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Teatro Antônio Hohlfeldt
a_hohlfeldt@yahoo.com.br

Teatro

Coluna publicada em 28/12/2012

O leão da Nigéria

O escritor Wole Soyinka é natural da Nigéria, onde nasceu em 1934. Professor de Literatura, por diversas vezes foi perseguido e exilado de seu país, por denunciar as atrocidades políticas nele praticadas. Mas também, em outras ocasiões, acabou consagrado em sua pátria, nos curtos períodos em que a democracia reinou naquele território. Escreve em inglês, tanto seus romances quanto suas peças de teatro, e por isso não tem tido dificuldades para sobreviver, quer na Inglaterra, quer nos Estados Unidos, onde tem estreado suas peças e publicado seus romances, ao mesmo tempo em que em sua terra natal organizou grupos teatrais e representou suas próprias peças.

A Geração Editorial acaba de lançar, no Brasil, a tradução da peça O leão e a joia, obra mais antiga, dos anos 1958-1959. Em português, mas publicado em Portugal, temos, ainda, o romance Os intérpretes, de 1965. No caso de O leão e a joia, a editora pretende que se trate de uma fábula: eu prefiro falar em uma parábola, que serve fielmente às intenções do dramaturgo e traduz, com fidelidade, o hibridismo cultural de sua obra.

A peça se passa em uma aldeia do interior nigeriano. Os personagens centrais são três: o chefe da aldeia, o “bale” Baroka; Lakunle, um jovem professor primário que já frequentou escola fora da aldeia e agora retornou para alfabetizar suas crianças; e, em torno de quem ambos voltam suas atenções, a jovem Sidi, considerada a beldade da aldeia. Para completar o jogo dramático, aparece Sadiku, a primeira das várias esposas de Baroka, além de Ailatu, sua esposa favorita, rapazes e moças da aldeia.

O enredo é simples: Lakunle está apaixonado por Sidi e, enquanto dá aulas às crianças, tenta convencer a jovem das grandes vantagens que teria em se casar com ele, que não segue mais as tradições da aldeia e está a par das novidades do mundo branco na grande cidade. Sidi não desgosta de todo de Lakunle, mas quer seguir a tradição: ele precisa comprá-la da família, apresentando uma oferta digna de sua beleza. Lakunle se nega a isso, por entender que não terá mais do que uma só e única esposa: ele é moderno, segundo diz, não vai fazê-la andar atrás dele (ao mesmo tempo, é ingenuamente vaidoso de seu pequeno lustre civilizado e, no fundo, desvaloriza a jovem por sua ignorância frente às coisas ditas civilizadas).

As coisas andam assim quando Baroka resolve fazer de Sidi sua nova esposa. Sidi, contudo, acaba de descobrir que suas fotografias embelezam uma revista que se publica na capital: ela é a atração da capa e de várias páginas da publicação. Assim, desvaloriza a pretensão do “bale” que parece desistir dela.

Uma artimanha, contudo, começa a ser urdida: não se sabe se verdadeira ou falsa, se inventada por Sadiku ou a mando de Baroka, Sidi é informada de que Baroka não tem mais a força sexual de antigamente. Assim, ela resolve ir à tenda do chefe, que antes desdenhara, como que para demonstrar sua sobranceria. O chefe, contudo, é mais ladino, e a jovem acaba por aceitar sua corte e torna-se sua nova esposa, para decepção e desespero do professor.

A peça mescla, admiravelmente e com economia de meios, a tradição popular africana da Nigéria e a modernidade narrativa do Ocidente europeu: de um lado, através do professor, a valorização da modernidade e os novos usos e costumes. Do outro, a força da tradição do velho chefe, metaforicamente decrépito mas que, ao final, revela-se absolutamente pujante, ao menos, quanto ao discurso que desenvolve e convence a beldade.  Ele é o leão, enquanto a joia é a jovem, vaidosa, sim, mas ciente de seu valor.

Em suma, Solyinka evidencia, com esta peça, como, através de um enredo simples e linear, pode-se discutir um tema tão profundo e complexo como a miscigenação cultural. O volume traz algumas fotos de montagem da peça. Podemos lê-la, agora, e imaginar sua encenação: mas quando a veremos, de fato, entre nós?     

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