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Teatro Antônio Hohlfeldt
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Teatro

Coluna publicada em 27/09/2013

Leituras de Zanotta: o caos contemporâneo

Em boa hora a Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria Municipal de Cultura resolveu promover uma semana em torno da obra dramática de Júio Zanotta Vieira, ou simplesmente Júlio Zanotta, como ele se assina.

É provável que Zanotta seja hoje pouco conhecido ou até desconhecido. Mas aqueles que viveram os anos 1970 e 1980 em Porto Alegre sabem muito bem que Zanotta foi quem iniciou o grupo Ói nóis aqui traveiz, com uma dramaturgia que quebrava convenções e deixava muito apreensivas as autoridades policiais de então. Tive a oportunidade de acompanhá-lo desde aquele tempo inicial. Zanotta tornou-se também diretor de teatro e chegou a encenar, por exemplo, O café, o libreto poético da ópera de Mário de Andrade. O texto ou roteiro da encenação ficou perdido nas páginas das edições das obras completas do grande poeta e crítico do modernismo paulista. Zanotta retirou o texto do esquecimento e promoveu uma bela montagem num acanhado espaço - na verdade, um longo corredor - alugado em um prédio da Ramiro Barcelos entre a Cristóvão Colombo e a Farrapos. Ir ao espetáculo, embora liberado pela censura de então, era um pouco como ir à clandestinidade.

Júlio Zanotta foi sempre irrequieto e criativo. Tornou-se escritor, editor de suas próprias obras e assim acabou se tornando presidente da Câmara Rio-grandense do Livro. A instituição respirou novos ares e alçou-se a iniciativas múltiplas que são hoje sua marca.

Mas, de repente, Zanotta desapareceu. Soube-se, depois, que viajou, isolou-se em ilhas, correu mundo, pirou e retornou. Há poucos anos tivemos uma espécie de reestreia do dramaturgo, com um texto que promovia certa paródia de Shakespeare. O ciclo de leituras de suas obras mais recentes, todas inéditas, movimentou a Sala Álvaro Moreira em dinâmicas noitadas. Zanotta aproveitou para lançar edições quase artesanais desses textos. E a gente reencontra o artista em plena forma, mais provocador do que nunca, trabalhando ora a paródia de personagens de textos conhecidos, ora refletindo a respeito de personagens históricos ou da cidade. Assim são os casos de Ulisses no país das maravilhas - glosa do personagem grego em face da personagem de Lewis Carroll, reunindo um escritor viciado em crack e uma jovem mulher absolutamente paranoica em meio a uma revolução (antecipação de junho, em nossas ruas?). Ou então, Baudelaire, em que o dramaturgo retoma os últimos dias do poeta, para refletir a respeito de sua marginalidade criativa. Luiza Felpuda recria a personagem de um conhecido travesti da cidade, descendente de ilustre família política do estado, que mantinha uma casa de encontros para homossexuais, isso em plenos anos 1960. Felpuda foi assassinado por um jovem amante.

De modo geral, os contextos escolhidos por Zanotta são estes: apocalípticos, como se vê em O homem jaguar pássaro serpente, que se passaria num Peru contemporâneo, em que um deus retorna para tentar salvar seu povo do extermínio, mas ele mesmo é sacrificado. Ou em Louco, situação radical de um casal que se encontra em um hospício, absolutamente sem qualquer esperança. Aliás, esta pode ser a primeira impressão de quem ler ou assistir aos textos do dramaturgo: parece que ele é absolutamente cético quanto a uma saída para o ser humano. Mas ele escreve, apesar de tudo, e com isso evidencia que acredita, sim, em alguma redenção.

As leituras dos textos de Júlio Zanotta foram importantes, antes de mais nada, para que se conhecesse estes trabalhos. De outro lado, isso remedia a dificuldade de montagem de seus textos, pelos contextos em que as ações dramáticas ocorrem. Excelente iniciativa, um bom momento de reencontro com um nome de referência de nossa literatura e de nosso teatro.

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