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HISTÓRIAS DO COMÉRCIO E DOS SERVIÇOS Notícia da edição impressa de 07/04/2014

Palmarinca estimula o mercado literário voltado para as ciências humanas

Roberta Mello

MARCOS NAGELSTEIN/JC
Rui passará o comando da loja para o filho Alexandre
Rui passará o comando da loja para o filho Alexandre

“Nove entre dez intelectuais da cidade frequentam a Livraria Palmarinca”, anuncia um texto recortado de jornal exposto na entrada da loja, em Porto Alegre. A afirmação pode parecer pretensiosa para quem não conhece a história da pequena sala, localizada no primeiro andar de um prédio baixo da rua Jerônimo Coelho, no Centro. Mas o livreiro e fundador Rui Gonçalves afirma que a estimativa é confiável e, após 42 anos, continua sendo a mesma.

Carismático e de conversa fácil, Rui parece não ter visto o tempo passar. Mantém igual interesse nas histórias compartilhadas com os jovens que visitam o local e nas conversas trocadas com os frequentadores mais tradicionais. Sente orgulho de manter a personalidade da livraria, voltada, sobretudo, para o comércio de obras de Ciências Humanas. Ao comentar sobre os episódios vividos há anos, demonstra surpresa ao contar os anos que se passaram desde então, sem saudosismo.

Inaugurada no auge da ditadura militar, em 1972, a Palmarinca representa de certa forma o pensamento de esquerda e sintetiza a resistência desde a sua concepção. Com uma ideia ousada, Rui desafiou o regime ao investir no ramo literário focando em obras que podiam ser encaradas como transgressivas no auge da ditadura militar. “Mas não sofríamos repressão ou censura. Apenas não podíamos importar livros que incitassem a formação da guerrilha urbana”, afirma.

A ideia de investir no mercado literário, conta o jornalista por formação, surgiu após o fechamento de uma grande livraria da cidade. “Eu consumia muitos livros e, assim como meus amigos, precisava de um lugar para comprar. Então decidi criar a Palmarinca e assumir o papel de trazer bons livros para Porto Alegre.” 

O nome já dava o tom do negócio. Uma fusão das palavras Palmares e Inca, o espaço sempre foi um ponto de cultura da Capital, onde se podia — e ainda pode — encontrar personalidades locais prontas para discutir os mais variados temas, de preferência voltados à política.

Entre os grandes frequentadores estão figuras como o ex-governador Olívia Dutra, o ecologista Caio Lustosa, o escritor Flávio Loureiro Chaves e o músico Claudinho Pereira, sem esquecer o contemporâneo Juremir Machado da Silva e os já falecidos Moacyr Scliar (escritor) e Tatata Pimentel (professor e jornalista) — amigo pessoal de Rui. 

Muitos deles podem ser encontrados no local aos sábados de manhã, quando um grupo de clientes e amigos se reúnem para uma conversa, que termina na churrascaria do andar térreo ou em um dos cafés do entorno. Como não podia deixar de ser, os assuntos políticos vêm à tona para acalorar os debates, mas Rui enfatiza que nunca teve problema com isso já que todos mantêm o respeito às diferentes ideologias. 

“Eu mesmo não sou de partido nenhum. Nunca pude me dedicar a fazer política porque sempre tive que cuidar da livraria, mas se tivesse que me definir politicamente hoje diria que sou um anarcoecologista”, destaca Rui. 

Relacionamento com clientes é marca ao longo dos anos

Indo contra a corrente que transformou livrarias em espaços algumas vezes mais voltados ao cafezinho solitário do que à troca de ideias, Rui conta que prefere manter a Palmarinca fora dessa moda. “Eu tenho vinhos para vender e abrir com amigos, como o meu ídolo Olívio, que às vezes toma um cálice quando vem. Mas os meus clientes chegam aqui sabendo o que buscam e interessados no atendimento personalizado. Além disso, vender cafés aqui seria injusto com os muitos cafés e padarias que temos aqui perto”, enfatiza o proprietário Rui Gonçalves.

A personalidade forte da Palmarinca, com obras de estilo bem claro, é o que garante seu sucesso. O livreiro conta que não tem nada contra as grandes livrarias e os grandes grupos editoriais, mas aposta em oferecer títulos muitas vezes difíceis de encontrar e de editoras menores. 

Mesmo apaixonado pelo seu trabalho, Rui não esconde a preocupação com a queda no número de leitores e, é claro, de compradores. “O público consumidor diminuiu. Os que continuam muito parecidos nesses 40 anos são os livros mais vendidos”, brinca Rui, falando das obras de Karl Marx e Vladimir Lenin, campeões atemporais de venda na Palmarinca.

Apesar da diminuição nas vendas, o fechamento do local não é uma possibilidade. Criado dentro da livraria, cercado por algumas das personalidades mais importantes do Estado, um dos quatro filhos de Rui, Alexandre Gonçalves, administra com o pai o projeto e descarta completamente o fato de abrir mão do local. Depois de enfrentar tempos difíceis, não há dúvida de que a Palmarinca persistirá.

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