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ENERGIA Notícia da edição impressa de 24/04/2013

Rio Grande do Sul terá 55 parques eólicos até 2017

Rodrigo Borba

FREDY VIEIRA/JC
Feira em Porto Alegre discutirá energias renováveis, afirma Bäumle
Feira em Porto Alegre discutirá energias renováveis, afirma Bäumle

O Rio Grande do Sul terá, até janeiro de 2017, 55 parques eólicos, com capacidade de produção de 1.419,8 megawatts (MW) – praticamente o triplo da atual. O investimento total previsto é de R$ 4 bilhões. Hoje, são 15 parques com capacidade de 460 MW. O Estado é o segundo em potência instalada (com 22,5% do total), apenas atrás do Ceará.

A expansão está relacionada ao fato de o governo estadual ter escolhido a energia eólica como um dos principais vetores de sua política industrial. Pesaram para a decisão aspectos como a estrutura das redes de transmissão e distribuição de energia elétrica, o nível de industrialização e, é claro, o alto potencial de incidência dos ventos no território gaúcho.

O Executivo realiza também uma pesquisa sobre outra forma de aproveitar a “força dos ventos”. A ideia do projeto, desenvolvido na Ufgrs e na Pucrs, é utilizar aerogeradores de pequeno porte. Contudo, o foco não está restrito à energia eólica, abrange outras fontes de energia limpa. Também existem, por exemplo, estudos de biogás e energia fotovoltaica (solar). Em nível nacional, até 2020, a União irá investir US$ 63 bilhões na expansão de energias nacionais.

Diante desse cenário positivo, Porto Alegre recebe, entre os dias 27 e 29 de novembro, no Centro de Evento da Fiergs, a Renex (Renewable Energy Exhibition) South America, uma feira internacional de energias renováveis. “O Brasil é a bola da vez em termos de investimento, e a questão da energia é muito forte no Rio Grande do Sul”, afirma Constantino Bäumle, diretor da Hannover Fairs Sulamérica, promotora da Renex. O evento foi lançado ontem, durante reunião  no Hotel Plaza São Rafael.

A Renex é um produto da conceituada Feira Industrial de Hannover, na Alemanha. A expectativa da organização é contar com, pelo menos, 150 expositores, dos quais 30% estrangeiros. A versão sul-americana abordará temas como energia eólica, solar, térmica, biocombustíveis, biogás e biomassa. “A Renex é uma feira para o empresariado e para a realização de negócios”, frisa Bäumle. O diretor cita o mercado consumidor efervescente e a multiplicação de empresas no Brasil para defender investimentos no País.

A feira tem o apoio do governo gaúcho, por meio da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI) e da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI).  Para o diretor de Infraestrutura e Energia da instituição, Marco Aurélio Franceschi, a realização do evento é uma prova da atenção do governo estadual ao tema. “A energia eólica no Rio Grande do Sul é uma realidade. Temos muitos investimentos interessantes”, resume. O presidente da AGDI, Ivan De Pellegrin também comemora o fato de Porto Alegre sediar a primeira edição da Renex na América Latina. “A energia eólica é um dos setores estratégicos da nossa política industrial. E uma das principais metas desse setor, por meio do Programa RS Eólico, era trazer para o Estado um evento internacional para que nosso corpo técnico e as empresas pudessem se atualizar.”

Estudo apontará oportunidades de negócios para cadeia de petróleo e gás

Marina Schmidt

Cem empresas dos setores metalmecânico, eletroeletrônico e de polímeros do Estado participarão de um mapeamento inédito, conduzido a partir de parceria entre a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). Com período de apuração estimado em um ano, o estudo pretende identificar as competências industriais dessas empresas para o fornecimento de peças e equipamentos à cadeia nacional de petróleo e gás. O projeto foi anunciado na tarde de ontem, na sede da Fiergs, e as empresas participantes ainda não foram definidas.

“O Estado tem uma oportunidade muito grande no setor de indústria oceânica e equipamentos para petróleo e gás”, avalia o presidente da AGDI, Ivan De Pellegrin. O levantamento, sustenta, permitirá “indicar aos investidores quais são as competências que nós temos e quais seriam os principais parceiros para elas”. O coordenador do Comitê de Petróleo e Gás da Fiergs, Marcus Coester, ressalta que o mapeamento destacará os processos produtivos que as empresas dominam. “Às vezes, elas produzem produtos para outros setores, mas é um processo que pode ser aplicado ao segmento de óleo e gás”, pontua.

Durante a apresentação do programa para um grupo de empresários, o superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Paulo Buarque Guimarães, salientou a importância da estruturação das empresas, dizendo que o setor de petróleo é bastante exigente com seus fornecedores. “A Onip tem um cadastro com todos os seus requisitos, que é o CadFor. A Petrobrás tem o seu. E quem quer fornecer para essa indústria, fatalmente, tem que entrar nesses cadastros, senão não tem nem visibilidade”.

Entre os benefícios alcançados a partir do trabalho, as entidades preveem o apoio ao desenvolvimento industrial do Rio Grande do Sul e o alcance das empresas do Estado aos investimentos previstos para o segmento. Sobre os investimentos, Guimarães detalhou que a cadeia de petróleo e gás deve investir R$ 350 bilhões no setor, entre 2012 e 2015, de acordo com levantamento do BNDES. 

Segundo Pellegrin, o Estado tem, aproximadamente, R$ 10 bilhões firmados em contratos de fornecimento com a Petrobras. “Temos a expectativa de aumento de investimentos”, assegura. Pellegrin lembra que o mapeamento é um projeto piloto que poderá ser, futuramente, expandido para mais empresas gaúchas.

COMENTÁRIOS
Paulo Meine Morais, advogado especialista em Direito Empresarial - 24/04/2013 - 12h23
O Rio Grande do Sul tem condições de ser um dos maiores produtores de energia eólica do Brasil. É um segmento que está em crescente expansão, como alternativa à energia hidroelétrica que revela maior custo ambiental. Além disso, é um setor que requer mão de obra especializada em diversos segmentos para o desenvolvimento da atividade na sua plenitude. A cadeia de produção da energia eólica engloba um conjunto de tecnologias. Ela determina a necessidade de técnicos em várias áreas para a produção dos seus componentes. São envolvidos engenheiros mecânicos, civis, eletricistas e de produção, técnicos em edificação e eletrotécnica, bem como, muitos outros profissionais. Além da produção das torres aerogeradoras, a manutenção envolve técnicos em telemática e mecatrônica, ou seja, é um segmento ávido por mão de obra especializada. É necessário que o Estado e a iniciativa privada apostem nessa alternativa de geração de energia e renda para o desenvolvimento da região, já que possui ventos em abundância e tem uma indústria metalmecânica com condições de operar no setor.

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