Porto Alegre, terça-feira, 25 de fevereiro de 2020.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
23°C
29°C
22°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 4,3920 4,3940 0,04%
Turismo/SP 4,3500 4,6200 0,21%
Paralelo/SP 4,3600 4,6100 0,21%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
714809
Repita o código
neste campo
 
 
FEIRA DO LIVRO
- Últimas notícias
- Galeria da Feira
- Expediente
- Hotsite Feira 2010
- Troféu Cultura Econômica
- Premiados
- Fotos Premiação 2011
 

Notícia da edição impressa de 28/10/2011

Jane Tutikian celebra três décadas de histórias

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Jane Tutikian é a quarta mulher a liderar o maior evento literário do Rio Grande do Sul
Jane Tutikian é a quarta mulher a liderar o maior evento literário do Rio Grande do Sul

“Comecei a escrever muito cedo, com um poema que fiz aos oito anos para meu pai. Um poema horrível”, brinca a escritora e professora Jane Tutikian, ao relembrar os primórdios de sua carreira literária. Em 2011, ano em que comemora trinta anos na profissão, veio um reconhecimento que seria celebrado por qualquer escritor do Rio Grande do Sul: foi eleita patrona da 57ª Feira do Livro de Porto Alegre, apenas a quarta mulher a ser agraciada (as antecessoras foram Lya Luft, Patrícia Bins e Maria Dinorah). Se no passado as letras estremecidas no papel diziam pouco sobre o seu futuro, hoje elas são responsáveis por escrever um importante capítulo em sua vida profissional.

Ao relembrar a origem do seu trabalho, Jane destaca que havia um contexto familiar muito importante e motivador. “Tem cenas que passam pela minha cabeça relacionadas com o fato de escrever. A gente comprava pão, e na época eles vinham enrolados em papel pardo. Muitas vezes vi meu pai escrevendo nesse papel, e eu acho que isso tem a ver com a minha vida de escritora”, relata. De família simples, a patrona relembra que a mãe, costureira, estudou até a segunda série do Ensino Fundamental, e o pai, que trabalhava como guarda de trânsito, foi alfabetizado de forma autodidata, aos 21 anos. Jane enfatiza que “eles diziam algo muito legal. Falavam sempre que, para mudar de vida, tem que estudar. Querendo ou não, isso tem uma relação direta com o livro”.

Outras lembranças de infância reforçam o rumo do seu trabalho. “Minha mãe sempre foi uma exímia contadora de histórias. Antes de dormir ela contava vários contos, dos Irmãos Grimm, do Hans Christian Andersen, isso foi marcante”, explica. Com a chegada da adolescência as histórias eram outras. Aos 12 anos lia autores como Simone de Beauvoir, com Memórias de uma moça bem comportada. Mais tarde, outros nomes se transformaram em paixões, entre eles Clarice Lispector, Katherine Mansfield, Virginia Woolf e, especialmente, Caio Fernando Abreu e Tania Faillace. “Eu sempre tive uma leitura muito aleatória, o que caía na minha mão eu lia. Mas esses dois últimos eram os grandes nomes, quem escrevia queria escrever como eles”, ressalta.

Na época da Faculdade de Letras Jane começou a frequentar um laboratório de criatividade literária. Era um tempo em que muitos estavam começando, e os encontros eram importantes para discutir as próprias ideias. “Foi a primeira oficina de literatura que tivemos aqui. Lembrando disso, posso dizer que eram conversas entre escritores e candidatos, mas na verdade, era o começo para todos”, relata, citando que conviveu com Moacyr Scliar, Josué Guimarães, Carlos Stein e outros escritores. Aos poucos o seu trabalho foi tomando forma. Com 17 anos já publicava contos em suplementos literários de diversos jornais, e o que se consolidou como uma característica de seus livros, Jane explica que aconteceu por acaso. “Eu não tinha projetos de escrever livros para crianças e adolescentes, aconteceu sem querer. Quem me disse que eu escrevia para eles foi a própria editora.”

O ano era 1984, e Jane Tutikian lançava A cor do azul. “Na época não se falava em literatura infantojuvenil, meu livro foi um pouco pioneiro nessa classificação”, explica. A cor do azul ganhou repercussão nacional e lhe rendeu o prêmio Jabuti, vendendo mais de 120 mil exemplares. “Foi só no terceiro livro que realmente percebi o quanto era divertido escrever para jovens”, enfatiza. Por conta disso ela estabeleceu laços permanentes com seu público-alvo. Por meio de visitas escolares e troca de e-mails, Jane consegue avaliar o seu trabalho e, conforme afirma, busca inspiração para suas histórias. “Uma menina de Guaíba, por exemplo, foi quem me deu o título de Fica ficando. Esse contato é muito legal. O adolescente é engraçado, espontâneo, se entrega, e eu nunca fiz concessão para escrever a eles.”

De repente, a eleição

Apesar de ser a sua sexta indicação, Jane Tutikian foi surpreendida pela nomeação. O presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), João Carneiro, falou durante o anúncio: “tudo tem um momento certo para acontecer”, e foi com esse sentimento que a escritora celebrou. “Estou comemorando 30 anos de literatura e também repensando minha trajetória.”

Para Jane, ser escolhida significa uma homenagem muito grande, o que se refletiu nas ruas. “No dia seguinte eu fui comprar galeto e o senhor que me atendeu prontamente me olhou e disse ‘a patrona da Feira!’,  conta ela, que completa: “Todas as mensagens e flores que ainda estou recebendo afirmam que escrever é a melhor maneira de estar com as pessoas”.

Agenda cheia por duas semanas

Como patrona, Jane Tutikian afirma que quer ser o mais participativa possível. Sua agenda já está programada para uma série de eventos, como seminários, sessões de autógrafo e, principalmente, conversar com as pessoas.

A escritora faz um pedido aos apaixonados por literatura: “Quero aproveitar a entrevista para chamar os velhos e novos escritores para virem à praça em um final de tarde tomar uma cerveja, refrigerante, água, o que seja, e conversar sobre literatura. Essa era uma prática de antigamente, quando éramos um grupo pequeno, que se perdeu com o tempo, está na hora de retomarmos esse contato”.  Para fechar as comemorações de seus 30 anos de atividades, a escritora irá lançar a coletânea de contos Coisa Viva.

COMENTÁRIOS
Nenhum comentário encontrado.

imprimir IMPRIMIR