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Memória Notícia da edição impressa de 13/01/2014

FEE planeja lançar novos indicadores sobre o Estado

Criada há 40 anos, fundação é um celeiro de análises sobre a economia estadual

Patrícia Comunello

FREDY VIEIRA/JC
Os precursores (esquerda para direita): Sílvia, Pichler, Souza, Marilene, Bérni e Lima
Os precursores (esquerda para direita): Sílvia, Pichler, Souza, Marilene, Bérni e Lima

Longa vida para a Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Estado. A quarentona, que já foi presidida pela presidente da República, Dilma Rousseff, encara, a partir de 2014, uma fase de expansão. Com sinal verde para colocar em marcha uma nova carreira, a instituição reforçará o time de técnicos e analistas, lançará novos indicadores e reativará outros, além de buscar mais conexão com economias do Interior e instituições no Exterior, projetam atuais dirigentes e técnicos da fundação. 

A vida, como dizem, começa aos 40. A tese se confirma para a instituição que produz os dados e análises mais cruciais sobre a evolução econômica e social do Estado desde a década de 1970. Aliás, a experiência e o entusiasmo dos que passaram ou ainda continuam na Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser (político gaúcho da safra de trabalhistas dos anos 50 e 60) são seu maior capital. O Jornal do Comércio reuniu seis pioneiros para retratar momentos e marcas de quatro décadas. Antes de começar a conversa, que se prolongou por uma hora e meia, na sede da FEE, no número 1.691 da rua Duque de Caxias, Centro de Porto Alegre, o economista Duílio de Ávila Bérni avisa, com muito humor: “Somos móveis e utensílios.” 

A definição, que em nada desmerece o currículo de Bérni, Marilene Brunel Ludwig, Sílvia Horst Campos, Rubens Soares de Lima, Enéas de Souza e Walter Arno Pichler dá a largada para a saborosa viagem aos primórdios. Antes de virar FEE, em novembro de 1973, no governo de Euclides Triches, Bérni, Marilene, Sílvia e Lima fizeram parte do grupo precursor, que ocupou o subsolo do prédio-sede da Secretaria Estadual da Fazenda, na avenida Mauá e que operou, de 1971 a outubro de 1973, como Supervisão de Planejamento Global (Suplag), depois superintendência, vinculada à Secretaria de Coordenação e Planejamento. “Éramos um pequeno time de oito técnicos, com muito mais ousadia do que experiência”, definiu Rudi Braatz, primeiro presidente da FEE, sobre os desafios do time original. 

No subsolo, o grupo escrevia à mão informações dos indicadores econômicos e sociais, fonte de credibilidade e fomento a análises. ”A ideia era elaborar as contas regionais para qualificar o planejamento”, cita Rubens de Lima (o Rubão). “Esses dados tinham muito peso num ambiente em intenso debate“, frisa Bérni. O ícone desse período foi a série Indicadores Econômico RS, uma das mais tradicionais no País. Veio 1973, e a FEE entrava na vida político-econômica gaúcha. Souza, que se aposentou em 2011, lembra que a instituição surge nos movimentos para estruturar o estado brasileiro. “Discutia-se a modernização, e pegamos carona”, lembra Souza. Os estudos da fundação ajudaram o governo, nos anos de 1970, a decidir pela implantação do polo petroquímico em Triunfo. 

Dados estatísticos causaram impactos na política gaúcha


Dilma Rousseff (quadro) presidiu a instituição, lembra Marilene. Foto Fredy Vieira/JC

Os pioneiros recordam o impacto que estatísticas causaram na disputa ao Senado entre Paulo Brossard (então MDB) e Nestor Jost (Arena). “No primeiro debate pela televisão, Brossard puxou relatório da FEE que mostrava aumento da mortalidade, desmentindo Jost, que citou dados do governo. Os da FEE estão certos”, triunfa Pichler. O episódio, ressaltam os pioneiros, consagrou a credibilidade e postura crítica do staff técnico. E quando o Produto Interno Bruto (PIB) caía? “Os governos sempre gostaram mais da FEE quando os dados eram positivos, por que será?”, provoca Rubão. Sílvia lembra a relação com a ditadura, que nunca tolheu a opinião dos economistas, mas impôs malabarismos. “Não podíamos usar termos como capitalismo e mais valia”, exemplifica Sílvia, ainda na atividade. 

A atenção maior tinha motivo: a composição técnica da FEE sempre teve inclinação mais à esquerda, explicada pela base oriunda da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Dilma Rousseff reforçava a fama, foi estagiária na década de 1970, voltou como economista na Anistia Política e foi presidente da fundação entre 1991 e 1993. “Tivemos duas presidentes em sequência – Wrana Panizzi (ex-reitora da Ufrgs) e Dilma, isso liquidou com meu machismo”, brinca Rubão. A presidente da República é lembrada pelos ex-colegas como “mulher de espírito público”. “Tinha uma capacidade de trabalho impressionante”, diz Marilene, que assessorou Dilma na Secretaria de Minas e Energia, no Governo Olívio Dutra. Na FEE, um bordão virou marca registrada da então presidente quando resultados não atendiam às suas expectativas. “E não tem gre-gre para dizer Gregório”, repete Marilene, como senha de Dilma para que os estudos fossem melhorados.

Novos indicadores e estudos econômicos vão estrear em 2014, afirma presidente 

A FEE ampliará o portfólio a partir de 2014. Entre as novidades está a montagem de uma área de demografia, que se debruçará em indicadores populacionais e projeções da mudança na estrutura etária no Estado – menor natalidade e maior longevidade. O primeiro filho da área será a estimativa populacional para 2050. A meta, segundo o presidente da fundação, Adalmir Marquetti, é gerar informações municipais e análises sobre os impactos das mutações nas políticas e investimentos em educação e serviços para os mais velhos. Novo índice está a caminho: de vendas industriais, que deve ser mensal. Elaborado entre 2003 e 2009, o Índice de Vendas do Comércio (IVC), parceria com Fecomércio-RS e Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), volta a ser divulgado a partir de março. 

A turbinada na pauta e no trabalho da fundação será possível em parte com a aprovação do projeto pela Assembleia Legislativa, no fim de 2013, que reestrutura a carreira e autoriza a abertura de concurso público. Até fevereiro, deve ser lançado edital para inscrições em 49 cargos (17 de Nível Médio, e 32 de Nível Superior – oito analistas técnicos e 24 pesquisadores), com provas até abril. Marquetti espera efetivar os estreantes até junho. A seleção vai recompor baixas. Desde 2010, a FEE teve redução do quadro, passando a 170 funcionários, efeito de um plano ativado pelo governo Yeda para fundações. 

Tradição, possibilidade de desenvolvimento profissional e salário de R$ 6 mil para analistas são apostas para atrair interessados. Marquetti ressalta que a seleção será decisiva na área administrativa. “O responsável pelas finanças se aposenta em março. Brinco dizendo que vou sair junto com ele”, exemplifica o presidente, no cargo desde 2011. Novas especialidades ingressam no quadro, como relações internacionais, além da produção de mais conteúdos multimídia e maior relação com polos do Interior.

Gerações de especialistas dão peso e fama à fundação 


Veteranos e novatos da Fundação compartilham experiências. Foto Marcelo G. Ribeiro/JC

Não foi à toa que, no fim de 2005, terceiro ano do Governo Germano Rigotto (PMDB), vazou a estimativa de fechamento do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho. O economista Adalberto Maia, que coordenava o Núcleo de Indicadores Conjunturais responsável pelo cálculo do PIB, principal termômetro da atividade econômica, repassou a jornais a percepção de taxa negativa, que se confirmaria em -2,8%. Rigotto, para seu azar, enfrentou a metade do mandato com péssimas colheitas (duas estiagens). E como reza a tradição: safra ruim, PIB ruim. Foi assim em 2012, com queda de 1,8%, que deu origem à expressão “Pibinho”, em contraponto ao “Pibão”, comemorado pelo governador Tarso Genro, um ano antes, na estreia do mandato, efeito da super safra. 
 
Mas voltando ao fim de 2005, quando o PIB despencou e a informação foi parar na Imprensa antes de alcançar o então presidente da FEE Aod Cunha (que viraria secretário da Fazenda de Yeda Crusius) e no gabinete de Rigotto. O efeito foi imediato. “Às 7h, o Aod me ligou querendo saber quem tinha vazado a estimativa, pois o peemedebista havia cobrado: ‘a economia vai assim, e o governador não sabe’”, recorda Maia, hoje com 31 anos de fundação, um veterano que, aos 65 anos, nem pensa em aposentadoria. “Um dos nossos trunfos sempre foi o grau de autonomia. Nunca teve pressão”, garante Maia, que define a FEE como uma combinação de IBGE e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 
 
O cálculo do PIB evoluiu, teve revisão de metodologia para seguir o IBGE e é esperado com ansiedade a cada período. Maia admite essa apreensão. Até o atual coordenador do núcleo, o economista e discreto Martinho Lazzari, rende-se. “Dá um frio na barriga dias antes de liberar nova taxa, mesmo a trimestral.” 
 
Orgulhoso pela missão, Lazzari certifica que a tensão é mais pela preocupação de não errar em nenhum número. Até porque, lembra Maia, muitas instituições e analistas só batem o martelo de suas previsões depois do oráculo da FEE se pronunciar. “É hora de calibrar as projeções”, arremata o coordenador.
 
E o que dizer das taxas de desemprego, lembra a socióloga Miriam De Toni, há 32 anos na fundação, que jamais esquecerá os 19% cravados pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) em 1999. O indicador, apurado desde 1992, tem parceria com várias instituições. “A taxa se traduzia em 360 mil desempregados. Era muita gente. Agora está em menos de 7% (2013). Sempre miramos os níveis dos europeus, e agora são eles que miram os nossos”, confronta a socióloga. Novata na área, a economista Bruna Borges, que trabalha no núcleo da PED desde 2011, quando ingressou na FEE, sinaliza que agora há fenômeno da geração “nem, nem”, jovens de 16 a 24 anos que não trabalham, não estudam, mas incham a taxa de desocupação. “Temos de estuda-los”, indica a também jovem.
 
A nova geração de especialistas, que tem Bruna, Gisele Ferreira (estatística), Róber Iturriet (economista) e Thomas Kang (economista), marca a arrancada na fase pós-40 da fundação. Gisele, que atua no núcleo de desenvolvimento regional, é uma vigilante dos dados. A empreitada mais recente foi uma revisão da base de informações do Censo de 2010. A equipe percebeu erros na agregação de informações de Porto Alegre e pediu ajuste, que levou mais de um ano. “Tivemos de refazer cálculos e estudos. Menos pressa na liberação de dados evitaria erros como esses”, opina a estatística. 
 
Além da produção, Kang valoriza a liberdade de fazer pesquisa e propor projetos na FEE. O economista do Núcleo de Indicadores Sociais detecta mudanças no perfil da matéria-prima de investigação. Mais que olhar dados de produção e riqueza, típicos do domínio do PIB, Kang aposta que educação, saúde e infraestrutura terão cada vez mais peso. “O desafio é criar um indicador que expresse as condições de vida”, definiu o integrante do núcleo de indicadores sociais. 
 
Desde 2006, a FEE trabalha nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que passou a compor as metas do Plano Plurianual Participativo do Estado.  Iturriet, economista que assessora a presidência da fundação, identifica um crescente interesse em usar informações para medir a eficiência de políticas públicas. “É uma demanda da sociedade e dos governos e que exigirá mais e mais dados”, previne o assessor. Iturriet associa esse novo estágio à sociedade da informação, e caberá aos quadros da FEE saber interpretá-la. 

Ex-presidente destaca popularização do conhecimento 


Foi a escola da minha vida, afirma o professor Antonio Carlos Fraquelli. Foto Marcelo G. Ribeiro/JC

O economista e professor aposentado da Ufrgs Antonio Carlos Fraquelli despediu-se da carreira na FEE em 12 de setembro de 2012. E como foi o primeiro dia longe da fundação? Depois de cinco segundos, sentado em frente à estante onde repousam fitas de vídeo e DVDs com 40 mil horas de gravação de noticiários e entrevistas, Fraquelli descreve singelamente: “A FEE foi a escola da minha vida. É minha alma gêmea.” O presidente da instituição em três oportunidades – 1975, 1993 e 2006 - popularizou muito do conhecimento aprendido na fundação para a sociedade. 
 
Fraquelli recorda que foi a ex-reitora da Ufrgs Wrana Panizzi, como presidente da FEE, que “determinou” que ele passasse a falar sobre as instabilidade do PIB, as crises financeiras etc. E não parou mais. No princípio, o economista recorda que o órgão tinha muito peso na formulação de planos de governo. Nos anos de 1990, vieram os estudos sobre a vinda de montadoras de automóveis. “Um dia, um tal de Britto (Antônio Britto, governador de 1995 a 1998) me chamou para uma reunião com a GM no Palácio Piratini.” Fraquelli sucedeu Dilma Rousseff em 1993 na presidência da FEE. “Ela entrou na minha sala e disse em voz alta (do jeito dela): ‘Fraquelli, você vai ser meu sucessor, vai falar com o Collares’.” E de Dilma, o economista guarda a descrição da então estagiária da FEE, em 1973. “Ela usava sandália de cearense, cabelo preso com maria-chiquinha e o óculos de aro grosso preto. Depois, a vi na televisão, como secretária da Fazenda do prefeito Collares (1985 a 1988). Estava mais bonita, muito diferente da estagiária.” 
 
Como vida de analista na FEE não é fácil, por alguns anos, havia uma psicóloga para desenvolver atividades em grupo, segundo Fraquelli, de “integração”. Nas sessões de terapia da organização, existia um quadro onde os participantes anotavam o que pensavam dos colegas. 
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