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Cinema Hélio Nascimento
hr.nascimento@yahoo.com.br

Cinema

Coluna publicada em 22/08/2014

Fatos e versões

Jorge Furtado, o realizador de O mercado de notícias, sempre foi um interessado nas possibilidades da mescla de estilos e gêneros em praticamente todos os seus trabalhos, principalmente aqueles de curta duração. Não é a primeira vez que ele próprio aparece em cena orientando intérpretes. Em O sanduíche, realizado em 2000, ele surgia encerrando a narrativa entrevistando um assistente de uma filmagem e reclamando que não era a resposta ensaiada. De repente, no final da narrativa, a ficção era surpreendentemente revelada naquilo que parecia ser uma entrevista, mas, na verdade, era algo antes preparado e revelado pelo próprio autor. Seu filme anterior, Saneamento básico, o filme dentro do filme, de certa maneira, dava prosseguimento a esta tendência. Ilha das Flores, seu trabalho mais famoso, trazia imagens de várias origens para ilustrar e clarificar algumas cenas. Quase sempre foi assim, elementos externos e linhas paralelas servindo para ilustrar ou esclarecer o ponto de vista do realizador sobre o tema desenvolvido. O homem que copiava, até no título, era outra narrativa na qual a ficção, substituída por algo que não era verdadeiro, se mesclava ao real.

Seu novo filme começa com os preparativos da encenação de uma peça escrita pelo inglês Ben Jonson (1573-1637), que, em 1941, teve uma de suas obras, Volpone, levada ao cinema por Maurice Tourner, filme este exibido aqui pelo cinema Palermo, graças ao patrocínio do Clube de Cinema de Porto Alegre. O autor da peça na qual o filme de Furtado se inspira era um cultor da sátira e da irreverência e em tal obra ele, que também foi um dos primeiros jornalistas, e portanto conhecedor do cenário, procurou investigar e levar ao público temas que não eram do conhecimento dos primeiros leitores de jornais. Procurou os bastidores do teatro e não o espetáculo acompanhado pelos consumidores de notícias. Furtado começa seu filme apresentando à peça a seus atores e também aos espectadores. Estamos, portanto, desde o prólogo no universo tão apreciado pelo cineasta. Mas o filme não é apenas uma versão livre da peça. Inova na medida em que se transforma num documentário sobre jornalismo, através de entrevistas com profissionais do ramo, uns de jornais, outros de sites e de televisão. Há, portanto, três níveis: a preparação de uma peça, sua encenação e vários depoimentos sobre uma atividade que o autor inglês aborda e critica.

A proposta é das mais interessantes, mas talvez fosse ainda mais estimulante se ampliasse a crítica ao pauperismo que domina a quase totalidade da chamada televisão aberta, realmente constrangedora em muitos momentos, como se a intenção fosse realmente a, de cada vez mais, baixar o nível da informação. Por outro lado, não deixa de ser divertido - inclusive para a maioria dos entrevistados - acompanhar a história relacionada a uma reprodução de um quadro de Picasso, apontada por um jornal como obra original e colocada numa repartição pública. Um dos entrevistados, ao saber que aquela reprodução havia sido adquirida pelo governo em troca de uma dívida, reclama, com razão, por ter sido lesado como contribuinte e cidadão. Nesta sequência aparece outra vez o tema do falso e do verdadeiro, que parece ser o que mais interessa ao diretor. Não há dúvida que estamos diante de uma obra de autor. Ao lembrar que o desmentido da matéria mereceu apenas numa pequena nota, praticamente na mesma proporção daquele publicado sobre falsidades antes divulgadas sobre a Escola Base, o realizador é duro com os responsáveis pela exploração de inverdades. O filme poderia ser acusado de certa parcialidade partidária, mas Furtado escapa de ser alvo de tal crítica ao permitir em alguns momentos manifestações que terminam levando o filme a um ponto de equilíbrio. Permanece, no entanto, um toque sombrio e um certo pessimismo sobre o futuro da imprensa, para o diretor ameaçada não apenas pelos erros e omissões, pois também é realçado o perigo representado pelos novos meios de comunicação. De qualquer maneira, o novo filme de Jorge Furtado é outro documentário a ser prestigiado numa fase em que tal gênero tem se destacado em nossa cinematografia.

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