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Notícia da edição impressa de 29/10/2010

O laçador de letras

ANA PAULA APRATO/JC
O patrono Paixão Côrtes.
O patrono Paixão Côrtes.

Qualquer gaúcho, quando questionado a respeito da cultura regionalista, lembra o nome de Paixão Côrtes. Em 1958, o tradicionalista serviu de modelo para o escultor Antônio Caringi criar a Estátua do Laçador, imponente figura arquetípica do gaúcho que recepciona quem chega a Porto Alegre pelo aeroporto internacional Salgado Filho. Homem urbano e ao mesmo tempo rural, formado em agronomia, Côrtes formou gosto pela pesquisa das raízes folclóricas que formam o povo do Rio Grande do Sul. O patrono da 56ª Feira do Livro não se define como um escritor: “sou um escrivinhador, documento a história. Fui às fontes originais para fazer isso”, esclarece o folclorista, que dedicou os últimos 60 anos para investigar as manifestações espontâneas do homem do campo. 

Paixão Côrtes, ao lado de Barbosa Lessa, é um dos responsáveis pelo movimento tradicionalista que surge no início dos anos 1950 no Estado. O pesquisador faz questão de deixar clara a diferença entre o tradicionalista ortodoxo, que não acompanha a renovação da cultura, o tradicionalista que segue os modismos da atualidade e o trabalho dele. A pesquisa de Paixão Côrtes foi a de documentar a história gauchesca desde as Missões Jesuíticas. “Registro o que se formou no Rio Grande do Sul desde as Missões, o que se dançava naquela época, filmando, fotografando e dando sentido didático ao material coletado”, explica ele, que tem um projeto de doação de 350 mil exemplos de livros de sua autoria para escolas, piquetes e CTGs.

Além de perseverar a memória dos costumes, os livros do autor visam a desmistificar alguns símbolos. Segundo o folclorista, modismos são agregados à cultura como se fossem originais. “Se falarmos dos gaúchos farroupilhas vistos com gaita na mão é uma mentira, porque o instrumento sequer havia surgido naquela época”. Outro simbolismo é a bombacha, vestimenta europeia que só surgiu após a Guerra do Paraguai. “O gaúcho típico vestia chiripá, ceroula rendada e chapéu de copa alta. O resto é resultado da irradiação da cultura da Europa que contagiou a nossa”, resume Paixão Côrtes.

O patrono da Feira, que acompanha o evento desde a primeira edição, ao ser questionado se esperava pela escolha, simplesmente responde: “Cultura é uma só. Então tem lugar para todos”. E é nesse sentido que a festa deste ano, segundo Paixão Côrtes, vai valorizar um gênero que até o momento não havia tido destaque. “O segmento ligado ao “folk”, à sapiência do povo, ainda não foi contemplado. A minha proposta é revitalizar esse sentimento nativo”.

Em duas oportunidades o patrono já participou da feira como expositor. Era outro tempo, quando não mais do que dez expositores e três editoras ocupavam a Praça da Alfândega. Cinquenta anos atrás, segundo Côrtes, havia um certo elitismo no ar. “As pessoas colocavam gravata, ninguém chegava em camisa sem mangas. Era alta cultura, não era para o povo. Hoje não, adquiriu essa projeção internacional e até as crianças têm espaço dedicado a elas, isso é evolução”, completa.

A documentação e a publicação de livros começou na década de 1950 com Manual de Danças Gaúchas, em parceria com Barbosa Lessa. O último livro é de 2001, Músicas, Discos e Cantares - Um resgate da história fonográfica do Rio Grande do Sul. Em 2006, o livro Folclore Gaúcho - Festas, Bailes, Música e Religiosidade Rural foi reeditado. Esta última publicação tem como um dos temas a religião do gaúcho do campo, influenciada pelo catolicismo, mas também pelos cultos africanos. “A religiosidade do gaúcho é fervorosa somente quando chove. Passou a tormenta, o homem do campo esquece”, lembra o agrônomo. 

O pesquisador octagenário não se cansa de trabalhar para cultivar as raízes da cultura gaúcha. O próximo projeto terá 700 páginas e se detém na coreografia musical que começa no século XVII no Rio Grande do Sul. O trabalho é resultado dos mais de 50 anos de pesquisa por onde o agrônomo passou e observou as manifestações culturais.

Perfil

João Carlos D’Ávila PAIXÃO CÔRTES nasceu em Santana do Livramento e tem 83 anos. É um dos responsáveis pelo movimento tradicionalista no Rio Grande do Sul. Formado em Agronomia em 1949 pela Ufrgs, contribuiu para o mercado da ovinocultura do Estado, ao trazer da Europa métodos para a qualificação da produção dos rebanhos. Folclorista, compositor e radialista, a trajetória de Côrtes é marcada pela busca da cultura gauchesca original. A partir da pesquisa do folclore, em 1956, publicou com Barbosa Lessa o Manual de Danças Gaúchas e Danças e Andanças da Tradição Gaúcha (1975). Em 2006, teve sua obra Folclore Gaúcho - Festas, Bailes, Música e Regionalidade Rural reeditada pela Corag. Seu livro mais recente é Músicas, Discos e Cantares - Um resgate da história fonográfica do Rio Grande do Sul, publicado em 2001.

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