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ENTREVISTA ESPECIAL Notícia da edição impressa de 18/11/2013

Simon diz que Sartori é o principal nome do PMDB para 2014

Guilherme Kolling

MARCELO G. RIBEIRO/JC
“Querem que eu diga que eu não sou candidato (à reeleição ao Senado)”, diz Simon
“Querem que eu diga que eu não sou candidato (à reeleição ao Senado)”, diz Simon

Desde 1978, Pedro Simon (PMDB) sempre se elegeu para um dos dois principais cargos majoritários do Estado. Foi governador por quatro anos – de 1987 a 1990 – e obteve quatro mandatos para o Senado (1979-1987 e 1991-2015). Com isso, completará 36 anos consecutivos nessas funções.

Além de ter comandado a resistência à ditadura militar (1964-1985) pelo MDB, foi responsável, nas últimas décadas, pela filiação das principais lideranças peemedebistas gaúchas de hoje. Por tudo isso, aos 83 anos, Simon ainda é o líder maior do PMDB no Rio Grande do Sul.

Embora tenha se afastado da presidência do diretório estadual em 2010, sua opinião será decisiva para a definição das candidaturas do partido para 2014. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o senador aponta o ex-prefeito de Caxias do Sul José Ivo Sartori como principal nome do PMDB para disputar o Palácio Piratini.

Para o Senado, a escolha também passa por ele. Se quiser, Simon será candidato à reeleição. Mas, por enquanto, o senador não revela sua intenção. “Em 31 de janeiro de 2015 (último dia do mandato), eu faço 85 anos. Fiz o que podia, talvez não fiz tanto quanto deveria... Então, não tenho obrigatoriedade de ser candidato, o MDB está livre”, garante, reiterando que a definição será do partido.

Jornal do Comércio – A menos de um ano para a eleição, comenta-se que o governador Tarso Genro (PT) e a senadora Ana Amélia Lemos (PP) já estão em campanha ao Palácio Piratini. E o ex-prefeito José Ivo Sartori, apontado como possível candidato do PMDB?

Pedro Simon
– Se for feito um levantamento dos oito anos do Sartori como prefeito de Caxias (2005-2012), pode ir a qualquer lugar do Brasil que, guardando as proporções - São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba -, é impossível uma administração melhor que a dele. Foi fantástica. Caxias, que é tida como uma terra de colonos, de gringos, foi considerada a capital brasileira da cultura!

JC – O senhor até brinca com a imagem de “gringo”, Sartori é bastante conhecido na região da Serra. Mas essa imagem dele funciona para todo o Estado?

Simon
- Eu acho que sim, até o fato de ele mostrar as coisas que fez na prefeitura, diversas ações, o estilo que ele trabalhava vai identificá-lo com todos os prefeitos, vão dizer “esse cara entende”.

JC – E Sartori é o nome do PMDB para 2014?

Simon
– Eu acho que é o principal nome. Eu vejo assim... E também, eu vejo nomes como, por exemplo, o Paulo Ziulkoski (presidente da Confederação Nacional dos Municípios, a CNM), que é do MDB e é o maior líder municipalista do Brasil. Foi prefeito de Mariana Pimentel e fez uma administração fantástica - pagava os funcionários com a poupança que fez, diminuiu o número de secretários. E o que ele está fazendo na CNM... No tempo do Fernando Henrique (Cardoso, PSDB, 1995-2002), faziam congresso dos prefeitos (em Brasília) e, quando terminava, a discussão era para saber quantos prefeitos o FHC receberia. Desde o tempo do Lula (PT, 2003-2010), os prefeitos são recebidos pelo presidente e todo o ministério. Com a Dilma (Rousseff, PT) também. Quer dizer, os prefeitos nunca tiveram tanta força.

JC – Ziulkoski reclama que o PMDB não dá valor para ele, que não tem espaço para sair candidato a uma majoritária...

Simon
– Mas deve ter dito que o Pedro Simon é um dos que valoriza... Ele é um nome importante. Agora, o MDB tem mais. Para governador e senador... Digamos que o Sartori resolva não querer ser (candidato a governador) por causa desse negócio, do acordo nacional (com o PMDB gaúcho). O Ibsen (Pinheiro) é um nome importante, tem o Paulo Ziulkoski, o (Germano) Rigotto, o (José) Fogaça é um nome importante, temos o (deputado estadual Giovani) Feltes... Modéstia à parte, temos nomes.

JC – Mas do ponto de vista estratégico, o PMDB não está atrasado na sua escolha?

Simon
– Eu diria que sim, no sentido que o PP já está fechado com a Ana Amélia, o PT já está fechado com o Tarso... Mas tem uma diferença, por exemplo, entre o MDB e o PSDB nacional (que também está indefinido). O PSDB está uma guerra, o maior inimigo da candidatura do Aécio (Neves) é o (José) Serra. Aqui, ninguém está brigando, todos estão a disposição e quem for escolhido será candidato do MDB. O cara a favor do Sartori não fala mal do Rigotto, o cara que é favor do Rigotto não fala mal do Ziulkoski... Está certo que é bom escolher de uma vez, mas não diria que o atraso está prejudicando muito, porque não está havendo rixa interna.

JC – O senhor acha que o PMDB deve definir sua posição nacional e os candidatos majoritários até quando?

Simon
– Eu não sei nada do MDB nacional. E o MDB gaúcho, eu só sei que tem que esperar um pouco o MDB nacional.

JC – O ex-prefeito José Fogaça avaliou, em entrevista ao JC, que um dos problemas do PMDB em 2010 foi o impasse entre os diretórios estadual e nacional. Esse problema pode se repetir?

Simon
– O partido deve tomar uma decisão. Eu me afastei do comando do MDB.

JC – Uma das questões é o seu futuro político. O senhor já deu declarações sobre isso...

Simon
– Eu disse, desde a primeira declaração, que, em 31 de janeiro de 2015 (último dia do mandato), eu faço 85 anos. Considero que fiz o que podia, talvez não fiz tanto quanto deveria, mas fiz o que minhas possibilidades... Então, não tenho obrigatoriedade de ser candidato, o MDB está livre. Eu não digo que não sou candidato para amanhã ou depois não falarem “ah, mas o Simon devia ter ficado...” O MDB não está preso ao meu nome, escolhe quem quiser, ou outro partido para fazer uma frente, não tem problema nenhum. Deixei o MDB absolutamente liberado. A única coisa é que alguns querem que eu diga “eu não sou candidato”. Mas dizendo isso, estou assumindo compromisso, e daqui a seis meses “oh, anunciou...” O partido está livre para fazer o que tiver que fazer.

JC – O ex-governador Rigotto e o ex-deputado Ibsen Pinheiro dizem que não podem falar em candidatura ao Senado antes da sua posição.

Simon
– Uma posição elegante... Diria que eles estão aguardando a decisão da convenção, porque a minha não tem problema. O partido está liberado para fazer o que quiser. A única coisa é que não digo que eu não sou de jeito nenhum (candidato) para depois dizerem... Mas o que escolherem está bem escolhido.

JC - E as alianças do PMDB para 2014? O senhor gostava da coligação PMDB, PDT e PTB. Mas o PDT deve lançar candidatura própria e o PTB deve apoiar Tarso... Como fica o PMDB?

Simon
- O quadro de alianças está muito confuso. Começa com o próprio PT. O seu aliado que indicou o vice-governador (PSB) saiu fora e lançou candidato próprio. Outro aliado que faz parte do governo, o PDT, está querendo lançar candidatura própria. E o MDB, o caminho natural é ter candidatura própria. Agora, como vão ser feitas as alianças, é complicado responder. Eu não faço parte do comando partidário, tenho conversado com o presidente do partido (deputado Edson Brum) e vejo que não tem nenhum partido definido, todos estão com uma interrogação.

JC – Qual é a sua avaliação do governo Tarso Genro?

Simon
– O governador Tarso, eu acho que ele está correto, está se esforçando, está trabalhando. Mas a situação do Rio Grande está mal, é o Estado mais endividado, as obras se amarram, se amarram, não andam. Temos uma problema gravíssimo que é a Metade Sul e a Fronteira-Oeste. Eu tenho um projeto no Senado para essa região ser identificada (para receber incentivos), como tem lá no Nordeste. Essa zona tem todas as condições para crescer. Até 1930 era a grande região do Estado. Então, está na hora de sentar à mesa e ver o que fazer para a Metade Sul e a Fronteira. Quantos deputados tem na metade Norte e quantos tem na Metade Sul? Deve ter uns 15 na Metade Sul e 40 na metade Norte.

JC – O governador cita o polo naval de Rio Grande como fator de desenvolvimento da região.

Simon
– Sim, mas é uma coisa isolada. O polo, ótimo, nota dez, mas nem é coisa do Tarso, isso vem lá do governo Rigotto, do (Luís Roberto) Ponte (secretário de Desenvolvimento), porque não era para ser aqui, o polo era só lá em cima. Fizeram um esforço, e o governo federal concordou em fazer.

JC – Retomando a questão do PMDB nacional e regional, a vinda do vice-presidente Michel Temer ao Estado pode acelerar as definições para 2014?

Simon
- Michel tem tido uma atuação que respeito muito na vice-presidência da República. O Marco Maciel (DEM) somou ao Fernando Henrique (PSDB), homem correto, digno, mas não teve atuação política no governo. O vice do Lula (José Alencar) teve um papel importante por ser um dos maiores empresários brasileiros, então, abriu as portas, fez com que muitos empresários conhecessem o Lula. Mas não teve participação no governo. Já o Michel tem atuado muito com a presidente Dilma (Rousseff, PT), junto ao MDB e ao próprio PT, tem ajudado a buscar entendimentos, soluções. Então, a vinda dele ao Rio Grande do Sul é importante. Agora, o fato novo é que o (senador paranaense Roberto) Requião registrou a candidatura dele no MDB (à presidência da República) e disse que vai disputar a convenção como candidato.

JC – Isso pode prosperar?

Simon
- Não sei. Da outra vez ele foi candidato até o fim, mas chegou na hora e não foi candidato. Agora não sei, é um fato novo.

JC – O senhor considera Temer o grande articulador político da presidente Dilma?

Simon
– Está dando uma força danada para Dilma, até com o PT. Então, diria que é, sim. No PT, não há articulador, são dez correntes, cada uma querendo para si.

JC – Qual é a sua avaliação do governo Dilma?

Simon
– Recebi com alegria o início do governo Dilma - eu votei nela; no primeiro turno, votei na Marina -, quando começaram a aparecer notícias de corrupção envolvendo ministros. E ao contrário do FHC e do Lula, que nunca demitiram ninguém, ela demitiu sete ministros. Apareceu fato, botou para fora. Fizemos um movimento de senadores para apoiá-la nas grandes decisões, para ela não precisar fazer o troca-troca - votar emenda, nomear cargo aqui, lá... Fizemos um grupo para dizer: “Não queremos nada, tenha independência para fazer o que tiver que fazer”. Mas, daí a alguns meses, integrantes do grupo foram indicados para posições importantes no Senado e morreu o negócio... Dilma começou bem, mas ela parou um pouco, depois levou um susto com a pesquisa, e aí o Deus dela passou a ser o (marqueteiro João) Santana e fez coisas inclusive que são negativas. Ela está em campanha. O PSDB não sabe nem quem é o candidato.

JC – Não é o Aécio o candidato do PSDB?

Simon
– O Aécio é o candidato, mas o Serra está dizendo que vai disputar a convenção. Então, não tem candidato. O próprio PSB, Eduardo Campos já é candidato, mas se chegar por maio, junho do ano que vem e a Marina tiver um percentual alto... A oposição não tem candidato efetivo, só tem um candidato hoje que está a pleno vapor, que é a presidente.

JC – E o cenário nacional pós-protestos de junho?

Simon
– Do Legislativo, do Executivo e do Judiciário não sai nada de fonte própria, só por pressão popular. No ficha limpa, numa terça-feira, houve um debate no Senado em que diziam “é um escândalo, absurdo”. Na quarta-feira, a gurizada lotou a frente do Congresso e, 24 horas depois, foi aprovada a ficha limpa por unanimidade no Senado. Isso mostra que, quando há participação da sociedade, tem condições de mudar. Esse movimento (de junho) estava no mesmo caminho das Diretas Já, mas começou a mudar quando apareceram os mascarados, com a conivência ou omissão do governo. Eu assisti aos caras depredando o Palácio do Itamaraty, os jovens tentando impedir e a polícia de braço cruzado. E agora, que estão privatizando a Petrobras, há uma desconfiança muito grande. Só depois do leilão (de Libra) disseram que iriam intervir. Então, é um fato nebuloso, fico desconfiado com o negócio dos mascarados. Esse movimento afastou, os caras se assustaram, voltaram para casa...

JC - E o mensalão?

Simon
- É um fato inédito na história do Supremo, é a primeira vez que presidente de banco, ministro e gente rica vão para a cadeia. É um novo Supremo Tribunal Federal.

Perfil

Pedro Jorge Simon é natural de Caxias do Sul e tem 83 anos. Advogado e professor universitário, foi líder estudantil e vereador, a partir de 1960, em sua cidade natal. Em 1962, assumiu como deputado da Assembleia Legislativa, permanecendo por quatro mandatos, até 1978, quando se elegeu senador pela primeira vez. Simon foi um dos líderes do MDB, partido de oposição ao regime militar e coordenou a campanha Diretas Já. Em 1986, venceu as eleições para o governo do Estado, que comandou de 1987 a 1990. Desde então, é senador - seu atual mandato vai até janeiro de 2015. Nas eleições de 2006, foi eleito com 1.862.560 votos. No governo de José Sarney, foi ministro da Agricultura (1985 a 1986) e liderou o governo Itamar Franco no Senado, quando aprovou o Plano Real no Parlamento. Também teve sua atuação no Legislativo marcada pela CPI que levou ao impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, no início dos anos 1990. Simon ainda coordenou a CPI dos Anões do Orçamento. O senador foi presidente do PMDB no Rio Grande do Sul até 2010, quando renunciou ao cargo após as eleições.

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