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literatura Notícia da edição impressa de 27/08/2014

Escritores decretam: a literatura morreu

Priscila Pasko

CLAUDIO ETGES/DIVULGAÇÃO/JC
Show literário de Mario Pirata, Jorge Rein e Júlio Zanotta inaugura novo selo
Show literário de Mario Pirata, Jorge Rein e Júlio Zanotta inaugura novo selo

É com pesar que o novo selo a ser lançado em Porto Alegre, o Scriptorium de investigação para o assassinato da literatura, informa que a citada ciência morreu. Entre os motivos: “insuficiência estilística, câncer no repertório, problemas com vínculos editoriais, sinais de envenenamento nas relações da vítima com o fluxo de consciência e monólogo interior”.

Para tentar ressuscitar a literatura, ou compreender o crime, três autores lançam suas respectivas obras pelo supracitado selo hoje, em um show literário, no Café Fon Fon (Vieira de Castro, 22), às 20h: Ventonaveia, de Mario Pirata, A ninfa dragão, de Júlio Zanotta, e The quick brown fox jumps over the lazy dog (a veloz raposa castanha salta por cima do cachorro lerdo), de Jorge Rein. Na ocasião, além de os escritores lerem fragmentos de suas obras, acontece uma jazz session com Luizinho Santos e Béthy Krieger.

Na opinião de Rein, a literatura morreu diversas vezes. “Paulo Coelho também já falou nessa morte, se bem que ele não assumiu a responsabilidade”, adverte, em tom de brincadeira. O contista, dramaturgo e tradutor uruguaio explica que o projeto procura mostrar, cada um à sua maneira, o seu perfil marginal na literatura.

Zanotta destaca que, há muitos anos, o Rio Grande do Sul não discute publicamente uma reformulação na literatura. “(Nós três) chegamos à conclusão de que precisamos sacudir as coisas do campo literário”, diz o escritor. “Não há uma proposta ousada que rompa os segmentos tradicionais e ofereça uma possibilidade de renovação na própria sintaxe, na perspectiva da literatura”, conclui.

O objetivo é levar o projeto adiante, divulgando-o pelo Brasil, como explica Pirata. “Pretendemos sair do Estado com estes trabalhos. É difícil os autores saírem daqui”, observa, “existe um mercado interno que mais parece um CTG. (O Scriptorium) não é uma literatura do Sul, muito menos gauchesca”.

O nome em latim do selo (“que não é uma editora”, ressalta Pirata), Scriptorium, remonta aos primeiros monges copistas medievais, que teriam salvado a cultura grega copiando os grandes clássicos, como Aristóteles ou Platão. A intenção é unir tradição e inovação. “Mas não podemos esquecer que um dos papéis do escritor, do verdadeiro escritor, é trabalhar para criar novas formas de expressão. Não devemos ficar atados a padrões já conhecidos e manjados”, adverte Zanotta. Rein explica que a intenção dos escritores é a de romper com a tradição acadêmica, dar o pontapé inicial, já que certos escritores não encontram espaço nas editoras tradicionais - ainda que haja trabalhos inovadores interessantes circulando.

Quanto às obras que lançam o selo, em The quick brown fox jumps over the lazy dog, Rein escreve uma espécie de fábula amoral. Conta com uma narrativa segmentada, que não se submete ao padrão tradicional de linearidade. Seus capítulos podem ser comparados às peças embaralhadas de um mosaico.

Já em a Ninfa dragão, Zanotta usa palavras extraídas de outras ciências, como expressões da física, da matemática avançada, da astrologia e da genética. “Faço isso mais pela sonoridade, sem me preocupar com o significado”, conta o escritor. O livro, ilustrado por Pena Cabreira, é uma novela de metaficção científica, que conta com um extraterrestre minúsculo que penetra na atmosfera da Terra, um cientista ancião rejuvenescido que replicou vários artistas famosos do passado e a Ninfa Dragão, uma maravilha genética. No texto, foram eliminados sinais gramaticais, pontos ou vírgulas “Quando você encontra um bloco de palavras extravagantes, isso serve para alguma coisa, nem que seja para jogar o livro no lixo”, brinca.

Por sua vez, em Ventonaveia, Pirata reúne 101 poemas inéditos. Ele retorna à poesia para adultos com este livro, depois de publicar para crianças e jovens durante alguns anos. Inicia justificando o título (fazer poema é tocar flauta/ para um pássaro pousado/dentro do peito, o bater/de asas virá, não tem jeito/o que tinha de ser, de acontecer, está feito) e encerra com um epitáfio.

Onde morrem os escritores

Entre os motivos que teriam levado a literatura à morte, na opinião dos três, está a chamada “literatura funcional”. “Há muitos autores novos, mas, em geral, estão nesta linha de ‘conquistar novos leitores, de quererem atingir um público’”. Contudo, Júlio Zanotta alerta que não se trata apenas disso. Ele diz que os jovens têm potencial revolucionário, mas, por outro lado, ficam amarrados a preocupações que têm muito mais a ver com exigências das editoras. “O editor dita o que quer e o jovem aceita esta literatura menos comprometida com a mudança.”

Outro espaço visto com certa desconfiança pelos escritores que criaram o selo Scriptorium de investigação para o assassinato da literatura são as oficinas literárias, bastante difundidas. Rein acredita que tais iniciativas são “importantíssimas” e que há talentos que, de qualquer forma, se destacariam. “O problema é que, se alguém poderia se destacar por ser original e diferente, acaba coibindo isso, resultando em uma literatura pasteurizada. Uma oficina mata um escritor”, opina.

Indagado se existe chance de a literatura ressuscitar, Mario Pirata arrisca um palpite. “Se a gente conseguir dar uma maquiada, pintar a defunta e torná-la sedutora para alguém, já está mais do que bom. Talvez tenha alguém no mundo interessado em uma moça chamada literatura”.

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