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Teatro Antônio Hohlfeldt
a_hohlfeldt@yahoo.com.br

Teatro

Coluna publicada em 11/04/2014

Acontecimento histórico

Tive a honra de participar da première verdadeiramente histórica da ópera Punch, de Christian Benvenuti, que ocorreu na última sexta feira de março, no Teatro Renascença, do Centro Municipal de Cultura. O espetáculo teve a condução orquestral do próprio compositor e a direção cênica de Alexandre Vargas, com direção coreográfica (excepcional) de Sílvia Wolff. 

Sob todos os aspectos, foi uma experiência inesquecível: a composição de Benvenuti é eminentemente contemporânea. Fragmentada, vale-se de estéticas variadas, reúne música e texto dramático, pressupõe a cena e inclui quatro solistas, um de cada naipe, que, infelizmente, não estão identificados separadamente em relação ao elenco propriamente dito. Pode-se entender o objetivo da produção, mas isso, evidentemente, dificulta a tarefa do comentário. Registre-se, pois, que os quatro intérpretes evidenciam alta qualificação vocal e comprometimento com o conceito do espetáculo de que participam. 

Quanto ao elenco propriamente dito, do mesmo modo, não existem fotografias que identifiquem cada intérprete. Na verdade, isso talvez seja o melhor, porque o que impressiona é justamente o conjunto. Este é um espetáculo em que, claramente, para cada ator-atriz envolvido, não se trata apenas de realizar um trabalho mas, de certo modo, produzir um depoimento. Não é por nada que, no final do espetáculo, quando o elenco era ovacionado, uma das atrizes desatou em choro compulsivo. Ficava evidente que, mais que uma interpretação, ela havia verdadeiramente introjetado aquilo que acabávamos de assistir. O que é simplesmente emocionante.

Todo o espetáculo está medido, pensado e cuidadosamente dirigido, quer à emoção quer à razão do espectador. Christian Benvenuti - que tem seu sobrenome como que ecoando aqueles grandes compositores renascentistas - merece atenção. Ele compõe a ópera, ele pensa a cena, ele conduz a orquestra e, evidentemente, discute com o diretor de cena a própria representação. O resultado é perfeito. Temos o conjunto do elenco e mais os quatro solistas nas laterais de cena, quando o espetáculo começa. A orquestra, ao centro, inicia a sua intervenção. Os atores ocupam a cena gradualmente. A partir daí, constrói-se uma tensão extremamente criativa: a orquestra avança lentamente, enquanto a tensão se avoluma rapidamente. O resultado é um espetáculo de cerca de duas horas de duração, em que o resultado vai-se concentrando cada vez mais, prendendo o público e levando-o, obrigatoriamente, a uma reflexão mais profunda a respeito da incongruência, da irracionalidade e da violência do nazismo.

O elenco tem um desempenho magistral: destaco, sobretudo, a questão da expressividade coreográfica, resultado evidente do trabalho de Sílvia Wolff. O elenco evidencia comprometimento com o trabalho e com o debate ali instaurado. O resultado é uma emoção contida, mas, evidentemente presente em todo o trabalho. O fato de a cena avançar criticamente até o seu final evidencia uma elevação de tensão que segue rigidamente a bela lição aristotélica da tragédia (porque a destruição nazista dos campos de concentração foi uma tragédia para a humanidade): neste sentido, foi fundamental a opção de que o elenco atue enquanto um conjunto, metáfora daquela humanidade judaica, e de outros segmentos da sociedade alemã, que foi impiedosamente dizimada e destruída pelo governo nazista. No público, havia silêncio, tensão e expectativa: quando a cena apagou, o aplauso imediato, nervoso e emocionado. 

A volta do elenco para o aplauso final evidenciou outro motivo de admiração: é um elenco jovem, certamente, de pequena experiência, mas que, graças ao preparo que experimentou durante o período da produção, deu o seu máximo e se ultrapassou. Parabéns a todos: Porto Alegre pode ter orgulho de ter sido o lugar onde tal acontecimento ocorreu.

COMENTÁRIOS
Vinicius Xavier dos Santos - 11/04/2014 - 13h27
Concordo plenamente com suas observações, pois experimentei, quando da estreia do espetáculo, a mesma emoção e tensão ao ver, de perto, com jovens atores a interpretação de uma passagem cruel mas histórica da humanidade. Parabéns a todos, especialmente ao idealizador Cristian.


Paulo Trindade -
13/04/2014 - 22h20
Um dos espetáculos mais belos que já vi. A Direção é magistral, tenho acompanhado a trajetória desse Alexandre Vargas e suas ações sempre me surpreende.

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