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música Notícia da edição impressa de 23/04/2014

Bebeto Alves, autobiográfico

Priscila Pasko

JONATHAN HECKLER/JC
Bebeto Alves se apresenta hoje no projeto Milaonga nova do StudioClio
Bebeto Alves se apresenta hoje no projeto Milaonga nova do StudioClio

Para conhecer a trajetória profissional de Bebeto Alves basta estar ciente de sua discografia, pois é ali que a vida e a crítica do compositor ao mercado musical estão presentes. “Sou autobiográfico. É um papel que precisa ser cumprido. Mas eu poderia estar fazendo simplesmente mais uma canção para tocar no rádio”, brinca ele, ao fazer uma analogia com a música Mais uma canção, que critica o universo das rádios FMs.

Bebeto apresenta o show Milonga nova hoje no StudioClio (José do Patrocínio, 698), às 21h. Ele sobe ao palco ao lado do Black Bagual Nego Véio, grupo composto por Marcelo Corsetti (guitarra), Luke Faro (bateria) e Rodrigo Reinheimer (baixo) - uma parceria que já dura 10 anos. Como convidados especiais, participam da festa Oly Jr, que mistura milonga e blues, e Cocaine Bluesman. No repertório, músicas de diversos discos milongueiros de Bebeto. Ingressos entre R$ 40,00 e R$ 70,00. 

O show, na verdade, é um projeto-piloto do StudioClio. A intenção é que seja promovida uma apresentação mensal que tenha como foco a milonga. “Vamos transformar o local em um bar, e abrir espaço entre as mesas para dançar”, conta, empolgado, Bebeto, que também será o anfitrião das próximas edições. Ele explica que, em Buenos Aires, tem-se o costume de dançar a milonga, ao contrário do Rio Grande do Sul, que a trata como um estilo mais introspectivo e melancólico. 

Aliás, há muito tempo Bebeto trabalha com a milonga através de uma textura pop, mas foi adiante. O cantor fez uma investigação sobre a cena musical de Porto Alegre e sobre a origem da cultura da fronteira do Estado, por meio da influência espanhola. Ele foi, em 2010, até Marrocos, Andaluzia e Portugal na tentativa de “encontrar algum eco” presente em sua música. O resultado da expedição foi registrada no documentário Mais uma canção, de Rene Goya e Alexandre Derlam - filme que será exibido em 30 de abril no StudioClio, às 16h. 

O cantor acabou de lançar o CD Milonga orientao (assim mesmo, com O no final), trabalho no qual são exploradas várias vertentes do estilo, que passeia pelo samba, jazz ou rock. Seja qual for a área de atuação, Bebeto deixa marca, esteja ela no cinema ou na fotografia. “Quando busco na fotografia uma linguagem que transcende o próprio caráter da foto estou utilizando o mesmo recorte da música”, destaca ele, que já realizou diversas exposições. E ainda faz uma ressalva. “Não teria condições de fazer as coisas diferentes da forma como faço e vejo. Agora, se me referir à questão comercial, vou sempre me dar mal.” Bebeto acredita que o seu trabalho não tem apelo, que ele está voltado mais para “uma revolução pessoal”. 

Durante a entrevista, entre um tópico e outro, o cantor demonstra um inconformismo vigoroso, e não aquele lamurioso ou carregado de rancor. Bebeto conta que é de uma geração que nunca ganhou dinheiro com música, porque, antigamente, costumava-se fazer muitos shows gratuitos. “Esta história de tocar de graça na rua é legal, mas tu recebes muito pouco. E, quando vai cobrar por um espetáculo, as pessoas já te assistiram; daí não tens público”, lamenta Bebeto, lembrando que uma das lutas dos músicos é de que todo show gratuito seja bem recompensado.

Plural e audacioso

Bebeto Alves foi um dos poucos músicos com clara identidade regional a se inserir no eixo Rio-São Paulo. Entretanto, por não se enquadrar no padrão mercadológico da década de 1980, ele se retirou daquele cenário. Aqui no Estado, porém, a situação não parece muito melhor. “O mercado aqui não existe. A gente vive na informalidade, não existe indústria (fonográfica) no Rio Grande do Sul.” 

O cantor sugere que, em um cenário desses, as políticas de cultura dos governos deveriam ser imprescindíveis. Para Bebeto, o Estado tem de cumprir uma função na falta de mercado: “Ele deve ser um estímulo à formação de plateia, à produção artística, e não somente fomentar uma política de eventos”. 

Ainda em relação à ausência de mercado, ele aponta: os músicos gaúchos vivem muito mal. Bebeto enfatiza que lugares como a Bahia, Minas Gerais ou o Norte do Brasil são “mercados exuberantes”, culturalmente falando. “Lá as pessoas vivem disso. Aqui parece que as pessoas não gostam de música. Tem de ser de um tipo ou de outro. Isso é uma burrice.” 

Indagado se tal visão sofre influência de instituições como o CTG (Centro de Tradições Gaúchas), ele dispara: “Isso é um absurdo, uma anomalia da nossa cultura. Acaba com a cultura gaúcha porque quer preservar um morto”. Bebeto defende que a cultura regional seja menos purista e mais plural, que tenha um conceito mais moderno. Enquanto isso, ele vai mesclando a sua milonga com outros estilos e com a própria vida.

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