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FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE | De 1º a 17 de novembro de 2014.

Notícia da edição impressa de 01/11/2013

Luís Augusto Fischer: o embaixador dos leitores

FREDY VIEIRA/JC
Leitura foi um agente transformador na vida de Luís Augusto Fischer
Leitura foi um agente transformador na vida de Luís Augusto Fischer

Luís Augusto Fischer dá impressão de ter vivido muitas vidas. Militante católico, estudante de geologia, professor universitário, escritor de best-seller e patrono da 59ª Feira do Livro de Porto Alegre: todos esses papéis foram ou ainda são experimentados intensamente pelo hamburguense de 55 anos, que logo depois do seu primeiro aniversário veio morar com a família na Capital.

Mais de uma década depois de seu Dicionário de porto-alegrês figurar duas vezes entre os títulos mais vendido da feira (1999 e 2000), o professor da Letras da Ufrgs volta a ter amplo reconhecimento público. Mais do que um homenageado, ele pretende defender no evento os interesses de um grupo do qual começou a fazer parte desde jovem: os leitores.

Filho de um professor de latim e de uma catequista, Fischer afirma não ter sido exatamente um
grande leitor ainda menino, embora a naturalidade com que via os pais se relacionarem com os livros tenha sido fundamental. “Quando tu és mal alfabetizado ou não tem essa intimidade física com o livro, acaba ficando meio travado com a leitura, coisa que não acontecia comigo”, ele relembra.

O catolicismo da família também foi outra chave importante na formação do patrono. “Ser católico implicava ler muito, ouvir muito texto, embora fosse uma leitura muito empenhada em um interpretação fechada, canônica”, explica o professor, que chegou a participar de um grupo de militantes da esquerda católica no início dos ano 1970.

No entanto, Fischer logo deixou de compartilhar dos preceitos de fé cristã: “os grandes pensadores ocidentais como Freud, Marx e Darwin, sem contar os da minha área específica de literatura, são minhas referências maiores no sentido de visão de mundo”, resume ele. Ver o mundo “sob a ótica materialista” foi outra conquista a partir da leitura. “Completei 15 anos em 1973, ou seja, bem no auge da ditadura militar eu estava descobrindo o mundo”, contextualiza. Conforme o patrono, “ler, naquela época, significava ler nas entrelinhas, e escrever era revelar uma verdade que não estava sendo dita, era uma conjuntura paradoxalmente estimulante para a leitura”.

Até mesmo os dois anos de Geologia, logo depois de sair do colégio, são encarados como um acúmulo de leitura: “a escolha pela Geologia foi uma fantasia meio hippie, de abandonar a cidade e estar mais próximo da natureza, mas conheci muitas coisas ali, tive dois colegas que haviam estudado na União Soviética, um deles pegava o microfone do ônibus nas saídas de campo e declamava Mayakovky em russo”. A proximidade com a irmã, que estudava Psicologia e lia Sigmund Freud, foi outra importante influência - mais tarde, ele faria psicanálise por 11 anos.

Além de crítico e escritor de ficção, Luís Augusto Fischer hoje é também um intelectual público, escrevendo para revistas e jornais - um livro com uma seleção destes textos está previsto para a feira. Como patrono, faz questão de não abandonar o debate: “É claro que me sinto homenageado e sou muito grato, mas quero evitar essa posição passiva, estou tentando me colocar como um debatedor e um leitor, como qualquer um pode ser, e é desse ângulo que quero continuar colaborando”.

Do regional ao universal

JC Feira do Livro - O senhor é conhecido por não temer o debate sobre a cultura do Rio Grande do Sul. Por que essa discussão é vista como difícil?

Luís Augusto Fischer
- A dificuldade é que aqui se tende a polarizar tudo de forma dramática. Mas a pergunta interessante de se fazer é a seguinte: no meio dessa tralha toda do regionalismo, tem arte capaz de falar para além de seus limites locais, uma arte transcendente? Tem. O exemplo mais alto é Simões Lopes Neto, grande escritor brasileiro, que só não é reconhecido porque escreve num dialeto particular e também porque o Rio Grande do Sul é, realmente, um corpo estranho no Brasil - temos frio, fronteira com Argentina e Uruguai, uma população mais branca do que a média brasileira, mais classe média do que a média brasileira... Outor exemplo é o Jacaré [apelido do escritor Luiz Sérgio Metz (1952-1996)], que chafurdou nesse mundo gauchesco e fez obras de arte.

JC Feira do Livro - A Feira do Livro recebe leitores de diferentes formações e com diferentes expectativas. Sabemos que o senhor considera legítimos todos os interesses pela leitura, mas por que seria desejável que mais pessoas lessem os livros do cânone?

Fischer - Entendendo o cânone como a grande seleção mundial de escritores de ficção, gostaria que todo mundo tivesse acesso porque os séculos provaram que esses autores têm o que dizer e continuam nos falando. Ninguém fica indiferente ao ouvir um mito grego ou ao conhecer a história do Dom Quixote. São obras que captaram algo muito profundo da experiência humana, por isso nós estamos nesses livros muito mais que em incontáveis outros. Ao mesmo tempo, sei que a tradição de leitura de literatura no Brasil é muito escassa e apenas hoje temos escola pública para todos no País - e ainda é de apenas um turno, com professor mal pago. Sabendo dessas limitações, acho que é preciso ser tolerante nesse sentido. Acredito que qualquer sujeito que pega um livro já está fazendo um esforço legal.

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