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242 anos de porto alegre Notícia da edição impressa de 26/03/2014

Capital da tecnologia e inovação faz 242 anos

Patricia Knebel

MARCOS NAGELSTEIN/JC
Centro Integrado de Comando foi um dos projetos que despertou interesse da Fundação Rockefeller
Centro Integrado de Comando foi um dos projetos que despertou interesse da Fundação Rockefeller

Já faz tempo que Porto Alegre figura entre as cidades mais digitalizadas do País. Nos últimos anos, porém, novos projetos ganharam força e começam a catapultar a Capital gaúcha a um nível mais maduro de oferta e adoção das novas tecnologias. Comparável, para muitos, a mercados referência como os Estados Unidos e alguns países europeus.

De olho na conectividade cada vez mais perseguida pelos usuários, já são 14 pontos de Wi-Fi gratuitos espalhados pela cidade. Isso sem falar nas 830 câmeras para videomonitoramento. Escolas e hospitais públicos estão interligados a um centro de comando integrado que acompanha o dia a dia da cidade em tempo real.

A essas iniciativas se somam o projeto de abertura de dados públicos, a criação da Lei Municipal de Inovação e a parceria com empresas e instituições internacionais, como a Fundação Rockfeller. “Porto Alegre está no caminho para se tornar uma referência cada vez mais sólida em inovação e tecnologia. Estamos constantemente buscando referências em todas as partes do mundo, trazendo a população para colaborar e, assim, implantando projetos importantes para a cidade”, aponta a secretaria municipal de Inovação e Tecnologia, a InovaPOA, Deborah Pilla Villela.

A participação em projetos interacionais tem contribuído para essa modernização. No ano passado, a cidade foi uma das 31 no mundo a vencer o Smarter Cities Challenge da IBM. Por isso, tem recebido o apoio de consultores da multinacional para produzir gratuitamente um software que vai apoiar a criação de um sistema para auxiliar a tomada de decisões sobre obras do Orçamento Participativo.

Recentemente, foi uma das 33 selecionadas mundialmente no Desafio Centenário das 100 Cidades Resilientes, promovido pela Fundação Rockefeller. A premiação coloca a capital gaúcha entre as mais preparadas para voltar à normalidade após a ocorrência de algum desastre natural e entre as melhores equipadas para a superação de tragédias coletivas.

A instituição norte-americana vai investir US$ 100 milhões nos próximos três anos no desenvolvimento da construção de resiliência nos centros urbanos das cidades vencedoras – foram 600 concorrentes e Porto Alegre e Rio de Janeiro foram as duas únicas brasileiras selecionadas.

Na defesa da candidatura da Capital gaúcha, foram destacadas quatro iniciativas: o Programa Integrado Socioambiental (Pisa), o Observatório da Cidade de Porto Alegre (ObservaPoa), o Laboratório de Inteligência do Ambiente Urbano (Liau) e o Centro Integrado de Comando (Ceic). “Um grupo de técnicos da Fundação Rockfeller está analisando as nossas principais zonas de risco, e dessa forma mais propensas a alagamentos, como as regiões das ilhas, para buscarmos juntos soluções”, comenta Deborah. Os recursos que serão destinados para cada município só serão definidos após este trabalho. O projeto envolveu o Gabinete de Inovação e Tecnologia (InovaPOA), a Secretaria de Governança Local e a Defesa Civil, o Centro de Inteligência de Porto Alegre e o geógrafo e professor Masato Kobiyama.

O InovaPOA tem trabalhado especialmente na construção de políticas públicas voltadas para esse tema. Um dos resultados mais importantes desse trabalho é a Lei Municipal de Inovação, sancionada no início do ano pelo prefeito José Fortunati. O momento agora é o de regulamentação. “Estamos trabalhando com incentivos fiscais e tributários e com a criação de um Fundo Municipal, que vai nos permitir buscar recursos de forma mais rápida”, observa Deborah.

Bits e Fisl trazem nomes internacionais para a Capital


Business IT South America deve reunir, em maio desse ano, aproximadamente
200 expositores na Fiergs | MARCO QUINTANA/JC


Também é aqui, na capital gaúcha, que acontecem dois dos mais importantes eventos de tecnologia da América do Sul. Um deles é o Fórum Internacional Software Livre (Fisl), que cada vez mais identifica a imagem da cidade gaúcha com a cultura do movimento do software livre. O evento acontece desde o ano 2000 e é uma oportunidade para a comunidade de usuários do software livre interagir com a academia, profissionais, empresas, investidores, governos e sociedade civil. Em 2014, a 14ª edição do evento acontece em julho, no Centro de Eventos da Pucrs.

O outro evento é a Business IT South America (Bits), que, em maio desse ano, deve reunir aproximadamente 200 expositores de mais de 20 países no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre. O evento é uma versão regional da Cebit, maior feira de tecnologia do mundo,  que, depois de muita negociação, passou a acontecer na capital gaúcha. Essa próxima será a quarta edição. O evento desse ano contará com um pavilhão de exposição e atividades paralelas como o Global Conferences, congresso internacional de debate das tendências do mercado, e o Business Matchmaking, rodadas de negócios.

Internet gratuita na cidade é ação estratégica

A disponibilização de internet em diversos pontos da cidade é outro projeto estratégico para Porto Alegre. Atualmente, 14 pontos possuem hotspots com acesso Wi-Fi, como Redenção, Parcão e Mercado Público. Nem sempre a qualidade é a esperada dos usuários, por isso, a Procempa pretende melhorá-la onde a tecnologia já é oferecida – há consciência de que os pontos de rádios são insuficientes.

Além disso, a meta é acrescentar 18 novos, chegando a 32 no total. Entre os locais que receberão infraestrutura Wi-Fi estão a Praça da Encol, calçadão de Ipanema e Praça Parobé. No total, estão sendo destinados R$ 1,8 milhão para esse projeto. “Estamos fazendo um investimento público alto, mas, para o momento do País, acreditamos que a inclusão digital ainda precisa ser subsidiada, em parte, pelo poder público”, diz o diretor-presidente da Procempa, Maurício Cunha. Segundo ele, toda essa infraestrutura coloca Porto Alegre em um nível mais avançado que muitos países europeus, onde são poucos os pontos com acesso gratuito à web oferecidos para as pessoas.

Outro ponto importante é a implantação de novas câmeras de videomonitoramento. Hoje são pouco mais de 800, mas a meta é chegar a 1,9 mil até o final do ano. Ruas, praças, parques, escolas, prédios e hospitais públicos estão monitorados.

Tudo isso é feito com tecnologias da Procempa. As imagens são disponibilizadas por videowall no Centro Integrado de Comando de Porto Alegre (Ceic). Lá, representantes de diversos órgãos, como EPTC, Polícia Civil, DMLU e Defesa Civil acompanham tudo que acontece na cidade e, a partir dessas informações, podem tomar medidas preventivas.

Cunha comenta que todos esses dados trafegam em cima da rede construída pela Procempa ao longo dos anos. “Essa malha de fibra ótica, extensa e de grande capacidade, é um dos diferenciais da cidade”, comenta o presidente da Procempa. A estimativa é que a infovia tenha cerca de 900 km.

Com tradição em participação popular, open data avança em ritmo acelerado

Porto Alegre está avançando no projeto de abertura de dados governamentais. A ideia foi importada, especialmente, de Nova Iorque e São Francisco, e se transformou no projeto #DataPOA. No primeiro trimestre desse ano, o prefeito José Fortunati assinou um decreto que tornou o open data uma política pública permanente em Porto Alegre.

Diversos dados relativos à mobilidade, turismo, abastecimento de água, saúde e orçamento participativo podem ser acessados no site www.datapoa.com.br. O exemplo são as informações climáticas. Através do site, é possível ver a temperatura, velocidade dos ventos e umidade do ar. Os dados são fornecidos pelo MetroClima, sob responsabilidade do Ceic. O POA Digital também está trabalhando para oferecer dados do estoque das farmácias públicas.

Nesse endereço, o cidadão pode buscar informações e, a partir disso, desenvolver projetos inovadores para a cidade. Um exemplo prático é DoctorPOA, aplicativo idealizado pelo médico Luciano Eifler que permite ao usuário localizar as unidades de atendimento e hospitais mais próximos da Capital com base em sua posição geolocalizada.

O coordenador do POADigital, Thiago Ribeiro, cita como referência os Estados Unidos e, na América do Sul, lembra o trabalho de abertura de dados que vem sendo realizado em Buenos Aires, na Argentina. Mas acredita que Porto Alegre já assumiu um papel de protagonismo na região. “Estamos nos tornando referência mundial em open data, o que é reconhecido, inclusive, por movimentos que militam nessa área no mundo”, comenta. Para ele, a cidade já tinha uma pré-condição para receber esse projeto, que é justamente a familiaridade com iniciativas de participação da comunidade, como o Orçamento Participativo (OP).

Esse projeto é liderado pelo POA Digital, mas com parceria da Procempa, Secretaria de Governança, Secretaria do Gabinete de Inovação e outras. A meta é tornar a ferramenta mais conhecida da população, incentivando desenvolvedores, pesquisadores e empresários. Tudo dentro da perspectiva que, uma boa ideia, aliada aos dados certos, pode se reverter em projetos interessantes para o município. Os idealizadores do projeto também trabalham para criar uma aproximação maior com a academia. “Queremos ser provocados e é nas universidades que estão sendo concebidos projetos e iniciativas que podem dar um bom tratamento diferenciado para esses dados. Isso sem falar nas demandas por informações que não percebemos que podemos disponibilizar”, comenta.

Ribeiro informa que a prefeitura também trabalha para que o DataPoa seja encarado como uma plataforma da cidade, e não da prefeitura. Dentro dessa perspectiva, o objetivo é incentivar que entidades e governos estadual e federal também possam disponibilizar os seus dados abertos.

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