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Entrevista Especial Notícia da edição impressa de 16/12/2013

Cairoli entra na política com desafio de ampliar o PSD gaúcho

Jimmy Azevedo

JONATHAN HECKLER/JC
O dirigente diz que pensa em um estado dinâmico
O dirigente diz que pensa em um estado dinâmico

Com experiência de mais de 30 anos em administração de empresas e à frente de entidades como a Federasul (Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul), José Paulo Cairoli estreou na política partidária há dois meses. 

Numa costura articulada pelo deputado federal gaúcho Danrlei de Deus (PSD), o engenheiro civil  se tornou presidente da sigla no Rio Grande do Sul. A missão, neste momento em que os partidos se aglutinam, é encontrar a melhor alternativa para o PSD no Estado, tanto nas articulações para o Palácio Piratini quanto para conquistar cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Nesta entrevista ao Jornal do Comércio na sede do PSD, no largo Zumbi dos Palmares, em Porto Alegre, José Paulo Cairoli se mostrou mais como um empreendedor do que como os tradicionais políticos com seus trejeitos. Disse que defende a união do Estado com o capital privado e criticou o governador Tarso Genro (PT) pelo inchaço da máquina pública através de cargos em comissão (CCs) e da recém-criada Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR).

Assim como o empresário Paulo Feijó (DEM), que foi vice da governadora tucana Yeda Crusius (2007-2010), Cairoli diz que pensa em um estado dinâmico, que precisa se recuperar economicamente e fazer os investimentos necessários em serviços e infraestrutura. O presidente do PSD, já sondado para ser vice na chapa encabeçada por Vieira da Cunha (PDT) ao governo gaúcho, acredita que tem experiência de sobra em administração.

Jornal do Comércio – O senhor assumiu em outubro a presidência do PSD, nessa sua nova empreitada que é a política partidária, num partido novo, mas já com grande representatividade no Congresso Nacional (quarta maior bancada na Câmara dos Deputados). Qual será o papel do PSD na eleição estadual?

José Paulo Cairoli – Bom, primeiramente, tenho uma história já no empresariado, dentro da Federasul. Tenho alguns conceitos muito firmes da minha posição, pois eu entendia que, para poder ajudar o Estado, tinha que estar dentro de um partido. Por que a escolha do PSD em detrimento de outros? O PSD surgiu sem aqueles radicalismos, nem de um lado, nem de outro, um partido que dialoga e está num projeto de uma construção de um novo conceito de fazer política. Então, este foi o fundamento de entrar no PSD. E já é um partido grande, em nível nacional é o quarto partido que fez o maior número de prefeitos, é o quarto em representação na Câmara, e, agora, temos que dar dimensão ao PSD no Rio Grande do Sul. 

JC – O que é esse novo jeito de fazer política? O senhor, no início do governo Yeda Crusius (PSDB), chegou a ser apoiador do projeto, por conta do também empresário Paulo Feijó, vice da governadora? 

Cairoli – Dentro da minha história, inclusive dentro da Federasul, sempre dialoguei com todos e, na época, tínhamos um outro partido, sem dificuldade nenhuma de diálogo. Acho que o grande problema do Rio Grande do Sul é que temos ainda a tendência do tempo dos chimangos e maragatos, sou a favor de um partido ou contra o outro, a gente não consegue ser a favor do desenvolvimento do Estado. O Rio Grande tem perdido posição nos últimos 30 anos, e aí não estamos avaliando partidos. Todos fizeram alguma coisa boa, mas o Estado tem perdido posição no ranking nacional. O Estado já foi segundo em educação e hoje é o quarto. No PIB, estamos perdendo, embora tenhamos tido um crescimento do ano passado para este. Então, não defendemos o Estado, somos a favor do governo ou contra o governo. Esse é um dos grandes males nosso como sociedade. E hoje, o Lula basicamente conseguiu terminar com ideologia nos partidos. Todos os partidos, PT, PMDB, DEM, todos esses nao têm mais ideologia, exceto P-Sol, PSTU. Por exemplo, o PSDB foi acusado por muito tempo de ser partido da privatização, mas o partido que mais privatizou foi o PT, será que por  ideologia? Não. É porque precisa melhorar o serviço público. E como é que melhora o serviço público? Tendo que buscar capital e gestão privada. O PCdoB fez um grande serviço para o País num setor que é extremamente conservador, a agricultura. Foi graças ao Aldo Rabelo que conseguimos ter soja transgênica. 

JC – O partido vai se aliar a quem na disputa eleitoral de 2014?

Cairoli – O partido está alinhado com a presidente Dilma (Rousseff, PT), nacionalmente. 

JC – E aqui no Estado, o PSD está alinhado com o PDT?

Cairoli – Não. Estamos conversando com todos os partidos. Nossa posição é conversar com todos, PT, PMDB, PDT e PP. Então, nosso exercício é de muito diálogo, de ouvir muito, ver o que é melhor nessa costura de projeto de Estado. Vamos estar alinhados com aquele partido que defender um projeto consistente e que fizer reformas profundas, e não com esses projetos que são feitos sempre em fim de mandato, prometendo uma série de coisas, como todos têm feito. 

JC – Como avalia o fato de seu nome ser colocado como possível vice de Vieira da Cunha, pré-candidato ao governo do Estado pelo PDT? 

Cairoli – Minha posição está muito mais vinculada ao que o partido representa dentro desse processo. A minha passagem pelo BRDE deixa, sem dúvida nenhuma, uma possibilidade de ser vice não só do Vieira, mas de qualquer outra vertente política. 

JC – Como analisa a política econômica adotada pelo governo Tarso Genro?

Cairoli – O governo Tarso ampliou o custo do Estado e não deu a contrapartida à sociedade. Temos uma prestação de serviço público cada vez pior. Nós não estamos pagando pedágio, mas também não temos nada. A EGR é paga também por quem não tem carro, pois é paga via impostos. Quer dizer, nesse modelo, podemos questionar se o valor do pedágio está adequado ou não, agora achar que o Estado pode construir e fazer a infraestrutura como está pretendendo o governo Tarso... Por que a presidente Dilma fez leilões de dois aeroportos com sucesso? Será que foi por ideologia? Tem que fazer uma prestação de serviço adequada para o povo brasileiro. Um estado que não paga nem o piso dos professores, porque não tem dinheiro, mas em compensação aumenta o número de funcionários, de CCs... Se não fizermos o tema de casa, como alguns estados já fizeram, não sei o que vai acontecer nos próximos anos. Porque as coisas estão acontecendo, o País está andando. Vamos olhar Santa Catarina: o que era 20 anos atrás e o que é hoje? 

JC – Os governos de Yeda Crusius e de Tarso Genro precisaram recorrer a empréstimos internacionais e a outros financiamentos, o que acabou quase esgotando a capacidade de endividamento do Estado. O que o senhor acha desse tipo de política?

Cairoli – O Estado tem que preocupar com as coisas básicas, que são saúde, educação e segurança. Tudo o que está fora disso não tem capacidade financeira para bancar. Em educação, talvez seja mais barato pagar em algumas universidades do que construir uma universidade estatal ou dos gaúchos, como tem sido feito. Inclusive o governo Lula fez isso, o então ministro (da Educação) Tarso fez isso, deu vale-faculdade. O que eu entendo que deve ser feito? O governador Tarso tem trabalhado corretamente para a redução do índice da correção do empréstimo. Qual é a finalidade? Ter mais empréstimo. Então, vamos nos endividar da mesma forma. Antes de endividar, é preciso fazer uma estrutura adequada ao tamanho que a sociedade suporta, isso foi feito por alguns estados, como São Paulo e Paraná. Acho que temos que mover mais a sociedade, não os movimentos sociais, mas a sociedade empreendedora e os empreendedores. 

JC – A legitimidade de partidos e de políticos foi questionada nos protestos de junho. Qual deve ser o impacto na eleição? 

Cairoli – Esses movimentos não tiveram dono. Houve uma insatisfação da sociedade pela prestação dos serviços públicos. Não houve um líder como existia no passado. E aí, ao longo desse período, se apresentaram algumas centrais e alguns partidos querendo tirar proveito disso. Isso não foi para ser contra a governo A ou B, foi contra a estrutura política que está no nosso País, tanto que houve depois quebra-quebra e virou bagunça, que não foi promovida pelo grupo que começou esse movimento. Agora, não tenho dúvida de que esse grupo vai saber escolher e definir o projeto político de cada um dos estados e o projeto do País, disso eu não tenho dúvida, pois eles estão latentes aí. Eles se recolheram porque virou muito mais bagunça do que protesto. Os primeiros protestos foram pacíficos, foram de indisposição, e depois virou bagunça.

JC – As mobilizações do mês de junho criticaram tanto  partidos de esquerda quanto de direita.  

Cairoli – Todos estes partidos foram governo ou são governo, entende? Então é normal que seja contra algum partido. Agora, de novo, cada partido tem as pessoas boas e as pessoas que não são boas, do mal, corruptas. Isso há em todos os partidos. Então, a revolta está na estrutura política. Nós precisamos de muitos anos de grandes investimentos para tentar chegar aonde nós devíamos ter chegado muito tempo atrás. Qual é o governador que não quer fazer investimento, ou presidente que não quer atrair investimento? Não faz porque não tem recurso. Só que naquela época do Fernando Henrique Cardoso (FHC) era feio falar em privatização, tanto é verdade que, na época, o candidato do PSDB nunca citou privatização porque o nome ficou malvisto entre os eleitores, quando na verdade a privatização gerou vários benefícios. Um muito simples: o celular, aparelho que qualquer um tem, chega a ter até dois. 

JC – O senhor se considera privatista?

Cairoli – Não, eu acho que o Estado tem que estar no lugar em que ele tem que estar. Ele tem que ser controlador, fiscalizar, mas isso não é atribuição do Estado. Quer dizer, o Estado não tem recurso pra cuidar de tudo, então ele tem que estar adequado ao tamanho que ele tem que ter. 

JC – Houve a aprovação da minirreforma política no Congresso Nacional, mas a questão do financiamento público de campanha não avançou. O senhor é a favor ou contra?

Cairoli – Acho que não houve reforma política e não acredito em reforma política com as pessoas que têm interesse nela. Não tem como reduzir (o custo das campanhas) porque, se existir o (financiamento) público, vai continuar existindo o privado. Quem mais se beneficia disso é quem está no poder. Hoje, já existe financiamento público. Todos os partidos têm, de acordo com seu tamanho, recursos públicos. Quer dizer, todos os partidos já têm suas emendas individuais. Então, o que eles não querem, alguns, é doação de campanha, porque têm controles. A empresa doadora tem que registrar. Então, qual é o problema? Eu não vejo a necessidade tão grande (de financiamento público), só que falam em reforma que não existe, não existe reforma. Aquela ideia de ter uma Constituinte (proposta da presidente Dilma, após os protestos de junho), só para isso foi interessante, pois tiraria de cena as pessoas que só têm interesses próprios. Será que está certo todos os estados terem três senadores? Será que nós precisamos de uma Câmara com mais de 500 deputados? 

JC – O senhor acha que o Senado deveria existir?

Cairoli – Eu penso que a sociedade tem que saber que isso é custo. Quando se refere à despesa, só se fala do Executivo, mas quanto  a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul cresceu em termos de custos nos últimos 20 anos? O Executivo do Rio Grande do Sul não cresceu ao longo do tempo, e os outros poderes todos cresceram. E quem paga essa conta? É a sociedade. Quer dizer, a discussão se tem que ter Senado é uma discussão que tem que ser posta na mesa. 

Perfil

José Paulo Dornelles Cairoli, 61 anos, é natural de Porto Alegre. Formou-se em Engenharia Civil pela Pucrs em 1974. Em março de 1975, ingressou na Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga S.A., como engenheiro auxiliar. Por seis anos, na década de 1980, atuou como diretor-superintendente da Comercial Farroupilha, distribuidora de combustíveis da Ipiranga. Em 1992, com Alceu Collares (PDT) governador, Cairoli foi convidado a assumir a presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), onde permaneceu até abril de 1995. Sua atuação mais expressiva na última década está relacionada à Federasul, onde foi diretor nas gestões 2000-2002 e 2002-2004. No segundo biênio do presidente Paulo Afonso Feijó, 2004-2006, tornou-se vice-presidente, passando a coordenar a Divisão de Desenvolvimento e Economia. Presidiu a Federasul de 2006 a 2012. Atualmente, preside a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil.
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