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Notícia da edição impressa de 10/11/2011

Escritor angolano dialoga com a poesia de Manoel de Barros

Bruno Felin

MARCOS NAGELSTEIN/JC
Escritor angolano Ondjaki lança livro de poesias
Escritor angolano Ondjaki lança livro de poesias

Apesar da notoriedade obtida com a prosa, o escritor angolano Ndalu de Almeida, mais conhecido como Ondjaki, também se aventura pela poesia. Neste ano ele lança no Brasil Há prendisajens com o são. Assumidamente em diálogo com a obra do brasileiro Manoel de Barros, o livro é “fruto da espreita aos bichos e à natureza”, segundo ele.

JC Feira do Livro - Em Há prendisajens com o são você cita Manoel de Barros como grande referência, até um “padrinho” do livro. Como foi o primeiro contato com a obra dele e como influenciou você?

Ondjaki - De fato a obra do Manoel de Barros me fez pensar e ver a poesia de uma outra maneira. Meus poemas eram muito “de dentro”, das minhas coisas, meus dramas, meus sentidos e sentimentos. Nesse livro não, eu senti essa viagem no universo dos animais e daí extraí alguma poesia.

JC - Qual é o caminho da asa da borboleta? Como nasce a poesia?

Ondjaki - Acho que é isso, o fim de um poema meu: “é preciso perguntar à borboleta o caminho das suas asas”. Mais que o caminho do voo da borboleta, a poesia é essa descoberta do caminho das asas, o lugar da asa, o lugar do voo, mais que apenas um aspecto, mais do que por fora. A poesia é um mistério, não se explica. Acho que é uma coisa de beber, de se sentir e sonhar.

JC - A sensação é que você se diverte escrevendo, brincando com as palavras, inventando novas, e ao mesmo tempo consegue ser abrangente e claro. Como é esse seu relacionamento com a linguagem?

Ondjaki - Um modo de estarmos na literatura é não a levarmos demasiadamente a sério. Isso é outro ensinamento do Manoel de Barros, ele diz: “quero libertar a palavra do seu estado do dicionário”. O dicionário é útil, é até um livro bonito, explicativo, mas o que o poeta faz é ir além dele, é buscar o abraço e a ternura dentro da palavra. Não pode haver uma relação estática com a palavra.

JC - O povo angolano ferve em expressões linguísticas novas e nós brasileiros também somos assim. A poesia e a música são responsáveis por essas criações ou são essas criações que se incorporam às artes?

Ondjaki - Os angolanos, principalmente as pessoas de Luanda, têm uma interpretação muito teatral da realidade. Cada cidadão se torna criador de uma espécie de mundo de universo linguístico. Dos países de língua portuguesa, quem mais brinca com a língua são os brasileiros, os angolanos e os moçambicanos.

Feira do livro - Você diz que em Luanda as pessoas costumam contar muitas histórias e que a música é fundamental. Fale dessa relação.

Ondjaki - A cultura em Angola está muito presa à música. A criação deriva muito de uma maneira libertinosa de viver a linguagem, há uma grande influência rítmica na literatura, tanto no Brasil quanto em Angola. A poesia brasileira é rítmica, é dançada, ela quer voar. E às vezes há poesias que ficam mais presas ao chão, muito sérias. O Brasil é muito diverso, misturado, mestiço, e isso é o futuro da humanidade: a mestiçagem cultural e humana. O Brasil já está no futuro nesse aspecto. 

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