Porto Alegre, sexta-feira, 13 de dezembro de 2019.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
31°C
33°C
17°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 4,0920 4,0940 0,67%
Turismo/SP 4,0800 4,3220 0,13%
Paralelo/SP 4,0900 4,3100 0,23%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
109096
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
109096
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
109096
Repita o código
neste campo
 
 
imprimir IMPRIMIR

Trânsito Notícia da edição impressa de 22/08/2013

Carroças e carrinhos começam a ser retirados das ruas de Porto Alegre a partir de setembro

Jefferson Klein

ANTONIO PAZ/JC
Adesão ao Programa prepara os carroceiros para o exercício de outras profissões
Adesão ao Programa prepara os carroceiros para o exercício de outras profissões

Uma ação que tem como principal mote a questão social também trará reflexos positivos para a logística de Porto Alegre. A partir do dia 1 de setembro começa a proibição da movimentação de carroças (tração animal) e carrinhos (puxados por pessoas) em uma parte da cidade. Posteriormente, até 2016, a medida será estendida para todo o município.

A restrição começará na chamada Zona 01, que abrange o cruzamento das avenida Edvaldo Pereira Paiva com a Ipiranga, seguindo até a Antonio de Carvalho, Bento Gonçalves e terminando na divisa com o município de Viamão até a zona Rururbana/Periférica delimitada pelos bairros Ponta Grossa, Chapéu do Sol, Restinga e Lomba do Pinheiro.

Com a proximidade do impedimento e para não deixar desamparados os carroceiros e carrinheiros que recolhem os resíduos sólidos urbanos para se sustentarem, a prefeitura desenvolveu o programa Todos Somos Porto Alegre. A iniciativa propicia cursos de qualificação para essas pessoas buscarem novas ocupações, podendo ser na área de reciclagem ou em outra. Até julho deste ano, cerca de 1,1 mil trabalhadores foram habilitados para participarem das atividades em segmentos como marcenaria, informática, construção civil, elétrica, artesanato e até mesmo culinária.

São mais de 40 opções ministradas pelas entidades do sistema S, com recursos do Pronatec Celulose Riograndense, da Secretaria Municipal do Trabalho e Emprego e de outros parceiros. Uma das companhias que está apoiando a iniciativa é a petroquímica Braskem. Ao ingressarem no programa, os interessados podem participar das qualificações profissionais com bolsa família. Os beneficiários recebem de R$ 400,00 a R$ 460,00 mensais pela frequência dos cursos de meio turno. Os cadastrados podem ainda entregar suas carroças e carrinhos e serem indenizados.

O catador que for estabilizado em seu emprego ou inserido em um novo empreendimento terá concluído sua participação no programa. Os treinamentos para qualificação iniciaram em 2010 e já formaram mais de 500 pessoas. A iniciativa prevê uma verba total de R$ 18 milhões, a ser usufruída nos próximos três anos, metade financiada pelo Bndes.

A gerente-executiva do Todos Somos Porto Alegre, Denise Souza Costa, afirma que as qualificações, geralmente, são feitas nas regiões nas quais os carroceiros e carrinheiros moram. Entre os locais que foram ou serão abrangidos estão os bairros Glória, Parternon e Lomba do Pinheiro. Denise detalha que muitas dessas pessoas têm baixa escolaridade e não conseguem se integrar nos aperfeiçoamentos que estão sendo oferecidos.

“Então, a Secretaria do Trabalho e Emprego faz cursos específicos para esse público, de preparação para mundo do trabalho”, informa a dirigente. Ela admite que há obstáculos a serem superados para os carroceiros e carrinheiros alcançarem a chamada inserção produtiva. “A pessoa precisa mudar de hábitos, de horários”, ressalta a gerente. Ela acrescenta que no decorrer do processo de qualificação observaram-se alguns abandonos de cursos. Por isso, foi estabelecida uma “bolsa de formação” para que as pessoas permanecessem nas aulas.

Depois dessa etapa, a próxima restrição à circulação de carroças e carrinhos será na Zona 02. Essa área abrange o cruzamento das avenidas Ipiranga com Salvador França, seguindo por essa última via, avenida Senador Tarso Dutra, Carlos Gomes, Augusto Meyer, Dom Pedro II, Souza Reis, rua Edu Chaves, avenida dos Estados, terminando na divisa com Canoas. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) será a pasta responsável pela fiscalização. Ainda faltam ser definidos os detalhes sobre as penalidades a quem não respeitar a legislação.

Para especialistas, medida trará mais segurança para o trânsito da Capital

Além das mudanças sociais, o trânsito em Porto Alegre será favorecido com a proibição da circulação de carrinhos e carroças. A consultora de logística e professora do Curso Tecnólogo em Logística da Ulbra, Dalva Santana, salienta que a iniciativa aumentará a segurança no tráfego.

Dalva diz que deverá ocorrer uma fluidez maior. “Tudo se encaminha para que também sejam estipulados horários específicos para caminhões e carros, uma maior organização”, projeta a consultora. Ela cita o excesso de automóveis e a movimentação de caminhões em vários horários como outros fatores que dificultam a circulação, assim como veículos velhos em péssimo estado de conservação. “São carros mais lentos e que estragam no meio das vias frequentemente.”

O consultor em engenharia de trânsito Mauri Panitz concorda sobre a dificuldade que a movimentação de uma carroça implica. “A carroça cria problema, agora, qual o nível disso, não há estudos”, diz Panitz. O consultor destaca que em uma avenida, na qual uma carroça esteja circulando, facilmente é possível perceber o congestionamento. Ele explica que quando existe mais de uma faixa de tráfego, para haver um bom escoamento, é preciso operar com velocidades médias próximas. “Uma faixa pode ter movimentação a 50 Km/h, a outra a 40 Km/h, mas não pode ser algo muito distante”, diz.

Ele adverte que se houver uma carroça circulando a 10 quilômetros por hora, por exemplo, a média ficará muito abaixo, o que congestionará o trânsito. Em uma situação como essa, os veículos buscam fazer a transposição de faixas para ultrapassar a carroça, o que causa a perturbação de tráfego. Além de atrasar a circulação, isso pode gerar acidentes. O consultor lamenta ainda que em Porto Alegre falte um melhor planejamento quanto ao estacionamento para os veículos leves e os de carga, que abastecem a cidade.

Alcançar o público alvo é um desafio a ser superado pelo programa social

ANTONIO PAZ/JC
Denise recorre a várias formas de divulgação do programa de qualificação

Levar ao conhecimento dos carrinheiros e carroceiros que há uma alternativa para que eles troquem de ofício, é uma das dificuldades que o Todos Somos Porto Alegre precisa enfrentar. O carrinheiro Gabriel da Silva Amaro, de 27 anos, é um dos que não sabia que vigora uma lei que irá proibir a circulação de carroças e carinhos e que existe um programa de qualificação para encaminhá-lo para outra profissão.

Apesar de estar planejando mudar-se para Torres e receber o benefício do bolsa família, Amaro se diz preocupado com a restrição, porque é do carrinho que ele tira a renda para sustentar a família. Ele recolhe materiais como garrafas PET e papelão e consegue pelo menos R$ 20,00 diários e, “em dias bons”, ultrapassa o patamar de R$ 100,00. O carrinho usado por Amaro, que há seis anos faz esse serviço, pertence a um depósito localizado na Vila Santa Terezinha (antiga Vila dos Papeleiros).

Em contrapartida ao empréstimo do carrinho, Amaro entrega para o depósito o material recolhido. Sobre a participação em um curso de qualificação para trocar de profissão, Amaro é cauteloso: “eu teria que ser informado do que se trata”.

A gerente-executiva do Todos Somos Porto Alegre, Denise Souza Costa, afirma que várias ações estão sendo tomadas para difundir a iniciativa. “Estamos divulgando o programa de várias formas, até com carro de som quando fazemos alguma ação maior em determinada região”, destaca. Além disso, são distribuídos folders e feitas reuniões com as lideranças da comunidade. Também serão formadas equipes de busca nas ruas para informar sobre o assunto, o que acontecerá em áreas como Glória, Cruzeiro, Cristal, Sul, Centro-Sul, Partenon e Lomba do Pinheiro. “Temos ainda em cada região um centro administrativo regional, ligado à Secretaria Municipal de Governança Local”, diz Denise.

Apego ao cavalo torna mais difícil o abandono do ofício de carroceiro

O cavalo é uma figura ligada intrinsecamente à cultura gauchesca. Algo semelhante acontece com os carroceiros. Devido a essa característica, a gerente-executiva do Todos Somos Porto Alegre, Denise Souza Costa, acredita que será mais complicado para o carroceiro mudar de profissão do que para o carrinheiro.

Ela comenta que durante as ações desenvolvidas pelo programa, foi possível perceber que o carroceiro tem uma tradição muito forte em relação ao cavalo. “Acho que para eles imaginarem não terem mais aquele animal é como se alguém perdesse o seu cachorro”, argumenta a gerente. Claro que não são todos os carroceiros que têm esse apreço pelo cavalo. Alguns, inclusive, maltratam os bichos.

Nesses casos, Denise recorda que há um acordo com o Ministério Público, prefeitura e governo do Estado para coibir essa prática. São realizadas blitze para evitar os maus tratos aos animais, com a participação de agentes da EPTC, Brigada Ambiental e veterinários. Quando esses profissionais identificam que o cavalo não tem condições de seguir trabalhando, é feito o recolhimento para um albergue no bairro Lami, mantido pela EPTC. Lá o animal recebe tratamento e, posteriormente, é doado para algumas instituições. “Cada vez mais, o carroceiro sabe que se não cuidar do animal, irá perdê-lo”, conclui Denise.

Vice-prefeito enfatiza que a lei obriga o poder público a criar políticas de inclusão

A lei que proibe a circulação de carroças e carrinhos foi sancionada em 2008, entretanto foi regulamentada apenas em 2010. Conforme o autor da lei e atual vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, a regra nasceu pela falta de vontade política para enfrentar a questão. O dirigente reitera que o recolhimento do lixo é um serviço público, cujos custos estão inclusos nos tributos municipais, e quem está fazendo essa função, no momento, são terceiros (carrinheiros e carroceiros).

Melo recorda que quando assumiu o cargo na Câmara de Vereadores havia muitas discussões sobre os carroceiros e carrinheiros, de como encontrar uma solução de inserção social. “Houve uma permissibilidade do poder público quanto ao carroceiros e carrinheiros fazerem um trabalho que é do poder municipal”, aponta o vice-prefeito. Conforme o político, na época oposicionista, “o espírito da lei foi colocar de certa forma uma canga no poder público, para que se criassem políticas de inclusão”.

O dirigente chama a atenção que, atualmente, já é possível perceber a diminuição do número de carroças circulando pela Capital. Um dos motivos, segundo ele, é que vários carroceiros sabem que a atividade será proibida em breve. Segundo o vice-prefeito, mesmo sem os carroceiros e carrinheiros, não haverá alteração no processo de recolhimento do lixo do município, a prefeitura não terá gastos extras e não cobrará a mais do contribuinte. Ele salienta que os carroceiros e carrinheiros normalmente chegam antes do caminhão do lixo e, por isso, os veículos não recolhem todos os detritos. O dirigente admite que a transição pode ser tortuosa para muitas das pessoas envolvidas. Porém, ele considera algo necessário. “A vida em uma cidade requer organização e regras.  Às vezes elas doem, mas elas são regras e precisam ser cumpridas”, defende Melo.

COMENTÁRIOS
beto moesch - 22/08/2013 - 12h24
Muito bom, completo e isento. Parabéns!


Naor Nemmen -
22/08/2013 - 19h53
Parabéns pela reportagem ampla e completa. Sonho com o dia em que consiga sair às ruas sem ver cavalos maltratados, velhos, doentes... às terças-feiras e sextas-feiras pela manhã, tento nem sair de casa, pois é o dia do lixo reciclável, e o show de horrores é maior do que nos outros dias. Novamente, parabéns pela matéria!


Vere -
22/01/2016 - 21h16
Hoje, 22 de janeiro de 2016, estamos há 233 dias do prazo final para proibição da circulação de carroças em Porto Alegre. Parabéns a todas protetoras e voluntários que desde 2004 se empenharam na apresentação, aprovação e implementação desta lei.

imprimir IMPRIMIR
TEXTOS RELACIONADOS
Biavati diz que acidentes têm de  ser vistos como questão de  saúde pública
Acidentes com motos geram conta de R$ 12 bilhões
As características da cidade influenciam o planejamento
Porto Alegre é uma das capitais com mais semáforos no País
Porto Alegre tem o terceiro serviço mais caro do País, perdendo apenas para São Paulo e para o Rio d
Preço do estacionamento na Capital sobe o triplo da inflação em 12 meses
Agravamento do trânsito altera o comportamento dos motoristas