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TEATRO Notícia da edição impressa de 11/09/2013

Ói Nóis Aqui Traveiz participa do 20º Porto Alegre em Cena

Michele Rolim

PEDRO ISAIAS LUCAS/DIVULGAÇÃO/JC
Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estreia Medeia vozes
Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estreia Medeia vozes

O novo espetáculo da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz parte do mito de Medeia. A personagem que o coletivo de artistas apresenta aos espetadores é muito diferente da presente na obra de Eurípedes. Medeia vozes será encenado dentro da programação do 20º Porto Alegre em Cena, com apresentações de hoje a 15 e de 18 a 22 de setembro, sempre às 19h30min, na Terreira da Tribo (Santos Dumont, 1.186).

Por mais de dois mil anos, uma das mais poderosas mulheres da mitologia grega sempre foi acusada de atrocidades, como matar seu irmão Apsirto para fugir com Jasão, que a abandona para se casar com Gláucia, filha do rei. Mas o pior ainda está por vir: Medeia mata seus filhos com o intuito de causar o máximo de dor a Jasão.

Tendo como principal referência o romance homônimo de uma das mais notáveis escritoras alemãs, Christa Wolf, o Ói Nóis descontrói e reconstrói a personagem da mitologia grega. Em Medeia vozes, a autora retoma uma versão antiga e desconhecida do mito, apresentando uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa.

Para a Terreira, Medeia é uma mulher que está na fronteira entre dois sistemas de valor, corporizados, respectivamente, pela sua terra natal (Cólquida) e pela terra para a qual foge (Corinto). Ela é retratada como uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição. Algo como um bode expiatório. “Mostramos uma sociedade que elege alguém como culpado para se sentir aliviada das responsabilidades”, argumenta Tânia Farias, que interpreta a personagem. Este é o último trabalho do grupo, aliás, com patrocínio da Petrobras.

A atriz explica que, indo além do texto de Christa, são apresentadas na peça vozes reais de mulheres contemporâneas que poderiam muito bem ser as Medeias da atualidade, que enfrentaram, de diferentes maneiras, a sociedade patriarcal em várias partes do mundo. Os cinco depoimentos aparecem no espetáculo. Em cena, estão as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo (1871-1919) e Ulrike Meinhof (1934 -1976), a primeira conhecida por sua adesão à social-democracia e suas ideias, enquanto a segunda foi uma jornalista, ativista e guerrilheira mais conhecida como fundadora e integrante da organização armada de extrema-esquerda Fração do Exército Vermelho (RAF), atuante na Alemanha Ocidental por três décadas.

Aparece ainda a somali Waris Dirie, que teve sua história contada no livro Flor do deserto e virou filme com o mesmo nome. Ela denunciou a mutilação genital das mulheres. Waris nasceu num vilarejo da Somália e foi circuncidada aos cinco anos. Ela é fundadora de uma organização que leva seu nome e embaixadora da ONU contra a mutilação feminina. Também há um tocante depoimento da indiana Phoolan Devi (1963-2001), estuprada repetidamente. Ela escapou, formou sua própria gangue e retornou para se vingar. A gangue executou, sob suas ordens, 21 homens a tiros de metralhadora. Devi se transformou em heroína para os indianos mais pobres e foi presa.

Depois de sua libertação, tornou-se membro do parlamento em 1996 e virou assunto de vários livros e de um filme premiado, A rainha bandida. Por último, surge em cena a boliviana Domitila Chungara, que lutou contra as ditaduras militares que governaram a Bolívia entre 1964 e 1982. Sua indignação contra os militares custou a vida de seu filho que morreu ao nascer em uma cela, sem auxílio e vítima dos chutes e golpes dos militares.

Para o grupo, é preciso entender Medeia “não como alguém que sai atrás de um homem que ama, e sim como uma pessoa que, por não poder mais viver naquele país, em razão de se opor ao regime vigente, foge para não ser assinada”, afirma.

Esse sentimento de exílio e do ser estrangeira o Ói Nóis foi buscar em entrevistas com refugiados, como os haitianos que estão no Brasil. “Tu sais de um lugar deixando suas referências por um motivo muito forte, para sobreviver, escapando de uma violência”, aponta Tânia.

A atriz, responsável por interpretar mulheres fortes nos espetáculos da Terreira, desejava ser Gláucia neste. “Eu queria interpretar a mais frágil de todas, mas o coletivo decidiu que eu seria Medeia”, conta, dizendo que tinha receio de que a personagem fosse parecida com Kassandra (personagem anterior, de outra peça). “Descobri que Medeia é muito mais solar que Kassandra”, completa.

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, com a montagem, dá continuidade ao Projeto raízes do teatro e segue uma linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea, que já trabalhou com mitos que resultaram em vários espetáculos.
No estilo de teatro-vivência do grupo, um dos mais representativos do Estado e com projeção nacional, é oferecida aos espectadores, em 3h30min, uma itinerância pela sede da Terreira. “Queremos proporcionar um outro lugar, somos uma comunidade que pode se dissolver nos instantes seguintes, mas naquele momento estamos todos juntos vivenciando algo”, conclui Tânia.

Medeia vozes

da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. De hoje a 15 e de 18 a 22 de setembro, sempre às 19h30, na Terreira da Tribo (Santos Dumont, 1186). Ingressos R$ 20,00 e R$ 40,00.

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