Porto Alegre, segunda-feira, 21 de janeiro de 2019.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
24°C
32°C
21°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 3,7700 3,7720 0,37%
Turismo/SP 3,7300 3,9300 0,51%
Paralelo/SP 3,7400 3,9400 0,51%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
151819
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
151819
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
151819
Repita o código
neste campo
 
 
imprimir IMPRIMIR

Tecnologia Notícia da edição impressa de 22/10/2012

Mostratec é vitrine para jovens talentos

Mostra de Ciência e Tecnologia, que teve início a partir de uma feira escolar, ganha o mundo e recebe projetos de diversos países com o intuito de apresentar ao mercado produtos inovadores para os mais diferentes setores da economia

Adriana Lampert

FUNDAÇÃO LIBERATO/DIVULGAÇÃO/JC
São esperados mais de 35 mil visitantes na feira, que se estende de hoje até o dia 27, nos pavilhões
São esperados mais de 35 mil visitantes na feira, que se estende de hoje até o dia 27, nos pavilhões

Acelerar o processo de expansão e renovação no quadro de pesquisadores do País é um dos objetivos da 27ª Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), realizada anualmente pela Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Viera da Cunha. Neste ano, 35 mil visitantes são esperados no evento, que se estende de hoje até o dia 27, nos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo. De uma feira de ciências, promovida pela primeira vez em 1977 para os alunos da fundação, a Mostratec logo evoluiu para uma exposição nacional e, a partir de 1994, tornou-se internacional. A transformação possibilitou também o aumento do número de trabalhos expostos. “Inicialmente, eram apresentados em torno de 50 projetos de pesquisa de alunos da instituição. Hoje são 350 protótipos de cerca de 700 estudantes de todos os estados brasileiros e de mais de 20 países”, compara o diretor-executivo da Fundação Liberato, Leo Weber.

Os projetos que participam da Mostratec 2012 foram selecionados em mais de 80 feiras credenciadas ao redor do mundo. “Esta edição recebeu inscrições de aproximadamente 20 mil alunos, somando nove mil projetos”, completa o gestor, ao mensurar o nível de competição da mostra. Cada dupla de alunos pode participar com apenas um projeto científico ou tecnológico. “Para serem classificados, os estudantes passam por um enorme funil seletivo”, completa Weber, ressaltando que, ao longo do tempo, a qualidade dos protótipos apresentados tem se tornado cada vez maior.

Um dos pontos que chamam a atenção no evento é a idade dos participantes. São jovens cientistas do Ensino Médio ou da educação profissional de nível técnico, com faixa etária entre 14 e 20 anos. Outra característica une os autores dos trabalhos apresentados: a determinação e o “brilho nos olhos”, opina o coordenador da Mostratec 2012, André Luís Viegas, que também é professor de Química na Fundação Liberato. “Alguns deles desenvolvem grandes pesquisas, muitas vezes extraordinárias”, elogia. Para garantir o direito da propriedade intelectual dos trabalhos, desde 2011 a mostra conta com uma parceria com a empresa Vilage – Marcas e Patentes, visando à proteção das inovações apresentadas durante o evento.

Todo este potencial científico é valorizado por instituições e empresas não somente regionais, mas em nível nacional, o que proporciona que os pavilhões da Fenac virem cenário para o início de relações entre estes jovens e o setor produtivo. “Quem abraça a possibilidade de desenvolver um projeto usando o método científico como ferramenta ganha diferencial competitivo no mercado de trabalho”, pontua o diretor da Fundação Liberato. Muitos dos alunos premiados na Mostratec hoje ocupam cargos de chefia em grandes empresas, ou acabaram se tornando professores ou pesquisadores.

Qualquer escola que promova uma feira de ciências de, no mínimo, 30 projetos, pode se credenciar junto à Mostratec para concorrer à seleção de trabalhos. A possibilidade de crescimento pessoal e profissional tem atraído não somente participantes das 83 feiras escolares credenciadas (para as quais são direcionadas 300 vagas), mas também centenas de jovens proativos, que, estimulados pela imaginação e a curiosidade através da pesquisa científica e tecnológica, inscrevem-se diretamente pela internet. Para este público, a Mostratec reserva cerca de 50 vagas durante a seleção. Somente neste ano, foram mais de 700 pedidos de inscrição online. Neste caso, a seleção é feita a partir da leitura dos resumos dos projetos de pesquisa apresentados. Objetividade, capacidade de concretização da ideia, resultados obtidos e delineamento do desenvolvimento científico estão entre os principais critérios.

Do trabalho escolar para o mercado


O surgimento de empresas a partir da Mostratec é bastante comum. “Mas o caminho é longo até que uma inovação vire um produto ao alcance da sociedade”, destaca o coordenador desta edição, professor André Luís Viegas. No entanto, o que se inicia nestas pesquisas é marco muito importante para o futuro profissional. “O fato de ter conhecido o processo científico permite que os jovens continuem suas buscas até chegar lá”, ilustra o professor. Foi o que ocorreu com os proprietários da fabricante de máquinas Tecnodrill, de Novo Hamburgo, empresa criada em vista do bom resultado do protótipo de uma furadeira de circuito impresso CNC para fabricação de placas eletrônicas de computador, elaborado pelos agora empresários Gustavo Freitas, Edson Pereira e Jefferson da Costa, em seu tempo de escola técnica, em 1995. Freitas, que frequentava o curso técnico de Mecânica, recorda que o projeto obteve um sucesso grande na feira e acabou ganhando em todas as categorias nas quais participou. “Com isso, fomos convidados a participar em uma feira de técnicos de Engenharia do Conesul, que ocorreu em Porto Alegre, e, em seguida, participamos da Intel Isef, nos Estados Unidos”, recorda.

Ao retornar ao Brasil, o grupo ainda passou pela Incubadora Liberato entre os anos de 1995 e 1998, antes de implementar a empresa, que atualmente tem um portfólio de 25 equipamentos de pequeno a médio porte, fatura R$ 10 milhões por ano, tem 35 colaboradores e atende a companhias como Embraer, Petrobras, Odebrecht
e Volkswagen. A relação com a Fundação Liberato se manteve: “Somos grandes clientes de mão de obra da escola. Pelo menos 50% dos nossos funcionários estudaram lá”, diz Freitas.

Os proprietários da Tecnodrill voltam à Mostratec este ano, mas, desta vez, para doar um equipamento para a Fundação Liberato. A fresadora CNC, produto de linha da empresa, deverá ser utilizada nos cursos de Mecânica e de Eletrônica pelos alunos, para que se familiarizem com a máquina, que pode ser aplicada em diversos segmentos.

Feira irá oferecer R$ 1 milhão em prêmios aos destaques


Weber destaca participação de trabalhos em mostra que ocorrerá na China em 2013. MARCO QUINTANA/JC

A 27ª Mostratec irá expor trabalhos do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru, Venezuela, Costa Rica, Estados Unidos, México, Espanha, Turquia, Eslováquia, Cazaquistão, Rússia e China. “Este ano, pela primeira vez, iremos fazer o credenciamento para trabalhos em uma feira chinesa que ocorrerá em 2013”, adianta o diretor-executivo da Fundação Liberato Leo Weber. A Mostratec participa há 20 anos também como credenciadora da norte-americana Intel Isef (International Science and Engineering Fair), considerada a maior feira de Ciência e Engenharia do mundo. “O primeiro projeto credenciado neste evento via Mostratec foi exposto em 1993: tratava-se de uma fibra de bananeira, que hoje está no mercado sendo utilizada em painéis de automóveis da marca Mercedez-Benz”, conta Weber.

Distribuídos em 13 setores contemplados pela Mostratec, a grande maioria dos projetos está vinculada às áreas de engenharia, eletrotécnica, mecânica, química, além de programas de sustentabilidade e voltados ao meio ambiente. “Também existem projetos relacionados à área de ciências humanas, em que as pesquisas são feitas em campo. Portanto, não há protótipos, mas, sim, resultados sociais”, esclarece o diretor da Fundação Liberato. Aos autores de projetos que se destacarem na mostra serão entregues diversos prêmios, como 13 bolsas integrais de estudos em 11 universidades parceiras do evento. “O conjunto de 33 prêmios ultrapassa R$ 1 milhão”, informa Weber. O credenciamento em outras feiras ou estágios em empresas locais, além de aquisição de equipamentos, como notebooks, estão na lista de recompensas aos alunos que alcançarem melhor desempenho.

A soma em valor das premiações quase alcança o que é investido para a realização da feira, que este ano custou R$ 1,2 milhão. A mostra é financiada principalmente pelo CNPq, CEEE e Petrobras, além de outros 20 apoiadores. Organizado por professores, funcionários e alunos da instituição, o evento é resultado do envolvimento de 200 pessoas. “Um trabalho desta dimensão tem que ser feito a muitas mãos, e o sucesso da mostra depende da constituição de pessoas que conciliem as atividades que cumprem na escola e se dediquem a este grupo de trabalho”, justifica o coordenador da Mostratec 2012, André Luís Viegas.

Paralelamente à feira, que é aberta ao público, com entrada franca, ocorrem outros eventos complementares, como o Seminário Internacional do Ensino Técnico (Siet), o Salão de Inovação, a Robótica Educacional e algumas atividades esportivas e culturais. De acordo com o diretor de pesquisa e produção industrial da Fundação Liberato, Leori Carlos Tartari, o Siet chega à sua 19ª edição com o objetivo de promover um intercâmbio técnico e cultural entre os participantes. A estimativa de público gira em torno de 700 pessoas. Já o festival Robótica Educacional ocorre via parceria entre a Fundação Liberato e a Rede Marista do Estado com o objetivo de promover também um momento de lazer e integração dos participantes. Lá são apresentadas atividades pedagógicas e competições de robótica realizadas pelas duas instituições.


Outra forma de promover a integração entre instituições de ensino, estudantes e o meio empresarial é o Salão da Inovação, que divulga tecnologias inovadoras já desenvolvidas e aplicadas por empresas gaúchas. “A ideia é fazer uma aproximação do futuro profissional com o mercado, afinal, muitos dos participantes da Mostratec são selecionados pelas universidades para realizarem um curso superior, e isso pode ocorrer vinculado ao desenvolvimento de projetos nas empresas parceiras”, explica Weber.

Empresas buscam profissionais promissores


Não é pouco o número de companhias que visitam a feira em busca de talentos. Várias empresas oferecem estágios aos participantes, mesmo as que não são parceiras do evento. Também universidades parceiras (como Univat de Lageado, Unisinos, Feevale, Uniritter e Facat, de Taquara), quando possuem incubadoras, buscam reter os jovens talentos para desenvolvimento de projetos. “A Braskem é o exemplo de uma grande empresa que vem buscando mão de obra na Mostratec”, pontua Leo Weber, diretor-executivo da Fundação Liberato.

A promessa de que jovens cientistas que expõem projetos na Mostratec se tornem lideranças nas suas áreas de atuação levou a ONG paulista Fundação Estudar a participar do evento para selecionar sete cabeças pensantes que serão contempladas com uma bolsa de estudos em universidades do exterior. A instituição tem um programa de capacitação que ocorre 12 meses antes no Brasil. Para possibilitar a preparação de 120 estudantes selecionados em diversas feiras, a ONG contempla os eleitos com um notebook, um curso a distância (que inclui videoconferências com empresários e especialistas da área de ciência e tecnologia) e um curso de inglês integral pelo período de um ano.

De acordo com a gerente de Relações Institucionais da Fundação Estudar, Renata Moraes, o Prêmio Estudar-Ciência tem enfoque nas ciências exatas, mas busca talentos nas áreas de negócios, setor público, social e científico. “É possível encontrar jovens com trabalhos de alto nível na Mostratec. São pesquisas muito avançadas, produzidas por estudantes de 15, 16 anos, em um País onde quase não existe premiação para a ciência”, observa Renata.

Primeiro incentivo à pesquisa forma talentos


Fundação Liberato estimula estudantes a participar da Mostratec e se destaca por formar profissionais de sucesso

Luiz Eduardo Kochhann


Krug foi um assíduo frequentador da Mostratec, participando de quatro edições da feira. CEITEC S.A/DIVULGAÇÃO/JC

A Fundação Liberato Salzano Vieira da Cunha, organizadora da Mostratec, tem ganhado destaque na formação de profissionais de sucesso. Os bons resultados são impulsionados pela feira e pelos cursos voltados ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia. A educação profissional de nível técnico conta com mais de 3.500 alunos matriculados, provenientes de 50 munícipios do Rio Grande do Sul. Os cursos diurnos, integrados com o Ensino Médio, são oferecidos nas áreas de Química, Mecânica, Eletrotécnica e Eletrônica. As capacitações noturnas, por sua vez, são frequentadas por pessoas que já possuem o Ensino Médio e desejam obter formação técnica.

Cristiano Krug é superintendente de Pesquisa & Desenvolvimento da Ceitec, estatal de microeletrônica ligada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Krug foi um assíduo frequentador da Mostratec. Durante seus estudos de química da Fundação Liberato, participou de quatro edições, entre 1990 e 1994. Em uma das oportunidades, inclusive, ficou em primeiro lugar na área de Química, o que lhe valeu o direito de concorrer na International Science and Engineering Fair (Isef) – uma das maiores feiras de Ensino Médio do mundo, organizada pela Intel.

“O fato de ser uma das portas de entrada para a Isef é um reconhecimento da qualidade e do papel que a mostra tem desempenhado na área de inovação no Brasil”, afirma Krug. O trabalho desenvolvido por ele aproveitava rejeitos industriais     para a formulação de borracha para solado de calçados. A experiência de sugerir um projeto e executá-lo o ajudou a “pegar gosto” pela área de pesquisa. Depois de concluir o mestrado e o doutorado, tornou-se professor do Instituto de Física da Ufrgs e, em seguida, assumiu o atual cargo na Ceitec. “Acredito que a participação na feira prepara melhor o profissional para os desafios da economia atual. Fala-se tanto em inovação, mas não se sabe como preparar pessoas para trabalhar nesse contexto”, avalia Krug.


Robinson Klein esteve presente na primeira edição do evento, em 1985. O curso de Eletrônica e a conquista do 1º lugar, pela criação de uma interface para computadores via comando de voz, o levaram a optar pelo empreendedorismo. “Desenvolver um produto que reconhecia comandos vocais e os executava em uma época em que computadores ainda eram raros abriu a oportunidade de ter contatos na área de softwares”, diz. Após o convite para trabalhar com robótica, abriu uma empresa de painéis publicitários eletrônicos.

O passo seguinte foi o desenvolvimento de um software de gestão. Atualmente, Klein é diretor de mercado da rede Cigam, especializada em soluções de programas de TI empresariais, com 32 unidades e uma equipe de 700 empregados no Brasil e no México. Os quatro sócios são formados pela Liberato. O executivo ressalta que é um desafio encontrar profissionais com o perfil adequado e aposta na Mostratec como uma vitrine para os dois lados. “O aluno tem a oportunidade de encontrar uma boa oferta de emprego e o empresário pode identificar bons talentos e projetos. Além disso, gera-se um resultado positivo para o País que acaba desenvolvendo o gosto dos estudantes por ciência”, opina Klein.

Daniel Fink foi ainda mais longe, literalmente. Há seis anos morando em Seul, está concluindo o doutorado e atua como assessor de Ciência e Tecnologia da embaixada brasileira na Coreia do Sul. Formado em eletrônica pela Liberato em 1996, também venceu a mostra e teve o trabalho classificado para a Isef. “Recebemos várias delegações brasileiras querendo descobrir o que a Coreia fez para melhorar nesta área. Eu costumo dizer para irem até Novo Hamburgo e copiarem o modelo da Liberato. Grande parte do ótimo desempenho dessa instituição na formação de alunos inspirados se dá pela oportunidade da Mostratec”, conta.

Apesar de terem tomados rumos diferentes, os três profissionais têm em comum uma carreira de sucesso impulsionada pelo incentivo à pesquisa e à inovação, com o primeiro passo dado durante a Mostratec. “São várias lições que tiramos dessas experiências, como dar o máximo de si, manter o foco em um objetivo abrindo mão das horas de lazer, a possibilidade de sonhar alto e não se abater com as primeiras dificuldades. Acho que isso é válido para toda vida”, resume Fink.

COMENTÁRIOS
Nenhum comentário encontrado.

imprimir IMPRIMIR
TEXTOS RELACIONADOS
Padrón diz que a mudança é resultado de uma associação entre dispositivos móveis e as redes socias
Consumidor dá as cartas e obriga varejo a inovar
A complexa caminhada na trilha do chip brasileiro
Ehalt destaca a importância da evolução da área logística
Internet das coisas: a era da convergência digital
Todo país deveria construir sua própria estrutura computacional, defende Maddog
Para Jon “Maddog” Hall, software livre é mais seguro e rentável