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ENTREVISTA ESPECIAL Notícia da edição impressa de 23/12/2013

Palanque de Dilma deve ser o de Tarso aqui no Estado, diz Vanazzi

Fernanda Nascimento

ANTONIO PAZ/JC
Há chances objetivas de reeleger o nosso projeto no governo do Rio Grande, diz Vanazzi
Há chances objetivas de reeleger o nosso projeto no governo do Rio Grande, diz Vanazzi

Eleito em novembro presidente estadual do PT, o ex-prefeito de São Leopoldo Ary Vanazzi protagonizou com o prefeito de Canoas, Jairo Jorge, uma das maiores disputas internas do PT do Rio Grande do Sul. Representante de tendências mais à esquerda do partido, Vanazzi compartilha da opinião de Tarso Genro (PT) de que a presidente Dilma Rousseff (PT) deve dar exclusividade ao palanque do candidato petista no Estado. Apesar de o governador também condicionar sua candidatura à reestruturação da dívida estadual com a União, o presidente do PT garante que Tarso disputará a reeleição.

Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Vanazzi afirma que o PT sai fortalecido da eleição interna e diz que a base despertou para os temas da sigla. O petista analisa os acertos da gestão estadual e diz que os adversários não conseguem comparar o governo do PT aos demais devido à superioridade da atual administração.

O dirigente também avalia as manifestações de junho e avalia que os governos federal e estadual deram respostas aos manifestantes. Para o petista, a sociedade saberá reconhecer, nas urnas, esses esforços. Vanazzi sustenta ainda que o partido é contra a criminalização dos movimentos sociais e afirma que existe um processo de demonização da política. Para ele, o PT está ao lado dos trabalhadores, e o inimigo dos manifestantes que saem às ruas não deve ser o Estado, mas os proprietários das grandes riquezas do País.

Jornal do Comércio - Tarso Genro afirma que não é candidato à reeleição e que a possibilidade de vir a ser depende da reestruturação da dívida com a União...

Ary Vanazzi
- Há uma resolução do PT, de outubro deste ano, afirmando que o candidato do partido ao governo do Estado em 2014 é o governador Tarso Genro. Não temos nenhuma dúvida de que ele vai ser o nosso candidato à reeleição, pelo que ele tem feito no Estado e pelo projeto que representa. E sobre a dívida, mostra a preocupação com essa conta que estamos pagando ao governo federal, que é muito alta. A fala (de Tarso) tem muito mais a ver com a ideia de que precisamos fazer um movimento político para resolver isso com o governo federal. Acho que em fevereiro isso se resolve.

JC - O governador também defende que a presidente Dilma suba somente no palanque do candidato do PT.

Vanazzi
- Já conversei com o presidente (nacional) do PT (Rui Falcão), com o (ex-)presidente Lula e com a presidente Dilma, no congresso do PT, em Brasília. Defendemos, aqui no Estado, que o palanque do Tarso e dos aliados seja o palanque da Dilma. Isso fortalece a campanha da Dilma e fortalece a nossa campanha.

JC - E como ficam outros aliados de Dilma, como o PDT, que tem Vieira da Cunha como candidato ao governo do Estado?

Vanazzi
- Achamos que o palanque dela é o do Tarso. Temos que ter um palanque único aqui.

JC - O governador disse recentemente que 80% do plano de governo foi cumprido, mas os adversários apontam ineficiência. Como essa questão será trabalhada na campanha?

Vanazzi
- Concordo com o governador. Por exemplo, o acesso asfáltico é um projeto que vem de antes do (ex-governador Antônio) Britto (PMDB). E os governadores que o antecederam fizeram meia dúzia de acessos asfálticos. Nós vamos concluir quase 60 acessos asfálticos e deixar todos os outros em andamento. Efetivamente fizemos muito mais do que os últimos oito anos que nos antecederam. Outra questão é a do magistério. Evidente que temos o problema do piso. Todo mundo quer pagar, mas tem uma questão financeira e a falta de índice de reajuste do piso. Os governos que dizem que estão cumprindo o piso do magistério mudaram os planos de carreira dos funcionários, e queremos pagar o piso sem mexer no plano. Mas nunca se teve um reajuste nesse percentual que estamos dando nesses três anos, também tivemos concursos públicos e contratamos professores que antes eram só contratos emergenciais, construímos uma política de reformas e construção de escolas. Podem dizer que começou este ano e é verdade. Começou este ano, porque desde que chegamos no governo tivemos que fazer projetos, contratar, fazer licitações e começar a obra, porque esse é o processo, e temos que respeitar a legislação. Outro elemento muito importante é a saúde. Pela primeira vez na história, o governo determinou colocar 12%, e colocou no orçamento. E tudo isso na situação de crise que recebemos o Estado, que tinha sido praticamente sucateado do ponto de vista da gestão. Tem muita coisa para fazer, e as cobranças são naturais. A oposição cumpre o papel dela, mas tem dificuldades de fazer comparações. Não consegue fazer uma comparação do governo de Yeda (Crusius, PSDB), (Germano) Rigotto (PMDB) com o nosso governo. Eles só falam do nosso, mas eu quero que comparem o deles para ver como é que fica.

JC - As pesquisas mostram a possível candidata senadora Ana Amélia Lemos (PP) na frente do governador Tarso Genro. O quadro assusta e faz o partido repensar a estratégia para a campanha?

Vanazzi
- As pesquisas retratam o momento atual. Mas, nesse mesmo período, os governos de Rigotto e Yeda estavam em uma situação muito pior. Temos uma boa situação, na questão do modo de governar do governador, que tem uma aceitação enorme. As ações do governo também tem destaque. Estamos confiantes de que estamos cumprindo o nosso papel. É claro que quem não está em uma disputa, que não entrou para o debate ainda e coloca o nome à disposição, com todo aparato e apoio que tem de setores importantes da mídia gaúcha, pode estar à frente. Agora, vamos fazer o debate. Mas a própria pesquisa, na espontânea, indica que o governador está na frente. Veremos isso no momento em que se decidirem as candidaturas, os programas de governo, as políticas das alianças e se iniciar a campanha. Temos convicção de que a gente tem possibilidades objetivas de reeleger o nosso projeto.

JC - A situação da presidente Dilma Rousseff parece um pouco mais confortável. Como avalia o cenário nacional?

Vanazzi
- As duas eleições serão muito difíceis, disputadas e com um debate intenso. É um período diferente, estamos governando o País há 11 anos, o Estado há três, e vamos ter a Copa do Mundo, com toda a questão da mobilização social. Então, vai ser uma disputa eleitoral muito dura. O que temos como convicção é que, pelo que fizemos, pela evolução que o País teve, esses elementos vão ajudar a reeleger Dilma. O bom disso é que hoje temos uma sintonia e somos porta-voz da presidência da República no Rio Grande do Sul. Essa sintonia ajudou muito o desenvolvimento do Estado. Por exemplo, na BR-116, do rio Gravataí até Novo Hamburgo, nos governos anteriores ao do (ex-presidente) Lula, os governos não investiram R$ 600 milhões em 10, 12, 15 anos. Nos governos de Lula e Dilma, temos um investimento de quase R$ 3 bilhões. Há ainda obras como a BR-448, a Trensurb, a licitação do alargamento da BR-116, a licitação da ponte do Guaíba, a ERS-010 e a ERS-118. Tudo isso mostra que efetivamente o Brasil melhorou economicamente, socialmente, em suas relações internacionais, e fortaleceu os estados brasileiros. A nossa parceria com a presidenta Dilma deu certo, trouxe muitos resultados positivos e, evidentemente, vai ajudar, e muito, no processo eleitoral.

JC - No caso de retorno das manifestações de rua durante a Copa do Mundo, como isso vai interferir na campanha eleitoral, especialmente para quem é governante e disputa a reeleição?

Vanazzi
- Hoje no Brasil existe um processo de criminalização da política. Isso é um problema para democracia brasileira e para as instituições partidárias e tem um reflexo nas manifestações sociais. Nós que estamos no governo temos que fazer a nossa parte, e acredito que fizemos em junho. Tarso criou um canal de diálogo direto com a sociedade, foram 500 mil pessoas que interagiram diretamente naquele processo, mostrando, ouvindo a comunidade e boa parte dos projetos que se encaminhou também teve respaldo, como o do passe livre. Em nível nacional, Dilma tomou a mesma medida e propôs os cinco pactos para o Brasil. O problema é que o Congresso Nacional, a nossa base aliada, não levou a cabo a reforma política e fez um remendo horrível, desrespeitoso até com o debate que a sociedade fez ao longo dos anos. O Congresso aprovou, mas com muitas emendas, os royalties do petróleo. No pacto da saúde, tivemos que enfrentar um duro debate para poder implementar o Mais Médicos. Ela também encaminhou o tema das reformas estruturais do Estado, a reforma tributária e a reforma fiscal, que também não avançaram. O governo cumpriu com sua parte. Vamos ter argumentos para dizer que ouvimos, que implementamos, buscamos, mas não tivemos acordo com o Congresso Nacional. Então, a sociedade também vai ter que avaliar isso em um processo eleitoral, para fazer as suas escolhas. Nós cumprimos e muito com as reivindicações, as exigências dos movimentos sociais, tanto na questão de escutar quanto do ponto de vista estrutural de mudança das políticas públicas.

JC - Muitos movimentos sociais dizem que o governo não deu respostas e tem apenas criminalizado os manifestantes. Como vê esta crítica?

Vanazzi
- Defendemos entusiasmadamente a questão da mobilização social, da participação popular, o direito de se manifestar. Mas também não dá para admitir, quando se está no governo, os vândalos que usavam os movimentos sociais para fazer depredações e para enfrentar o Estado. O que se tem que punir são aqueles que estão ali para usar, criar conflitos, depredar o patrimônio público. Agora, os outros episódios que por ventura venham a acontecer, temos clareza que se deve tratar como manifestação social e não criminalizar. O nosso problema não são os movimentos, os mais pobres, o nosso problema é quem concentra a renda, porque ali a gente não mexe. Não se consegue mexer quando não tem força política e institucional. A sonegação de impostos no País é um dos grandes crimes, mas ninguém fala, ninguém mexe. Precisamos mexer nisso, e como é que se mexe? A partir da mobilização social e da luta política. A reforma agrária, queremos e precisamos fazer, mas onde está o nosso adversário? Não é o governo, são detentores do poder econômico. Então, nós temos que ter muita clareza, enquanto partido, de que lado que nós estamos. E estamos do lado dos trabalhadores que lutam por direitos e não daqueles que usam isso para fazer manifestações para fragilizar o Estado.

JC - O partido tem conseguido atrair a juventude e fazer uma renovação dos quadros?

Vanazzi
- Os episódios que vimos em junho demonstraram que nós precisamos mudar nossa estratégia em relação à juventude, e o PT tomou algumas definições muito importantes. Hoje, é obrigatório no PT ter 20% de jovens na direção estadual e municipal. A nova composição criou canais para aproximar e tentar recuperar na sociedade a participação da juventude na política. O PT também tem puxado um debate para atrair setores da juventude para voltar a falar de temas importantes como o socialismo, a taxação das grandes fortunas e o sistema financeiro. Então, reformas estruturais do Estado fazem parte da nossa estratégia. Além de visitar os partidos, estou contatando e discutindo com os movimentos sociais uma pauta política. Então, estamos fazendo um movimento que efetivamente responda à ansiedade da sociedade, que é ser sujeito da história.

JC - Como interpreta a sua vitória para a presidência do PT no Estado, com uma margem apertada?

Vanazzi
- A disputa foi muito boa para o PT. Fiz várias reuniões e visitas ao interior do Estado e percebi que há uma mobilização extraordinária da nossa militância a partir deste processo. A disputa construiu uma ação e uma participação efetiva da nossa militância, as pessoas despertaram e se interessaram pelo tema. Foram, entre o primeiro e segundo turno, quase 60 mil filiados que votaram, e o PT saiu vitorioso desse processo.

JC - Uma divergência explicitada entre a sua candidatura e a do prefeito de Canoas, Jairo Jorge, era a política de alianças. Como será feita a articulação?

Vanazzi
- Não sei se era muito divergente, mas a nossa tese era de manter a composição eleitoral dos membros que estão no governo, que era o PDT, que hoje tem candidatura própria, o PTB, o PCdoB e os partidos aliados do governo. Essa era nossa defesa e continuamos com essa mesma tese. Essa é a decisão do partido.

Perfil

Ary José Vanazzi tem 55 anos e é natural de Coronel Freitas, Santa Catarina. Filho de agricultores, é casado e tem dois filhos. Começou a militância no início dos anos 1980, quando participou da fundação de sindicatos rurais e do PT. Aos 25 anos se mudou para São Leopoldo, para cursar História. Em 1988, foi eleito vereador na cidade e conquistou a reeleição quatro anos mais tarde. Em 1996 concorreu ao cargo de vice-prefeito, mas foi derrotado. Dois anos depois, se elegeu suplente de deputado federal. Em 1999, foi chamado para a Secretaria Estadual da Habitação, no governo de Olívio Dutra (PT). Em 2000, assumiu o mandato de deputado federal. Dois anos depois, foi eleito para a Câmara dos Deputados. Em 2004, conquistou a prefeitura de São Leopoldo. Quatro mais tarde foi reconduzido ao Executivo municipal. Em 2012, assumiu a presidência da Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). Em 2013, foi eleito presidente estadual do PT.

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