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Teatro Antônio Hohlfeldt
a_hohlfeldt@yahoo.com.br

Teatro

Coluna publicada em 17/01/2014

Bob Bahlis faz espetáculo maduro sobre Serge Gainsbourg

O início dos espetáculos que integram a agenda do Porto Verão Alegre de 2014 não poderia ser melhor. Fui assistir a As mulheres que amavam Gainsbourg, roteiro e direção cênica de Cristiano Godinho e direção geral de Bob Bahlis. O espetáculo, apresentado em duas noites, no Teatro de Câmara, acerta em tudo, neste momento, da escolha do local - que permite certa intimidade e proximidade dos atores para com o público: todos cantam com voz natural, sem forçar nada, em voz relativamente coloquial, evidenciando que são atores capazes de cantar, e não cantores capazes de atuar, o que é ótimo - até os encaminhamentos técnicos: as boas versões do francês para o português realizadas pela atriz Cinthya Verri (uma delas com Cristiano Godinho); a excelente coreografia de Thais Petzold, que faz com que o elenco ocupe o espaço cênico de maneira abrangente; os figurinos bonitos e ao mesmo tempo de época e de imenso bom gosto, de Dalva Partichelli; as artes de Carlos Wladimirsky e Cinthya Verri. Acrescento, ainda, a inesperada competência do diretor Bob Bahlis para escolher atrizes capazes de personificar cada personagem, incluindo os dois intérpretes de Serge Gainsbourg (nas figuras de Jordan Martini, o velho, e Bopni Rangel, o jovem), Carolina Diogo (como a fiel Marilou), Eliana Guedes (como Charlotte, a filha), Cinthya Verri (como Brigitte Bardot), Fabíola Barreto (como Juliette Grecco) e Martha Brito (como Jane Birkin), além de Cristiano Godinho (como o poeta Boris Vian). Bahlis, ao mesmo tempo, promoveu o reencontro com nomes históricos das artes da cidade, no caso o pianista (e ator) Léo Ferlauto e o artista plástico Carlos Wladimirsky (há poucos dias ainda em uma entrevista na rádio Cultura FM, excelente, com Ivette Brandalise).

O título é indicativo, sobretudo quanto ao tempo verbal escolhido: as mulheres que amavam Gainsbourg: indica que o sentimento de cada uma não acabou, porque ficou eternizado em cada canção que elas inspiraram ao poeta. Assim, o roteiro de Cristiano Godinho, que evidencia conhecer bem a história do cantor e compositor, segue a ordem cronológica mas, sobretudo, refere canções, uma seleção de 16 delas, culminando com a polêmica Je t’aime, moi non plus, título irracional e sem sentido, resultado de uma diálogo que teria ocorrido entre Serge e Brigitte, a quem a canção foi dedicada, ainda que gravada, mais tarde, por Jane.

Não conheci muito a obra musical de Gainsbourg. Fiquei curioso agora, após assistir ao espetáculo. Também não vi o filme que, há algum tempo, foi produzido em torno da figura do cantor. Mas o que Godinho evidencia é que Gainsbourg foi um artista de seu tempo: contraditório, egoísta, talvez, mas participante e militante. Inovou a canção francesa, contrapôs-se à música norte-americana que ele considerava alienada e consumista, deixou seus depoimentos sobre os acontecimentos de sua época.

O espetáculo de Bob Bahlis é daqueles trabalhos que a gente assiste com enorme prazer. Talvez para não quebrar a mágica da encenação, o público, que encheu a sala de espetáculos, quase não aplaudia cada interpretação, mas reagiu com entusiasmo ao final do espetáculo de pouco mais de uma hora de duração. Porque estava tocado e emocionado, como eu, sobretudo pelas soluções cênicas encontradas pelo diretor, evidenciando maturidade: a dupla versão de Je t’aime em francês-português, as projeções cinematográficas (pena que a projeção ficou muito distante da tela e, às vezes, quase invisível por conta da iluminação de Marge Ferreira - aliás, precisa como sempre), a coreografia e os figurinos, tudo criando uma unidade que não pretendeu ser grandiloquente (e como um chansonier o seria?) e, por isso mesmo, acertou no tom do trabalho. É coisa de se ver de novo, e esperando que o espetáculo retorne durante a temporada de 2014, com mais récitas, é que faço esse registro: trata-se de um espetáculo imperdível para quem, de fato, gosta de teatro.

P.S.: comentário à parte cabe ao renovado Teatro de Câmara, mas isso fica para outra coluna.

COMENTÁRIOS
Toni Fontana - 17/01/2014 - 11h27
Assisti a peça no ultimo dia e com todo respeito ao espetáculo e ao trabalho do senhor Antônio Hohlfeldt, mas achei a peça sem ritmo nenhum, muito lenta, e o que ajudou foi 1:30 de espetáculo muito linear, faltou colorir algumas coisas da peça. Achei as coreografias simples demais, sem muito movimento, e parecia pouco ensaiada (as coreografias).Faltou peso na Cinthya Verri para podermos verdadeiramente ver a Brigitte (o que não ocorreu). Figurinos são bonitos, mas cenário também muito pobre. Abs


Susi Oliveira -
17/01/2014 - 17h04
Também assisti e gostei muito de todas as interpretações e da peça que nos fez rir e ficar nostálgicos...


Toni Fontana -
18/01/2014 - 16h00
Desculpe Susi, mas então foi totalmente diferente do ultimo dia (sexta-feira) que assisti. Apesar do espetáculo passar em alguns raros momentos um tom de "ironia ou sarcasmo" não ouvi um riso contido se quer na plateia. Não quero atirar pedra em ninguém ou criticar, só estou falando o que vi, que descordo em muitos fatores com a crítica do senhor Antônio e a sua. Obrigado e um grande abraço a todos. P.S: Marilou (Carolina Diogo) e Boris Vivan (Godinho) são as personagens que passam mais verdade.

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