Porto Alegre, quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
26°C
28°C
19°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 4,3860 4,3880 0,52%
Turismo/SP 4,3100 4,5900 0,52%
Paralelo/SP 4,3200 4,5800 0%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
925935
Repita o código
neste campo
 
 
FEIRA DO LIVRO
- Últimas notícias
- Galeria da Feira
- Expediente
- Hotsite Feira 2010
- Troféu Cultura Econômica
- Premiados
- Fotos Premiação 2011
 

Notícia da edição impressa de 14/11/2011

Para entender melhor o conto

Ricardo Rodrigues

MARCOS NAGELSTEIN/JC
Charles Kiefer destrincha um dos mais populares estilos literários
Charles Kiefer destrincha um dos mais populares estilos literários

Escritor consagrado e ministrante de uma das oficinas de criação literária mais tradicionais do Estado - responsável por formar diversos contistas -, Charles Kiefer relançou na Feira do Livro de Porto Alegre um título publicado originalmente em 2004. A nova versão de A poética do conto - de Poe a Borges, um passeio pelo gênero, surgiu como uma tese de doutorado e conduz o leitor por meio da visão de quatro consagrados autores a respeito do trabalho um do outro: Edgar Allan Poe, Nathaniel Hawthorne, Julio Cortázar e Jorge Luis Borges.

JC – Feira do Livro: Como este livro foi estruturado?

Charles Kiefer - Eu juntei quatro escritores, contistas, e examinei como cada um deles vê a obra do outro. Tem uma parte introdutória que é teórica, uma conclusão, também teórica, e por fim traduções das resenhas que eles escreveram, textos que não existiam em português. Não são em sua maioria teorias minhas, trabalhei sobre o texto desses autores sobre o conto. Quando apresentei para o primeiro editor ele achou que ficaria muito caro publicá-lo, então tomei uma decisão radical: tirei todas as sínteses, as tabelas e os anexos. Portanto, fiquei só com o miolo. Essa nova edição é mais bruta, praticamente um outro livro.

Feira do Livro - Como o senhor fez a análise para estabelecer essa estrutura com os autores escolhidos?

Kiefer - Na época do mestrado examinei quatro mil cartas do Mário de Andrade para perceber como ele via quatro questões: a arte sobre o aspecto dos elementos conscientes, dos inconscientes, a gramática portuguesa brasileira e a questão da epistolografia. Me agrada muito ver como o escritor constrói a autopoética, foi a partir daí. Os autores que escolhi não são necessariamente da minha preferência, a não ser o Borges e o Cortázar. Meu interesse é como ‘cientista’, sobre quem foi importante no hemisfério norte sobre a autorreflexão a respeito da poética do conto e também na América Latina. Eu faço a ponte entre esses dois extremos geográficos.

Feira do Livro: Mas não é de fato uma análise dos autores.

Kiefer - Tem sim uma análise, eu digo que não faço, é até uma coisa muito ‘borgeana’ e minha, aprendi com o autor. Mas tem. Faço uma síntese dos contos e depois uma costura analítica. Muitas das coisas que estão ditas na introdução são brincadeira.

Feira do Livro - É uma obra para quem pesquisa ou para quem tem interesse em escrever esse gênero?

Kiefer - Minha preocupação foi direcioná-lo para os alunos de minha oficina. É um livro especialista, que mapeia algumas teorias do final do século XVIII e passando pelo XIX, e se os autores citados não forem lidos previamente, não terá muito efeito. Os meus alunos particulares, no ato da matrícula, ganham um exemplar. Então, é bem interessante para quem está começando neste gênero.

Feira do Livro - Como o senhor percebe a produção atual do conto?

Kiefer - Para você ter uma ideia, dos finalistas do Prêmio Açorianos, cinco são meus alunos. Isso mostra que o meu trabalho, do Luiz Antonio de Assis Brasil e de outros professores de oficina tem dado resultado. Temos contistas extraordinários, como Daniela Langer, Ricardo Silveira e tantos outros. Posso dizer que uns 50 grandes contistas foram produzidos nos últimos 20 anos em minhas oficinas.

Feira do Livro - O que define um bom contista?

Kiefer - Escrever bons contos. O Scliar, que brincava, dizia que contista morre jovem. É a única característica. É engraçado isso, mas se você olhar para a história, os maiores contistas eram todos magrinhos. Já os grandes romancistas não, e duravam bastante. Contista precisa ser sintético, e eles são sintéticos até na comida. Eu sempre digo para os meus alunos: para escrever um razoável romance, basta colocar o fundilho na cadeira e escrever, trabalhar. Já o conto você precisa disso e também de um instante em que desce um raio na cabeça e nasce um grande conto. Esse raio é que ninguém sabe como funciona. Esse processo leva tempo. Tenho um conto em que levei 27 anos para produzi-lo, um romance leva bem menos. E muito importante: sem ócio não dá para escrever, é preciso ter a cabeça vazia.

Feira do Livro - Hoje, principalmente com a internet, muita gente está escrevendo, até que ponto isso é bom para a literatura?

Kiefer - É ótimo, quantidade vai gerar qualidade, em todos os sistemas da vida é assim. Se há cem escritores escrevendo na internet, um há de ser brilhante. Quanto mais, melhor.

COMENTÁRIOS
Alexandre - 14/11/2011 - 15h17
Que entrevista legal, o CK é o máximo. Parabéns
imprimir IMPRIMIR