Porto Alegre, terça-feira, 16 de julho de 2019.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
8°C
17°C
8°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 3,7550 3,7570 0,48%
Turismo/SP 3,7000 3,9000 0,25%
Paralelo/SP 3,7100 3,9100 0,25%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
180380
Repita o código
neste campo
 
 
 

FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
de 31 de outubro a 16 de novembro de 2014

Notícia da edição impressa de 31/10/2014

Airton Ortiz: de longe, um outro olhar

João Vicente Ribas

JOÃO MATTOS/JC
Com 17 livros na bagagem, o patrono Airton Ortiz valoriza o elemento local em seus textos
Com 17 livros na bagagem, o patrono Airton Ortiz valoriza o elemento local em seus textos

Na epígrafe do romance Gringo (2012), Airton Ortiz escreveu que somos o resultado das viagens que fazemos, dos livros que lemos e das pessoas que amamos. O pensamento virou “meme” na internet e já tem mais de um milhão de visualizações. A frase também sintetiza o estilo de vida do patrono da 60ª Feira do Livro de Porto Alegre. Falando sobre literatura, críticas, aventura, regionalismo e um novo lançamento, Ortiz concedeu entrevista ao Jornal do Comércio em sua casa, no bairro Assunção.

Prestes a completar 60 anos - mesma idade da feira -, o autor já autografou na Praça da Alfândega dois romances, quatro compilações de crônicas e dez de reportagem. Os livros são resultado de suas aventuras por lugares tão diferentes como o monte Everest e a floresta amazônica. No próximo dia 6, ele lança o 17º livro, sobre suas impressões da capital francesa.

Ortiz se diz um regionalista de carteirinha, mas não ortodoxo. Jornalista, editou na segunda metade dos anos 1980 o jornal Tchê, e manteve um editora de livros com o mesmo nome. Entre a reportagem e a ficção, viaja e escreve baseado na cultura e na identidade do Rio Grande do Sul, entrando em contato com outras culturas e não perdendo a referência. “A gente viaja não para perder as referências, mas para aumentá-las”, afirma.

Na entrevista, o patrono viajante comenta que ocorre uma mudança no olhar da pessoa que viaja, tanto sobre os locais que visita quanto sobre o que vive. E observa que no mundo inteiro as pessoas têm um carinho enorme pelo Brasil. “Quem fala mal do País são os brasileiros”, diz.

Após sua escolha como patrono, o autor foi alvo de críticas. O escritor e colunista Juremir Machado da Silva escreveu contestando Ortiz, no seu papel de editor, por ter publicado em 1985 o livro Brasil sempre, redigido pelo sargento do exército Marco Pollo Giordani. Segundo a crítica, a publicação é racista e defende os torturadores do regime militar. Quando perguntado sobre a acusação, o patrono compara sua função de editor na época com a da Feira do Livro. “A feira não seleciona os livros que vão ser lançados, não há censura prévia, é uma tribuna realmente democrática”, afirma. E defende o direito de qualquer autor colocar o seu trabalho à disposição do leitor, sobre qualquer assunto, por qualquer editora. “Quem tem que julgar é o leitor, não a feira”, conclui.
   
JC Feira do Livro - Qual a diferença entre escrever romance, crônica e jornalismo de aventura?

Airton Ortiz - Primeiro pela linguagem. A linguagem da reportagem informa, é precisa, não pode deixar margem para o leitor interpretar. Tem que dar a informação prontinha. A crônica é uma linguagem mais elaborada, mais sutil, vai deixando espaço para o leitor completar a história que ele está lendo. Ela mais sugere. É um texto mais literário. Já a linguagem do romance é mais sofisticada ainda. O romancista insinua uma história, o leitor também vai completando de acordo com a experiência dele. É uma linguagem somente literária. A comunicação na arte é individualizada. Uma obra tem um significado diferente pra cada pessoa que observa. Mais importante do que o que o escritor narra é o que ele não narra, porque deixa espaço para o leitor. Eu entrei para a crônica porque queria falar sobre cidades. As reportagens que fiz eram sobre grandes travessias por regiões selvagens. Mudou o enfoque e a linguagem. Na ficção, eu posso aprofundar muito mais as questões psicológicas da história. O importante é o personagem, sua reação diante da viagem.

JC Feira do Livro - No romance Gringo, Victor é um viajante inexperiente, que apresenta uma certa ingenuidade e vai amadurecendo na estrada. Foi uma forma de mostrar a cultura dos mochileiros através da sensibilização do protagonista?

Ortiz - Sim, é uma mescla da técnica chamada romance de formação com a literatura de viagem. Normalmente, no romance de formação, o personagem evolui emocionalmente a partir de uma tragédia. Mas não é preciso viver uma tragédia para renascer. Basta que se entre em contato com uma realidade muito diferente da tua, para descobrir um novo mundo. E a ideia do Gringo é exatamente essa. Mostrar um cara que acreditava que a cidade onde morava era o centro do mundo, e na medida em que vai viajando, entra em contato com outra realidade, outra cultura, outros povos, outros viajantes que estão na estrada em busca de experiência, e vai evoluindo. No final do livro, ele é um cara completamente diferente de quando começou.

JC Feira do Livro - Após uma viagem, valorizamos mais o lugar onde vivemos?

Ortiz - A viagem é uma forma de desenvolver o autoconhecimento, mas é também uma maneira muito boa de valorizar as nossas coisas, porque nós temos a mania de achar que o que está lá longe é melhor e mais bonito do que o que está aqui, perto de nós. Quando viajamos pelo mundo inteiro, a gente vai aprendendo a valorizar as coisas pelo que elas realmente são, e não pelo que elas parecem que são. No final de uma viagem, quando a gente regressa, acaba se dando conta que na nossa cidade tem coisas tão interessantes quanto o que vimos lá fora. O mais importante de uma viagem é voltar para casa, porque voltamos enriquecidos emocional, intelectual e espiritualmente. E, como uma pessoa melhor, mais completa, mais experiente, conseguimos ver no ponto de partida coisas que não tínhamos nos dado conta antes de sair.

JC Feira do Livro - Como tu recebeste a polêmica a respeito do livro Brasil sempre?

Ortiz - A polêmica é boa quando fica só no campo das ideias, não despenca para o lado pessoal. Acho fundamental que as pessoas possam expressar as suas ideias. Se alguém não concorda, escreve outro texto combatendo, mas nunca impedir que as pessoas divulguem as suas opiniões. Eu não concordo com muitos livros que estão no mercado, mas defendo ardentemente o direito de eles serem publicados, a liberdade de expressão. Prefiro que as pessoas assumam, digam, e não fiquem enrustidas. Se a pessoa é racista, comunista, democrata, capitalista, maragato ou chimango, prefiro que ela diga e assine embaixo.

JC Feira do Livro - Como foi a experiência do jornal Tchê, na segunda metade dos anos 1980?

Ortiz - O Tchê tinha uma linha editorial bem definida. Não era preconceituoso em relação à cultura regionalista. Os outros eram e são até hoje. Para a mídia cultural, o regionalismo é coisa de grosso. O Tchê era regionalista, mas não ufanista. Criticávamos quando tinha que criticar, sem sentimento de culpa. E elogiávamos quando tinha que elogiar, sem achar que estava fazendo alguma concessão. Isto deu para o jornal uma credibilidade muito grande. Ele era respeitado tanto pelos regionalistas mais conservadores quanto pelos que não gostavam de regionalismo. Porque viam que os argumentos eram consistentes. Foi uma referência na época. Tá faltando hoje um veículo assim.

JC Feira do Livro - O olhar regionalista do Airton Ortiz aparece quando ele escreve um livro sobre Paris?

Ortiz - Claro. Eu viajo o mundo inteiro em busca das culturas típicas de cada lugar. É sobre isso que eu escrevo. Vou ignorar a cultura típica do lugar onde eu nasci? Seria uma incoerência muito grande. Não me interessa ir a Paris comer bife e batatinha frita. Não, eu tenho que comer o que eles comem e escrever sobre isso para o leitor brasileiro saber como é a cultura destes lugares.

COMENTÁRIOS
Nenhum comentário encontrado.

imprimir IMPRIMIR
MAIS FEIRA DO LIVRO
Balanço da Feira, de acordo com organizadores, foi positivo
60ª Feira do Livro de Porto Alegre é considerada um sucesso
Patrono Airton Ortiz distribuiu rosas no encerramento da Feira do Livro
Feira do Livro encerra com homenagem ao Xerife e maracatu
Patrono da feira do livro de Santiago, Breno Serafini lançou seu quarto livro
Crônicas ilustradas: nova obra de Breno Serafini

O PRÊMIO

PREMIADOS

COMISSÃO JULGADORA

Blog Acontecendo

Entrevistas Troféu Cultura
#expandasuamente: fotos no estande do JC para o Instagram e Facebook

/jornaldocomercio

Spot de rádio

Coberturas dos Anos Anteriores

2013  |  2012  |   2011  |  2010