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Notícia da edição impressa de 11/11/2011

O livro em um mundo midiático

Luiz Coronel

GILMAR LUÍS/JC
Luiz Coronel é destacado com Homenagem Especial
Luiz Coronel é destacado com Homenagem Especial

A distinção Troféu Cultura Econômica, que ora me concedem o Jornal do Comércio e o Badesul, credencia-me a uma reflexão sobre o livro, posto que, em função dele e na minha condição de escritor, repousam as possíveis razões dessa deferência.

Viajo no tempo, vou ao século XV para encontrar Gutenberg e seu engenho prodigioso. Ele fundiu letras soltas do alfabeto e assim criou a prensa tal qual a conhecemos. Como era previsível, esse pequeno exército de 26 soldados de chumbo foi competente para conquistar o mundo. Para Victor Hugo, a invenção da prensa foi a mais radical revolução inserida na sociedade humana. O conhecimento rompeu o claustro dos mosteiros e o livro democratizou a cultura, passando a testemunhar a experiência humana durante séculos sucessivos.

Urge então focar o livro em uma sociedade bombardeada por uma voltagem de informações atordoantes. Sim, o jornalismo é uma forma literária, mas de vinculação com o imediato, o hoje, a semana. O livro quer o sempre, postar-se ante o tempo, refletir, encantar, permanecer. Se as artes cênicas reivindicam a visualização, os veículos eletrônicos — rádio, televisão — fundamentam-se na pulsação da imagem.

O livro, por sua vez, comparece no universo das comunicações como um calmo confidente, uma carta endereçada ao leitor. E, nessa medida, assume um grandioso papel conscientizador. “Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas, continuarei a escrever”, lavrou Clarice Lispector ao expressar a inquietude que fertiliza o livro.

Se tivermos os olhos escancarados para a vida que nos cerca, perceberemos que nem toda informação é conhecimento e nem todo conhecimento é cultura. A cultura de massa e a indústria cultural, centralizada no entretenimento, criaram um novo padrão humano, “o alienado informado”, isto é, aquele cidadão que toma conhecimento de tudo que se passa no mundo da instantaneidade informativa, mas não aprofunda ou assimila nada. É o grande spray perfomático da informação. Assiste-se a tragédias e conquistas da história comendo pipoca. E assim se constrói uma realidade desprovida de cabeça, tronco e membros.

É então que surge o livro, a luz de cabeceira, o hábito da leitura, o abstecimento da inteligência, o fluxo livre das ideias. Não há salvação fora dos livros. É de sua ausência que se nutre o desembaraço excessivo de personagens televisivos, o discurso abobrinha com sua arquitetura de lugares comuns e, num plano mais grave, o imediatismo conceitual cuja força primária e essência precária projetam-se sobre as relações sociais.

Vivemos em um mundo em um novo estágio de globalização. Se a primeira empreitada foi realizada pelos romanos, a segunda pelos ibéricos, enfrentando mares nunca dantes navegados, a terceira é esta que nos envolve num turbilhão de expectativas perplexas e possibilidades infinitas: a revolução da informática. Estará o livro condenado à dispensabilidade nesta nova era?

Sou dos que acreditam no caráter acumulativo das grandes descobertas. “Ainda é possível verter lágrimas sobre as páginas de um livro, mas não creio que o mesmo venha acontecer sobre a tela de um computador”, disse o lúcido José Saramago. O tempo não há de nos roubar o meigo momento em que estamos sozinhos, aparentemente sozinhos, com uma obra nas mãos, pois, como disse Mario Quintana, “o livro traz a dupla delícia de a gente estar só e acompanhado ao mesmo tempo”.

Assim como Jorge Luis Borges “sou incapaz de imaginar um mundo sem livros”. É por meio dele que se mentém a riqueza da linguagem. É com ele que se preserva a memória; portanto, o livro torna-se o guardião contra o fantasma do esquecimento. Um livro, e assim quis Kafka, deve ser como uma picareta a quebrar o mar gelado que existe dentro de nós.

Os livros nos tornam acesos e intensos, em um mundo que se revelaria banal e incompreensível sem eles. A mais maravilhosa aptidão da arte, e assim a literatura, “é detectar o que existe de extraordinário no vulgar, de eterno no efêmero e de glorioso no medíocre”. Tenho para mim que a proeza maior dos poetas seja esta de transformar desassossego em melodia.

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