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AGRONEGÓCIOS Notícia da edição impressa de 18/09/2014

Competitividade da cadeia leiteira é tema de simpósio

País tem potencial de elevar eficiência para alcançar mercado externo

Marina Schmidt

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Brasil possui uma das produtividades de leite mais baixas por vaca, pelos dados estatísticos da FAO
Brasil possui uma das produtividades de leite mais baixas por vaca, pelos dados estatísticos da FAO

Com consumo interno estável, sem margens para grandes saltos, e possibilidade de elevar a produção, a cadeia leiteira brasileira vislumbra alcançar, em pouco tempo, o mercado internacional. Embora o Brasil seja o quarto país produtor de leite no mundo, de acordo com estatísticas de 2011 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), tem uma das produtividades mais baixas por vaca. São 1.381 litros por vaca ao ano, número muito abaixo dos 9.678 litros anuais nos Estados Unidos, primeiro país em produção total, e dos 7.236 litros por ano na Alemanha, que detém a 6ª maior produção.

A discrepância elevada entre os países pode ser justificada pelos diferentes sistemas de produção adotados – alguns deles, mesmo que não sejam os mais produtivos, são mais eficientes –, explica o diretor executivo da AgriPoint, Marcelo Pereira de Carvalho. Ainda assim, os números mostram que há um potencial grande a ser explorado pelos produtores brasileiros. “Outra possibilidade para expandir a produção é elevar a produtividade por área, que no Brasil ainda é baixa perto da capacidade nacional”, diz.

Em contrapartida, o consumo interno está em um patamar estável. O recomendado pela Organização Mundial da Saúde é que cada habitante consuma 175 litros de leite e derivados por ano, e os brasileiros já consomem, em média, 170 litros anualmente. Observando potencial de crescimento e mercado interno, é possível constatar que em um horizonte não tão distante, a produção pode suplantar as exportações. E é para essa vertente que o Simpósio Internacional sobre Produção Competitiva do Leite da Região Sul (Interleite Sul) 2014, promovido pela consultoria AgriPoint e o MilkPoint, se volta.

O evento ocorre em Passo Fundo nos dias 23 e 24 de setembro, com parte da programação debatendo o cenário internacional. “Os mercados estão cada vez mais conectados e as barreiras têm diminuído para o comércio. O problema é que, no Brasil, ficamos muito tempo isolados, porque o foco nas últimas duas décadas foi o mercado interno, inclusive por conta do aumento da renda”, pontua Carvalho. O diretor executivo da AgriPoint salienta que a cadeia leiteira do Brasil ingressa, agora, numa segunda etapa, em busca de competitividade internacional. “Essa é uma agenda de médio e longo prazo, que engloba custos, qualidade e ambiente de negócios”, sustenta.

Carvalho ressalta que o Brasil tem sido bastante observado pelo mercado internacional pelo potencial que oferece. Essa atenção justifica o interesse de empresas de fora querendo se instalar no País. Exemplo recente desse interesse é a aquisição de ativos BRF pelo grupo francês Lactalis no início deste mês. “Essas empresas são oriundas de mercados que estão crescendo pouco e que precisam buscar mercados emergentes, e entre os que mais cresceram está o Brasil”, justifica.

O diretor da AgriPoint considera natural que o País seja almejado por grandes empresas do setor. “Nossa cadeia leiteira é dominada por empresas de pequeno porte. Embora sejamos um dos maiores produtores de lei, não temos nenhuma empresa láctea entre as 20 maiores do mundo”, argumenta, reforçando a importância em observar as oportunidades que o segmento oferece.

Exemplos de fora e intercâmbio com outros países produtores estão previstos para o Interleite Sul 2014. No dia 23, por exemplo, ocorre o painel Ampliando o mercado de lácteos através da organização setorial – o que podemos aprender com o exemplo e a atuação da Dairy Management Inc, nos Estados Unidos. No mesmo dia, outra palestra debate a competitividade dos países do Cone Sul, apresentando perspectivas futuras para o setor. No dia seguinte, serão debatidos, entre outros assuntos, manejo e qualidade. Toda a programação está disponível no site www.interleite.com.br/sul, onde também podem ser realizadas as inscrições para o simpósio.  

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