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Indústria Automotiva Notícia da edição impressa de 16/08/2012

Com montadoras indo para o interior, região do ABC vai perdendo importância

YASUYOSHI CHIBA/AFP/JC
Akio Toyoda (c), presidente mundial da Toyota, liderou a inauguração da fábrica em Sorocaba.
Akio Toyoda (c), presidente mundial da Toyota, liderou a inauguração da fábrica em Sorocaba.

No que é considerado o segundo grande ciclo de expansão da indústria automobilística brasileira, das cinco novas fábricas de automóveis em construção no País, três estarão no interior paulista, num raio de 70 a 150 quilômetros da capital. Estrategicamente localizadas no coração do principal mercado consumidor — o estado responde por 40% das vendas de veículos do País —, as novas unidades da coreana Hyundai, em Piracicaba, da japonesa Toyota, que inaugurou a fábrica em Sorocaba na quinta-feira da semana passada, e da chinesa Chery, em Jacareí, consumirão investimentos de R$ 3 bilhões e terão capacidade de produção anual de até 500 mil carros em 2015, dependendo da evolução da demanda. As outras duas fábricas novas irão para o interior de Pernambuco e para Resende, no Rio.

O atual movimento das montadoras rumo ao interior dá continuidade a um processo de descentralização da produção no estado, que tinha o ABC como polo principal. Na época, houve a abertura de novas fábricas por Volkswagen, no Paraná; Ford, na Bahia; e GM, no Rio Grande do Sul. Essa onda envolveu ainda a chegada ao País de marcas como a Toyota, que se instalou em Indaiatuba (SP); a Honda, em Sumaré (SP); a Peugeot Citroën, em Porto Real (RJ); e a Renault, em São José dos Pinhais (PR).

As três fábricas em construção, combinadas com as plantas que já existem em Taubaté (Volkswagen), São José dos Campos (GM) e Campinas (Toyota, Honda e Mercedes), e com a cadeia de fornecedores que as acompanham, consolidam um novo polo automotivo no interior paulista. Só que com sotaque caipira.

Segundo a Anfavea, associação que representa as montadoras, dos 1,455 milhão de veículos produzidos em São Paulo (42,7% da produção nacional) no ano passado, 880,19 mil saíram das linhas de montagem do ABC, e os 574,8 mil restantes das plantas do interior. Com o início da produção da nova fábrica da Toyota, que foi inaugurada na quinta-feira da semana passada, e da Hyundai, em novembro, 220 mil carros a mais passarão a ser produzidos no interior já em 2013. A partir de 2014, essa produção praticamente vai se emparelhar à do ABC. Em 2015, se o mercado continuar crescendo, o interior pode superar em 22% a produção do ABC. “A saída das montadoras de São Paulo entre 1990 e 2000 foi incentivada pelo regime automotivo do governo FHC. A isso se somava certa exaustão do ABC pela inexistência de áreas que permitissem a expansão das plantas”, lembra Luiz Carlos Mello, diretor do Centro de Estudos Automotivos (CEA) e ex-presidente da Ford. “Mas a atração logística e econômica de São Paulo confirma a vocação de hospedeiro natural.”

Em comum, os três projetos envolvem modelos compactos para concorrer em segmentos de grandes volumes de venda. A Hyundai, por exemplo, que já tem fábricas na Índia, China e Rússia, irá produzir o HB 20, um modelo desenvolvido exclusivamente para o mercado local, com motores 1.0 e 1.6 flex. “A produção em massa do HB 20 começa em 20 de setembro, e as vendas, em outubro”, garante Chang Kyun, presidente da Hyundai Brasil.

Serão criados 7.000 postos de trabalho diretos. Em Piracicaba estima-se em 20 mil os empregos indiretos trazidos pela Hyundai. “Só isso já movimenta muitos recursos na cidade, mas haverá também um crescimento da arrecadação de ICMS, da ordem de R$ 25 milhões ao ano (10% do ICMS transferido anualmente pelo estado à cidade), calcula Barjas Negri, o prefeito de Piracicaba, que doou o terreno de mais de 1 milhão de m2, área onde antes havia um canavial, para a empresa.

Em Sorocaba, o governo paulista construiu um viaduto sobre a rodovia Castelo Branco, para criar um retorno próximo à planta da Toyota, cujo complexo reunirá 12 outras empresas. A fábrica inaugurada na semana passada pela montadora japonesa está anunciando a chegada dos modelos Étios, que estão sendo produzidos ali, ao mercado no mês que vem.

Sobre a volta da atratividade do estado, Luciano Almeida, presidente da Investe São Paulo, agência paulista de promoção de investimentos, diz que o peso da mão de obra nos custos dos veículos hoje gira entre 7% e 10%, o que demonstra uma exigência maior de especialização do trabalhador. Essa maior qualificação, combinada com a ampla cadeia de fornecedores já instalados na região tornam o interior atraente. “Os índices de produtividade da mão de obra aqui chegam a ser de 20% a 30% maiores, compensando a diferença salarial, que já não é mais tão grande em relação aos outros estados”, diz Almeida.

Ninhos de aves podem adiar planos da Nissan


Outros dois grandes projetos de fábricas de veículos em curso são o da Fiat, em Goiânia, município de Pernambuco, e o da Nissan, em Resende, no estado do Rio, com investimento de R$ 2,6 bilhões para produzir 200 mil carros por mês e gerar 2.000 empregos diretos. O parque de fornecedores deve atrair investimentos de até R$ 600 milhões para o município de Resende. Há, ainda, investimentos como os da Peugeot Citroën, que quer dobrar a capacidade de sua unidade em Porto Real, também no Rio, das atuais 150 mil para 300 mil unidades por ano.

Em forte expansão no Brasil, a montadora japonesa Nissan pode ter que adiar para 2015 a abertura da primeira fábrica no País por causa da reprodução de pássaros. É que a área onde ficará o parque com os 32 fornecedores da empresa, em Resende (RJ), é o local escolhido por aves migratórias para fazer seus ninhos.

A área das aves fica próxima à lagoa da Turfeira, que a Nissan teve que preservar e cercar com uma faixa marginal de proteção de até 100 metros. Ali, árvores e solo não podem ser perturbados. “Um estudo vai identificar as aves e definir a melhor opção de unidade de conservação para a proteção da avifauna da região”, disse a presidente do Inea (Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro), Marilene Ramos. A Nissan disse que o estudo deve ser entregue ao Inea em 30 dias.

A instalação dos fornecedores é importante para garantir o percentual mínimo exigido pelo governo na nacionalização dos veículos, hoje de 65%. Sem isso, a marca terá que pagar mais impostos para produzir no Brasil. Atualmente, a maior parte dos veículos da marca é importada do México. No começo deste ano, o governo brasileiro adotou um sistema de cotas, e as importações não podem ultrapassar US$ 1,45 bilhão durante o ano. De janeiro a julho, a Nissan vendeu um volume 123,15% maior do que no mesmo período do ano passado. Em 2010, ela ocupava a 13ª posição no ranking das que mais vendem no Brasil. Atualmente, a montadora disputa a 6ª colocação com outra japonesa, a Honda.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), as importações da fabricante japonesa cresceram 65,9% - para US$ 496 milhões - no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2011. A abertura da fábrica está prevista para o primeiro semestre de 2014. 

Empresa começa a venda do Etios no mês que vem


O presidente mundial da Toyota, Akio Toyoda, anunciou, na véspera da inauguração da montadora em Sorocaba, a implantação de uma fábrica de motores da empresa em Porto Feliz (SP). O investimento na nova unidade, comunicado a presidente Dilma Rousseff, em Brasília, será de R$ 1 bilhão, e o início da produção está previsto para o segundo semestre de 2015. Segundo Toyoda, a fábrica vai produzir motores para o Corolla e o Etios, cujo índice de nacionalização passará de 65% para 85%. O Etios será produzido na nova fábrica da Toyota, em Sorocaba, inaugurada na quinta-feira da semana passada, e começará a ser vendido na segunda semana de setembro. “O Etios é um carro feito por brasileiros para brasileiros, um verdadeiro carro para o povo brasileiro”, garantiu o presidente da Toyota.

A fábrica de Sorocaba é a terceira da Toyota no Brasil e envolveu um investimento inicial de US$ 600 milhões. Nesta montadora,  serão produzidas 70 mil unidades por ano, empregando cerca de 1.700 pessoas. “Fiz um pequeno relatório”, disse Toyoda, referindo-se ao encontro com Dilma. “Falei, em primeiro lugar, do funcionamento da mais nova fábrica da Toyota no Brasil. Lá vamos fabricar um carro compacto, o Etio.”

A empresa está no Brasil desde 1958. Nesse período, segundo Toyoda, houve momentos de alta e de baixa. A nova fábrica, no começo da produção, deverá empregar entre 600 e 700 pessoas. Toyoda disse ter ouvido da presidente “palavras de incentivo e de gratidão em relação à nova fábrica de motores”. “Sempre quisemos contribuir através de um bom veículo. Agora é um sinal de gratidão e cooperação com a sociedade brasileira. Não apenas queremos colaborar com o progresso da sociedade brasileira como queremos ver sorrisos na cara dos consumidores brasileiros através do Etios”, afirmou.

O ministro do Trabalho, Brizola Neto, disse ser contrário à prorrogação da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos, que termina no próximo dia 31. Ele argumentou que o benefício, em vigor desde maio, foi importante para reaquecer as vendas no setor automotivo e que não faria mais sentido mantê-lo, porque os indicadores já mostram um reaquecimento da atividade econômica. “É importante compreender que desonerar é renúncia fiscal, dinheiro que o governo deixa de arrecadar e necessário para cobrir gastos, como em saúde, educação e previdência. É importante fazer as desonerações de acordo com o processo econômico, e há indícios de melhora nos indicadores, um início de reaquecimento da economia. Eu acho que não seria adequado”, afirmou o ministro, durante a Conferência Nacional de Emprego e Trabalho Decente.

Segundo a Anfavea, entidade que representa as montadoras, os investimentos de suas associadas somarão US$ 22 bilhões entre 2011 e 2015, o que significa cerca de 1,2 milhão de carros a mais saindo anualmente das linhas de produção, salto de 40% sobre 2011. Essa nova onda de expansão do setor automotivo suscita, porém, uma questão: o consumo local vai crescer na mesma medida? Em estudo sobre as condições do mercado mundial de veículos divulgado neste ano, o Morgan Stanley, banco de investimentos norte-americano, reserva um capítulo exclusivo para o Brasil. O banco classifica de “desenfreado” o crescimento da capacidade produtiva do setor automotivo no País, em um momento em que a demanda mostra desaceleração. 

A PriceWaterhouseCoopers (PwC), consultoria internacional, projeta um quadro diferente em seu relatório global sobre o setor, o Autofacts. A consultoria prevê que a produção nacional de automóveis alcançará a marca de cinco milhões em 2017, com a demanda avançando a uma taxa de 8% ao ano no período. Por isso, Marcelo Cioffi, líder do setor automotivo da PwC, afirma não ver risco de descolamento entre avanço da capacidade produtiva e demanda. “Ainda há muito espaço para crescimento do mercado, que hoje tem um automóvel para cada seis ou sete habitantes.”

Trabalhadores da GM aceitam acordo para evitar o fim da produção


Na contramão do movimento, a GM parece ter decidido que a MVA (Montagem de Veículos Automotores), de São José dos Campos, a 97 quilômetros de São Paulo, será desativada já que, dos quatro modelos que eram fabricados ali, três (Meriva, Zafira e Corsa) já foram retirados da linha de montagem. Apenas o sedã Classic continua a ser produzido, e, mesmo assim, o volume diário, que era de 375 unidades, foi reduzido para 150 na semana passada. Para o sindicato dos metalúrgicos, é grande a chance de o Classic também sair de linha e a GM passar a importar o modelo de sua fábrica em Rosário, na Argentina. Se isso acontecer, a produção de São José dos Campos ficará restrita às caminhonetes S-10, cujo novo modelo começou há pouco a ser fabricado lá. A estimativa de produção da S-10 é de 55 mil unidades por ano.

A partir de 2013, as minivans Blazer podem reforçar a linha de produção da unidade, mas a empresa ainda não confirma essa informação. A montadora também deslocou os investimentos da fábrica de motores e de cabeçotes, que chegaram a ser cogitados para São José, para a nova fábrica de Joinville (SC). De acordo com Antonio Ferreira de Barros, conhecido como Macapá e presidente do sindicato, as vendas internas do Classic chegam a cerca de 10 mil por mês, e, com o corte na produção da fábrica de São José dos Campos, a GM já estaria importando cinco mil unidades da Argentina. “Queremos garantir pelo menos a produção do Classic para não fechar todo o setor de MVA”, diz Macapá.

Para evitar este futuro, ou ao menos adiá-lo, cerca de 4.000 trabalhadores da General Motors em São José dos Campos aprovaram a proposta negociada entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a montadora para evitar demissões em massa. O acordo pode resultar no afastamento temporário de 940 operários e prevê um PDV (Plano de Demissão Voluntária) para todos os operários que trabalham no complexo da montadora de São José dos Campos. Também pelo acordo firmado, a GM anunciou que deve continuar a produzir o modelo Classic, na linha da MVA, mas ela ainda corre o risco de ser fechada.


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