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Cinema Hélio Nascimento
hr.nascimento@yahoo.com.br

Cinema

Coluna publicada em 28/12/2012

O sobrevivente

Os desafios enfrentados anteriormente pelo taiwanês Ang Lee são amplamente superados neste As aventuras de Pi.  Não se trata de estabelecer comparações destinadas a criar uma escala de valores estéticos. Lee é um cineasta de primeira, e só a citação de alguns títulos de sua filmografia, como O tigre e o dragão, O segredo de Brokeback Montain e Desejo e perigo revela que o cineasta aprecia correr riscos, abordando temas que não costumam frequentar os espaços ocupados pelo cinema mais convencional. Antes do belo filme que agora estamos vendo, ele dirigiu Aconteceu em Woodstock, no qual reconstituiu a preparação daquele festival de música e também dificuldades enfrentadas pelo jovem que superou uma série de problemas para realizá-lo, tendo papel importante num evento do qual o filme se utiliza apenas como cenário, para descrever uma história de superação. Agora, temos outra vez em cena um jovem, enfrentando algo muito mais complexo. Trata-se de uma luta pela vida e também de um encontro com a agressividade que necessita ser contida se o objetivo é atingir o equlíbrio emocional. O filme é uma dessas aventuras que nos remetem a clássicos da literatura, uma mescla de Rudyard Kipling e Jack London. Diretamente inspirado num livro de Yann Martel, o novo filme do cineasta se impõe como uma espécie de resumo tão rico como significativo da natureza humana. Eis um filme cuja ação é concentrada quase toda ela num só cenário e que, ao mesmo tempo, alcança uma amplidão nunca limitada por elementos exteriores.

A obra acompanha a trajetória de um personagem desde a infância até a maturidade. É um caminho marcado por perdas e desafios. Até pelo fato de procurar um novo significado para seu nome, que permite a colegas maldosos brincadeiras e trocadilhos, o protagonista desde o início tem de usar a imaginação para manter sua integridade. Ao aproximar seu nome de um símbolo matemático, ele se aproxima da racionalidade. Mais tarde, quando enfrenta o maior desafio - a presença de um tigre no barco após o naufrágio -, não é apenas o instinto de sobrevivência que o guia. Pensar é fundamental em muitas passagens. Num trecho bastante revelador, ele empunha uma arma com a qual poderia se livrar da presença do imponente e perigoso Richard Parker - este o nome dado por engano ao tigre -, mas detém sua agressividade, substituindo-a pela tarefa de pensar. O personagem acompanhado pela câmera de Lee é devoto de várias religiões. Este ecumenismo o leva a ter do mundo uma visão no qual predomina a harmonia. A cena na qual ele pretende alimentar o tigre, ainda na Índia, no zoológico do pai, sintetiza o tema, ao ser concluída com a focalização das leis da natureza. Mais do que isso, neste trecho do filme, o que vemos é o menino diante de sua própria agressividade. Não é por acaso que, no epílogo, o escritor que o entrevista desfaz os símbolos e coloca e relaciona cada personagem da narrativa com elementos da realidade, identificando o protagonista com a fera.

Em cumplicidade com o fotógrafo chileno Claudio Miranda, Lee consegue no filme algumas imagens deslumbrantes, que contribuem decisivamente para o encanto de um relato que visualmente é um dos mais fascinantes dos últimos tempos, até mesmo com uma tomada que, ilustrando a transparência da água de uma piscina francesa, cria uma espécie de homem-pássaro. Os peixes também surgem como pássaros numa outra sequência, antes de uma ilha misteriosa se revelar um organismo devorador de viajantes incautos. Tudo se mescla. Mas as imagens não são apenas belas. Elas são também eloquentes e reveladoras. O plano no qual a fera retorna à selva, atendendo ao chamado primordial e se retirando de cena, é a vitória do humano. A família que o filme exalta no final é o ponto que assinala a civilização alcançada. Mas é a presença do tigre que faz o protagonista se manter lúcido e assim sobreviver. O novo filme de Ang Lee é mais uma prova de como o cinema pode ser, ao mesmo tempo, um espetáculo fascinante e uma reflexão a ser atentamente acompanhada.

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