente, ele não se deixar abater. Boa parte do que pensou e criou deixou registrado em livros e na memória dos amigos. O último dos Quatro de Bagé ainda sonha com uma fundação homônima (há uma placa instalada na fachada de sua casa) e quer mostrar, mais uma vez, sua arte ao público em nova exposição até o fim deste ano.

Nascido em Bagé, no ano de 1925, Danúbio, desde cedo, se envolveu com desenho, sendo a caricatura sua primeira atividade profissional artística. Aos 10 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, lugar onde morou por 14 anos. Ele iniciou os estudos das artes em 1943, com Candido Portinari. Frequentou o atelier do paisagista e pintor Roberto Burle Marx e do escultor August Zamoyski. Também estudou na Fundação Getúlio Vargas, com Carlos Oswald, Axl Leskoschek e Tomás Santa Rosa Júnior. Nessa época, sua formação foi intensamente aprimorada: além das aulas, Danúbio começou a participar de exposições coletivas e se articulou nesse meio com importantes pessoas. No final da década de 1940, ele viajou a Paris e estudou na Academia Julian. 

Surgem desse contato com a produção antiga europeia obras ligadas ao realismo, junto de uma preocupação humanista e crítica social, em um discurso em que a arte deve estar socialmente engajada, exemplo disso é a famosa série de xilogravuras Xarqueadas e Mineiros do Butiá. Dos anos 1950, percebe-se ainda em sua produção temáticas sulistas, que retratam o gaúcho e o interior campeiro. Na passagem para os anos 1960, houve uma transição da antiga linguagem para algo menos partidário, sendo a pintura a técnica privilegiada, em decorrência da gravura, preferência de então. Temas rurais, ligados ao sítio, entram em cena e isso se materializada em figuras geometrizadas. É nesse momento que o artista começa a se desprender da forma e o resultado são traços, linhas soltas e manchas que, inicialmente com ares campesinos, vão se aproximando do abstracionismo. 

Depois de um tempo sem pintar, a partir da década de 1970, o artista mergulhou em trabalhos que revelam fortes inclinações abstratas e influência da pop art, e expressam questões das mazelas urbanas. Os meios de comunicação de massa, a robotização dos sentidos, a censura, drogas, violência e banalização do pensamento serão denunciados em telas, muitas com teor irônico e cômico. 

As obras dos anos 1980 e 1990 expõem críticas ácidas, sarcasmos, explosão de cores, colagens e muito erotismo. Surgem tanto uma mulher coberta de burcas, da série Marrocos, quanto outras completamente nuas, em posições sexuais, sozinhas ou acompanhadas. Balonistas de Torres são retratados em uma profusão cromática demonstrando o prazer de viver. 

Uma das maiores contribuições de Danúbio ocorreu em sala de aula como professor – atividade exercida por ele nos anos 1960 e 1970. Ele foi docente de Gravura no Instituto de Artes da Ufrgs e de Litografia no Atelier Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, instituição que acabou dirigindo e tinha, na época, tanta importância quanto a da universidade. O artista e professor do Atelier Livre Wilson Cavalcanti, que foi aluno e trabalhou com Danúbio, lembra das reuniões de sexta-feira após as aulas, nas quais aconteciam discussões filosóficas, jantas e bastante produção. “Acho que foi o momento áureo do Atelier Livre, que tinha um formato de ateliê e não de escola, como é hoje.” Cavalcanti relembra, ainda, que Danúbio presava muito a técnica, o compromisso e as reflexões acerca da arte.

Grupo da Campanha

Também conhecido como “Os quatro de Bagé” ou “Os guris de Bagé”, o quarteto de artistas foi inicialmente formado por Glauco Rodrigues, Glênio Bianchetti, Jacy Maraschin e Ernesto Wayne. No entanto, ficaram mais conhecidos como membros Danúbio Gonçalves, Carlos Scliar, Rodrigues e Bianchetti. Concebido em Bagé, mas também atuante em Porto Alegre, o grupo tinha como objetivo atualizar a arte do Rio Grande do Sul através de conhecimento técnico, cultural e teórico, tendo como motor a obra poética de Pedro Wayne. 

Da primeira mostra, em outubro de 1948, surgiu o nome, batizado pelo crítico Clóvis Assunção. Faziam uma abordagem social, defendendo a popularização da arte por meio de obras ligadas ao estilo figurativo realista com inclinação ao expressionismo. “O Grupo de Bagé trabalhava com gravura, até porque havia uma questão política social muito forte. Eles eram ligados ao partido comunista e isso era um meio de fazer a arte circular num universo mais amplo, em um caráter de democratização da arte”, explica o professor e historiador Paulo Gomes.

Danúbio Gonçalves, mesmo com a possibilidade de ter feito carreira em outro estado, sempre voltou às origens, sendo reconhecido como um dos mais destacados gravadores do País. “Ele tinha a capacidade de juntar pessoas ao seu redor. Incentivou muito a geração de 1968 e 1970. Gente de outros estados vinha trabalhar com ele”, recorda o também artista e amigo, Britto Velho. 


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