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cultura Notícia da edição impressa de 12/08/2013

Kwame Appiah discute globalização no Fronteiras do Pensamento

Alexandre Lucchese

DAVID SHANKBONE/DIVULGAÇÃO/JC
Filósofo Kwame Appiah é atração hoje do curso de altos estudos
Filósofo Kwame Appiah é atração hoje do curso de altos estudos

Quando Kwame Anthony Appiah fala em temas como globalização e diversidade cultural não são apenas construções teóricas que estão em jogo. Nascido na Inglaterra, criado em Gana e radicado há vinte anos nos Estados Unidos, o pensador sentiu, a partir de sua própria experiência que, antes de pertencer a qualquer cultura, todo indivíduo é um ser global. Ph.D. em Filosofia pela Universidade de Princeton, Appiah realiza conferência sobre este e outros temas hoje, a partir das 19h30min, no Salão de Atos da Ufrgs (Paulo Gama, 110). O evento faz parte do ciclo de estudos Fronteiras do Pensamento. Os ingressos para o evento estão esgotados.

Cultura e ética são os focos principais de estudo de Appiah, que ganhou muita visibilidade ainda no início dos anos 1990, quando seu livro Na casa de meu Pai causou polêmica pela veemente oposição aos estudiosos africanistas da época. No momento em que a globalização passava a ser criticada e acadêmicos buscavam ações para preservar uma cultura africana “pura”, livre de influências externas, Appiah tratou de lembrar que uma tradição encerrada em si tende a não evoluir e se extinguir. Mais que isso, o filósofo afirmou que o diálogo com outras culturas não era apenas inevitável como, até mesmo, desejável.

“Appiah vê com bons olhos o processo de globalização porque entende que o indivíduo precede a cultura e pode ter uma posição crítica frente a esta, trazendo modificações para o benefício da humanidade”, explica Donaldo Schüler, consultor acadêmico do Fronteiras do Pensamento. Schüler aponta o fim da tradição milenar de enfaixamento e mutilação de pés das mulheres chinesas para fins estéticos como um exemplo destes benefícios: “O comportamento começou a ser criticado por estrangeiros que visitavam a China. Inicialmente houve uma resitência cultural contra a ocidentalização, até que um movimento interno chinês contra a prática surgiu, de modo que aquilo que era um elemento de identificação cultural foi reconhecido como algo negativo e posteriormente superado”, resume.

Apesar do olhar despido de preconceito sobre a globalização, o teórico anglo-ganês em momento algum condena o desenvolvimento de identidades regionais ou nacionais. Ao contrário, Appiah aponta a importância disto: “a vontade de se envolver com outras sociedades latino-americanas molda as políticas externas dos países da sua região. Pode ser uma força para o bem”.

O filósofo destaca que identidades também podem ser geradoras de senso de responsabilidade. “Acho, particularmente, que um patriota é alguém que se preocupa com a honra de seu país, de ser cidadão de uma nação que tem direito ao respeito de outras. E isso significa que, quando seu país faz coisas boas, você pode apoiar aqueles que as fazem, e, quando o seu país faz coisas ruins, você pode tentar fazê-los parar”, explica.

Um código de honra

Kwame Appiah dá continuidade ao exame do diálogo intercultural em seu mais recente livro, O código de honra: como ocorrem as revoluções morais. Editado no Brasil pela Cia das Letras em 2012, a obra trata de questões éticas e morais de ação e comportamento. “A filosofia de hoje deixou de pensar apenas sobre categorias intemporais para se preocupar efetivamente com situações do dia a dia, e aí há espaço uma ética do cotidiano”, contextualiza Schüller.

No livro, o autor reconhece os avanços culturais e o advento de muitas “revoluções morais” ao longo da história, ou seja, mudanças rápidas de antigos padrões de comportamento. Ao mesmo tempo, o filósofo também aponta uma série de condutas que, segundo ele, serão encaradas num futuro próximo como intoleráveis e vergonhosas. O tratamento abjeto dado a animais destinados à indústria da carne, a situação degradante de penitenciárias em vários países e a desigualdade e má distribuição da riqueza gerada no mundo seriam algumas destas práticas.

Mas a lista não termina aí. Appiah também foca sua atenção sobre os preconceitos de gênero, como a discriminação sofrida por homossexuais e mulheres. Nessa discussão, o filósofo outra vez não teme polêmica e mantém coerência entre pensamento e vida pessoal, tornando pública sua homossexualidade depois de ter ido morar na América do Norte.

“Brasil e os Estados Unidos avançaram um pouco nas questões de gays e lésbicas, mas em muitos países, o debate ainda é muito pequeno ou extremamente homofóbico. A desigualdade de gênero também deve ser mais discutida em todos os lugares, principalmente em grande parte do Oriente Médio e na Ásia”, avalia, ao lembrar que muitas mulheres ainda são torturadas e mortas por questões de honra em países com Irã e Paquistão.

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