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Cinema Hélio Nascimento
hr.nascimento@yahoo.com.br

Cinema

Coluna publicada em 24/05/2013

A irmã

O cinema brasileiro tem encontrado, nos últimos anos, um caminho que o tem levado a momentos expressivos: o documentário, este gênero no qual se concentram sua origem e sua essência. Enquanto o filme de ficção esbarra em imaturidades e pretensas inovações, o documentário, com João Moreira Salles e Eduardo Coutinho à frente - e é bom lembrar que estes nomes não são os únicos - tem enriquecido nossa cinematografia com alguns títulos significativos. Os dois últimos trabalhos de Salles, Nelson Freire e Santiago, são obras notáveis, sendo que o dedicado ao mordomo, pela sua originalidade e realização, é um dos mais admiráveis do gênero em qualquer época, sem limitações de nacionalidade. E o de Coutinho reúne e involuntariamente propõe várias histórias à espera de um roteiro. Nesses três filmes está concentrada a ideia principal: cinema é, antes de tudo, personagens, seres humanos focalizados por uma câmera. Qualquer pesquisa formal, qualquer proposta inovadora, qualquer descoberta, tudo perde valor quando se afasta do humano e abandona o personagem. Nos filmes de Salles, há um personagem em torno do qual tudo se organiza. No de Coutinho, o painel é amplo, mas a proposta é a mesma.

Em Elena, a realizadora Petra Costa retoma uma das ideias de Santiago, na medida em que realiza um relato na primeira pessoa. Eis um trabalho que é também uma carta à irmã morta. Uma carta da diretora. No filme de Salles, tratava-se do distanciamento entre o narrador e a figura do mordomo da família, algo que propiciava ao cineasta meditar sobre relacionamentos sociais e sobre espaços vazios criados entre indivíduos. Agora, no entanto, se trata de algo ainda mais denso: o sentimento de perda, que vem acompanhado por uma tentativa de compreensão do ato de maior radicalismo: o suicídio. Alcançar a compreensão ampla de uma vida é tarefa complexa, limitada por uma série de barreiras. E quando tal tarefa vem acompanhada por sentimentos pessoais de grande intensidade, a subjetividade e o sofrimento certamente são obstáculos difíceis de serem ultrapassados. Mas certamente tais empecilhos não anulam a força dos depoimentos, mesmo porque alguns elementos expostos durante a narrativa são sinais reveladores, mesmo que estejam a merecer maior atenção da cineasta.

Elena, sem qualquer dúvida, é um documentário repleto de virtudes. Ao utilizar filmes domésticos, no qual parte da história da família aparece, a realizadora parte da imagem para tentar elucidar os acontecimentos reconstituídos pelo cinema. Começa no exterior para chegar ao que está oculto ao primeiro olhar. A irmã que vai para os Estados Unidos, a fim de tentar uma carreira no teatro e no cinema, de certa maneira dá continuidade à trajetória da mãe, que também ambicionava ser atriz. Parece ser uma tentativa de alcançar aquilo que não foi antes conseguido. É como se a filha tentasse concretizar o sonho materno. A ênfase dada em muitas passagens à figura da mãe contrasta com a quase ausência do pai. A respeito deste, somos informados que ele havia voltado dos Estados Unidos, um cenário dominante durante toda a narrativa, marcado por idéias que quase o transformam num ativista contra o regime militar. E há o divórcio e também uma ligeira referência, quando a realizadora nos informa que o pai não consegue falar sobre a filha morta. São esses os temas dos quais o filme certamente ganharia se deles mais se aproximasse. Elena não deixa de ser comovente e preciso em muitos momentos e utiliza com perfeição certos recursos para criar um clima de grande dramaticidade, principalmente no trecho em que reconstitui, utilizando imagens e palavra, a dor e o sofrimento da mãe ao deparar com a filha em seus últimos momentos. Trata-se de mais um filme a falar sobre a angústia causada por sonhos desfeitos, pela derrota das fantasias diante das leis da realidade. E também de um relato sobre personagens vivendo nas cinzas no que antes havia sido o cenário familiar. Ao relato podem faltar algumas respostas, mas estão presentes perguntas essenciais.

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