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Notícia da edição impressa de 25/03/2011

Saudades do Porto

Brigida Sofia

GABRIELA DI BELLA/JC
Entardecer da Capital é a memória mais citada
Entardecer da Capital é a memória mais citada

Os ditados  Eu era feliz e não sabia e  A felicidade está nas pequenas coisas podem ser aplicados a muitos porto-alegrenses, nascidos ou de coração, que deixaram a cidade em busca de novos horizontes profissionais e perceberam que alguns detalhes faziam muita diferença. Eles foram em busca dos maiores mercados na área cultural brasileira, Rio de Janeiro e São Paulo, mas notaram que algumas características, que podem passar batidas quando se está por aqui, são importantes no dia a dia. Não que exista arrependimento na decisão tomada. Mas a saudade e a comparação são inevitáveis neste sábado, aniversário da Capital.

Para quem trabalha na área cultural e vive em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro são destinos muito atrativos devido às possibilidades profissionais. Mas quem opta pela mudança e alcança seus objetivos carrega saudades do local onde passou alguns anos ou a vida toda. São detalhes da cidade que completa 239 anos neste sábado que muitas vezes passam despercebidos quando se está aqui, mas que ganham importância quando ficam para trás.  

“Sinto saudade de muita coisa. A cidade como um todo é muito mais organizada. O povo atingiu um grau de consciência e cidadania que aqui ainda não há”, diz a atriz Larissa Maciel, que mora no Rio de Janeiro desde 2008. “As pessoas em Porto Alegre dificilmente jogam lixo na rua, a maioria separa o lixo porque existe uma coleta seletiva eficiente e elas já foram conscientizadas da importância disso. As leis de trânsito são mais respeitadas; a parte de serviços é muito melhor. Além disso, morro de saudade da luz que Porto Alegre tem ao entardecer, é um tipo de claridade que só tem aí”, relembra a atriz, que nasceu e passou a infância no bairro Jardim Planalto, onde brincava de Barbie com as amigas da rua, andava de bicicleta, fazia teatrinho no jardim do prédio, brincava de pegar, de esconder.

Apesar das saudades, Larissa está muito bem adaptada na vida no Rio de Janeiro e diz que voltar a morar por aqui seria difícil em função das oportunidades profissionais. Além disso, as paisagens locais também a encantam diariamente. Ela não tem uma frequência estabelecida para vir para cá visitar. “Depende como está meu ritmo de trabalho. Minha família toda mora aí, então eu procuro ir quando posso. A última vez que fui foi bem rápido, para lançar o novo uniforme de Grêmio”, lembra.

Quem já está fora há muito mais tempo também lembra de detalhes como se eles tivessem sido vividos ontem. “Moro em Sampa desde 1984, mas minha alma de Ana Terra, minha coragem, meu desaforo, meus plurais com lapsos de ‘s’ no final e o meu ‘tu’ jamais sucumbiram”, conta a atriz e diretora teatral Grace Gianoukas, que nasceu em Rio Grande, mas viveu cinco anos na Capital, quando estudou artes cênicas na Ufrgs. “Sinto falta da mostarda do Ribs, das galeterias italianas, de alguém para dividir o mate, do sotaque gaúcho, das gírias. Do Parque da Redenção, do Ocidente, do Laçador, do Araújo Viana, de subir a ladeira da Ramiro, de avistar os arcos da Borges de Medeiros. Das lições do Rio Guaíba que matamos um pouco a cada dia, e que, generoso, nos perdoa, nos deixa navegar entre suas ilhas e ainda nos abençoa, todos os dias, com seu pôr do sol”, diz Grace.

O escritor Marcelo Carneiro da Cunha acredita que é o porto-alegrense mais porto-alegrense de todos, pois morou em vários bairros, como Ipanema, Menino Deus, Bom Fim, Vila Assunção, Moinhos de Vento, Auxiliadora e nos últimos tempos no Centro “num apartamento na Mauá, com a visão esplendorosa do Guaíba e das ilhas”. Ele tem ainda memórias da família Carneiro da Cunha, que vivia no Floresta, com o cheiro da fábrica da  Brahma (onde hoje é o Shopping Total) e da  casa da avó Jovita, na Duque de Caxias. “Desses lugares todos, os que mais marcaram foram a Vila Assunção, com aquela vida de cidade do interior; o Bom Fim, cheio de vida; e o Centro, com a maravilhosa vista do Guaíba”, comenta.

Ele diz que gosta muito de viver em São Paulo, pois é uma cidade fascinante, de gente que mistura gentileza e diversidade de um jeito que só se encontra lá. Além disso, megalópoles combinam com a pessoa que ele é e a literatura que produz. Mas vem frequentemente a Porto Alegre em função dos compromissos com literatura, ou cinema, encontros com leitores, visitas aos amigos, à família, à baguete da Barbarella e para outras atividades importantes, como cortar o cabelo com o Gustavo, na Tesouraria. “Também sinto falta do iogurte da dona Edith Travi, do mil-folhas de bergamota do Marcelo Gonçalves. Das cervejas no Bier Keller. Do Sarau Elétrico. Do inacreditável azul do céu de Porto Alegre, do minuano. Mas não do calor daí, que é assustador. Acho que todo porto-alegrense sempre pensa em morar em Porto Alegre. Ou melhor, eu acho que nenhum porto-alegrense sai daí de verdade. Não importa onde viva, todo porto-alegrense se convence de que, de alguma maneira, ele segue morando na cidade. Esse é o meu caso”, afirma. 

Sair para voltar conhecido

Vocalista da Cachorro Grande, Beto Bruno nunca deixaria de viver na Capital, mas foi preciso ir para São Paulo há sete anos pelo trabalho. “Amo Porto Alegre, mas isso me incomoda. É aquela coisa de sempre: ter que sair para ser reconhecido como músico. Até mesmo aí”, comenta. Ele conta que no início dos anos 2000 era complicado achar gravadora, mas depois da mudança tudo foi diferente. “A música não saía do Sul. Aqui em São Paulo, além da vida cultural mais intensa, estamos em uma boa posição geográfica para fazer shows em qualquer lugar do Brasil. Imagina fazer show no Nordeste estando no Rio Grande do Sul. Sem contar que qualquer programa de tevê passa no País todo”, explica. No início, foi difícil porque os integrantes moravam juntos e os shows eram em espaços menores.

Mesmo com a saudade batendo, existem as vantagens incontestáveis longe do Sul.  “A vida cultural de Porto Alegre não é como aqui. Numa segunda-feira, por exemplo, tem dez shows que eu gostaria de ir só na Augusta, onde moro. É difícil estar longe disso. E para o rock é mais importante, pois não há espaço no Sul como para o gauchesco. As duas bandas que mais tocam no Estado estão em São Paulo, a nossa e a Fresno”, avalia o cantor de Passo Fundo.

Lembranças saudosas

“Para morar, não trocaria Porto Alegre por nada. É onde tem os melhores lugares para comer e as pessoas mais bonitas do Brasil. Em São Paulo, levo 1h40min para chegar ao aeroporto. Em Porto Alegre, 10 minutos. E ainda tenho que ouvir taxista reclamando do trânsito. Amo Porto Alegre. É onde estão meus amigos. Sinto saudades do Ossip, de andar nas ruas em um fim de semana sem shows, de muita coisa.” Beto Bruno, vocalista da banda Cachorro Grande, que está em São Paulo

“Sinto saudade de muita coisa! A cidade (Porto Alegre) como um todo é muito mais organizada. O povo atingiu um grau de consciência e cidadania que aqui ainda não há.”  Larissa Maciel, atriz que vive no Rio de Janeiro

“A gente não se dá conta direito, mas Porto Alegre representa, muito bem, uma parte importante do Brasil, assim como o Recife representa outra, Brasília outra, e assim por diante. São Paulo representa mais ou menos o conjunto do que existe no Brasil, do Norte ao Sul. E aqui está cheio de porto-alegrenses e muitos dos meus melhores amigos daí vieram para cá. Eu sou casado com a muito porto-alegrense (jornalista) Fabiana Klein, vivo cercado pela cidade. Até um Zaffari abriu aqui, em 2008.” Marcelo Carneiro da Cunha, escritor residente em São Paulo

“Sinto tantas saudades que, quando chego em Porto Alegre, preciso me beliscar. Vou caminhar pela Rua da Praia e só quando ouço cortidcabelô? Ou lixapapésenhora?, percebo que não estou sonhando e me misturo com o meu povo: uma gente loira de verdade, indígena de verdade, morena de verdade, com olhos azuis, verdes e castanhos de verdade, gente que olha no olho da gente.” Grace Gianoukas, atriz e diretora de teatro que mora em São Paulo

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COMENTÁRIOS
Vanessa Grazielle Cabral Gomes - 25/03/2011 - 09h54
Adorei essa matéria! Eu sou Paranaense, mas moro em Porto Alegre desde bebê... Minha alma tem o cheiro da grama molhada da Zona Sul e a luz do Final de Tarde de Porto Alegre! Amo essa cidade, amo seu povo e amo tudo e todas as pessoas que ela me deu de presente. Parabéns Porto Alegre!
Jorge Amado Ribeiro Soares - 25/03/2011 - 10h48
Com 23 anos de idade muidei-me para Sao Paulo e sentia muitas saudades de Porto Alegre. Apos um ano esta arrefeceu-se.em Sao Paulo trabalhei bastante e adquiri muitas experiencia profissional e bacharelei-me em Direito.Retornei para Porto Alegre em 1993 e hoje sou um Advogado e morador de rua, sem emprego e sem perspectiva. Agora sinto saudades de Sao Paulo que tantas oportunidades proporcionou-me. Sao Paulo e Porto Alegre, ambas Capitais com suas limitacoes economicas, com a recessao, sao apenas saudosismos. Obrigado.
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