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Notícia da edição impressa de 10/09/2010

Clara Pechansky: uma fábrica de criar

GABRIELA DI BELLA/JC
Clara Pechansky é inventora de produções culturais como a exposição internacional Miniarte
Clara Pechansky é inventora de produções culturais como a exposição internacional Miniarte

Há cinco décadas, a promessa de uma carreira vencedora não estava exatamente no cenário de possibilidades de jovens mulheres. Mas já era uma certeza na vida da artista plástica Clara Pechansky. “Toda a minha vida eu quis ser artista plástica. Nunca pensei em ser outra coisa.” A gaúcha de 73 anos sempre foi dona de seu nariz, mesmo na longínqua Pelotas de cinquenta anos atrás. “Nunca tive qualquer restrição por parte da família pelo fato de eu ser artista, isso era uma coisa tácita. Sempre aceitaram porque toda a minha vida eu desenhei, meus primeiros modelos era avó, pai, mãe, irmãs”, comenta. Para Clara, foi absolutamente natural terminar o ginásio e, aos 15 anos, acumular o clássico (hoje, Ensino Médio) e o curso livre de Belas-Artes.

O primeiro emprego - ou melhor, freelancer, já que Clara jamais bateu ponto em um trabalho formal - foi decorando bancos de praça pelotenses. “Era uma desenhista ligada à publicidade. Eu tinha um amigo que vendia publicidade em bancos de cimento, nas praças, nem sei se ainda existe. Tinha uma fábrica lá em Pelotas que produzia esses letreiros. Meu amigo vendia a propaganda e me chamou para fazer os layouts. Eles nunca foram obedecidos, para dizer a verdade, porque a fábrica só fazia um tipo de letra, mas eu criava uma coisa bonita, colorida e ele vendia”, diverte-se. Normalmente única mulher no círculo, Clara nunca deixou que o gênero a alijasse de seus interesses. “Eu era uma mulher num universo de homens, e muito jovem, já que comecei a carreira com 20 anos. Mas nunca senti nenhum tipo de problema neste sentido, sempre houve bastante respeito nas situações profissionais. Fui abrindo meu espaço exclusivamente pelo meu trabalho, sem concessões nem preconceitos. Mas sei que provavelmente eu era uma exceção”, avalia.

Já casada, aos 20 anos Clara veio com o marido, o médico psiquiatra Isaac Pechansky, para Porto Alegre, de onde nunca mais saiu - diferentemente de sua obra, que ganhou o mundo. Com o marido já formado em Medicina e com uma carreira garantida, Clara não se acomodou na Capital e ativou uma verdadeira rede de contatos. “O que me valeu foi que eu tinha já amizades com algumas pessoas ligadas a jornais e comecei a fazer ilustrações de suplementos de literatura infantil, de poesia, de contos. Também comecei a fazer capas de livros para a Editora Globo, que na época era a maior do Brasil e ficava aqui em Porto Alegre”, comenta. “Como eles publicavam muito, me dava um trabalho bastante frequente.”

Além de bacharel em Pintura pela Escola de Belas-Artes de Pelotas, Clara tem licenciatura em Desenho e História da Arte pela Ufrgs. Com mais de 30 mostras individuais no Brasil e no exterior, foi selecionada para mais de 70 exposições coletivas, possuindo três prêmios internacionais de Arte Gráfica. Seus trabalhos circulam pelo mundo: Clara acumula exposições na Bélgica, na Holanda e nos Estados Unidos. Hoje, a artista prepara uma exposição em Portugal e outra na Bulgária. “Gosto muito deste tipo de desafio. Sempre que aparece um convite internacional, eu aceito, porque acho muito interessante poder mostrar meu trabalho em lugares tão diferentes, comenta, lembrando que há pouco tempo expôs na Romênia. “Hoje, tudo isso é mais facilmente possível em função da internet. Mas já tenho uma carreira internacional bem anterior à internet, era bem mais complicado porque a gente se correspondia via fax, via correio. Mas nunca deixei de participar”, lembra.

Para quem quer se dedicar à área, Clara não tem uma receita pronta. “Tenho alunos no atelier muito diferentes. Alguns querem ser artistas, outros querem se expressar, então acho que para cada um deles é diferente”, afirma. Pensa e volta atrás: “Acho que tenho uma receita sim: trabalhar sério, ser ético acima de tudo e não fazer concessões. Vivemos uma época em que a arte sofre muito com a falta de seriedade de pessoas que se intitulam artistas e não são”, critica.

Multimídia muito antes de o termo ganhar contornos de mainstream, Clara se dividia - como até hoje - entre as ilustrações sob encomenda e o trabalho de atelier. “Eu sempre quis ser ilustradora, era o sonho da minha vida e é um sonho que realizei, porque eu realmente fiz o que eu queria. Ilustrei e continuo ainda ilustrando o que me pedem. Sempre que aparece oportunidade de criar como ilustradora me sinto muito à vontade de aceitar esse tipo de desafio”, afirma a artista plástica, que admite gostar de ter um briefing para criar. A fabricante de arte não para nas próprias telas. Atua também como curadora de exposições e é vice-presidente da Associação Chico Lisboa. Clara também dá aulas de artes em Porto Alegre.

Inventora de produções culturais, o mais novo filhote de Clara foi a exposição internacional Miniarte, encerrada em julho, cujo tema foi “Miniart Faces” - rostos reproduzidos em telas de 18 cm x 15 cm. “Eu sou uma fábrica em termos de criação, estou sempre inventando”, afirma a inquieta Clara.

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