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Notícia da edição impressa de 30/08/2013

A gestão está suplantando a tradição, destaca Cirne Lima na Expointer

Ana Esteves

RAQUEL SANTANA/JC
Ex-ministro da Agricultura volta a Esteio após 20 anos e destaca a evolução do agronegócio gaúcho
Ex-ministro da Agricultura volta a Esteio após 20 anos e destaca a evolução do agronegócio gaúcho

A pista de julgamento do gado Devon na Expointer voltou a ter um brilho especial neste ano, com o retorno a Esteio de um dos maiores mestres da pecuária do País: o ex-ministro da Agricultura do governo Médici (1969 a 1973), fundador da Embrapa, agrônomo e professor Luiz Fernando Cirne Lima. Ausente da mostra desde 1993, ele ressalta as grandes renovações vivenciadas pelo setor primário gaúcho, principalmente pela mudança de perfil, hoje com maior foco em gestão e menos na tradição. Em entrevista exclusiva para o Jornal do Comércio, Cirne Lima fala sobre sua volta à maior mostra agropecuária do Estado, a evolução da pecuária, da genética e do agronegócio gaúcho.

Jornal do Comércio – Qual a sensação de pisar nas pistas de julgamento 20 anos depois?

Luiz Fernando Cirne Lima - Fui convidado para retornar aos julgamentos e voltei neste ano. Um convite especial para mim, que sempre fui um homem rural. Sou porto-alegrense, me formei muito jovem, mas sempre trabalhando no setor rural, pois meu lado materno era ligado ao campo. A fazenda da minha infância é aqui ao lado do parque Assis Brasil, onde hoje está a refinaria Alberto Pasqualini, e a casa existe até hoje. Estive distanciado de Esteio, pois, em 1993, fui para o Polo Petroquímico (na presidência da Copesul) e fiquei impossibilitado, por falta de tempo, de acompanhar as feiras pela demanda da presidência. Fiquei 15 anos apenas como industrial. Em 2007, voltei para o setor rural e transferi os negócios para os filhos, o que me tomou três anos com o processo de sucessão. Agora, tenho mais tempo, visito as propriedades da família, passeio, tenho cavalos de corrida PSI, alguma coisa de Crioulo e gado Devon.

JC - Quais as principais mudanças que identifica neste retorno?

Cirne Lima - Volto e encontro uma palavra que não existia antes: agronegócio. Antes se falava em tecnologia rural. Havia uma influência muito grande no passado das tradições, tanto de pecuária quanto de arroz. Hoje, o tratamento como negócio, empresa e gestão é uma grande renovação. Se considerarmos a exposição do Menino Deus, lá nos primórdios, é outro mundo. O Rio Grande do Sul é outro.  

JC - O senhor destacou o tema da gestão rural, quais os segredos para se obter sucesso nessa área?

Cirne Lima - Uma das exigências da longevidade é se adaptar a um mundo totalmente diverso em relação a quando começaste a tua vida, e eu tenho muita facilidade de compreender e me adaptar. No período em que fui industrial, levei para dentro da indústria os aspectos humanos do contato pessoal que aprendi com a vida rural, de harmonia, do prazer, amizade e a credibilidade. Fui um precursor na concepção do termo colaborador, ao invés de funcionário, lá no tempo da Copesul, e digo que fui muito copiado.

JC – Como fundador da Embrapa, como o senhor vê a entidade hoje, 40 anos depois de sua criação?

Cirne Lima - O agronegócio brasileiro começa com a fundação da Embrapa. É um marco na história econômica da agricultura nacional.  Quando fui ministro, a primeira coisa que fiz foi elencar prioridades e a número um era tecnologia agrícola. Naquela época, final da década de 1960, havia apenas uma lavoura tecnificada no Rio Grande do Sul, o resto era muito primitivo, e começavam a se esboçar as lavouras de fumo. Naquele tempo, o Brasil exportava US$ 3 bilhões em produtos agrícolas, dos quais US$ 1,5 bilhão só de café (em 2012, as exportações brasileiras do agronegócio chegaram a R$ 95 bilhões). Isso foi muito marcante. Era preciso investir em pesquisa para possibilitar o crescimento da agricultura para o Centro-Oeste. Mas, para isso, era preciso conhecer e saber como melhorar aqueles solos. A Embrapa deu esse start. Isso prova que sem tecnologia agrícola não vamos a lugar nenhum.

JC – O que observa de evolução em termos de genética?

Cirne Lima - Há 50 anos, a raça Devon tinha muita popularidade, prestígio, mas era muito criticada do ponto de vista genético e zootécnico. A vaca era aceita como tendo muita aptidão materna, mas dava maus novilhos, era uma raça pequena em relação a outras inglesas como
Shorthorn, Hereford e Aberdeen Angus. Hoje, a fêmea Devon se destaca pelo tamanho, manteve as condições de aptidão materna e as carcaças estão ganhando prêmios. Nesta semana mesmo, foi premiada aqui em Esteio (melhor carcaça da Vitrine da Carne Gaúcha). São grandes progressos alcançados. Os criadores de Devon estão sempre procurando as mesmas características na raça, e isso é que fez progredir zootecnicamente, pela unanimidade.

COMENTÁRIOS
Paulo Branco - 30/08/2013 - 10h59
É com muita alegria que recebo notícias do excepcional Diretor Cirne Lima que muitas saudades deixou ao corpo funcional da COPESUL. Sua saída deixou um grande vazio na empresa, o que culminou com sua extinção com a compra pela BRASKEM. Sua Administração foi marcada pela Humanidade, característica que se perdeu na transição.
J Arthur Martins - 01/09/2013 - 10h02
Posso me considerar um previlegiado. Assisti o Dr. Cirne Lima julgando a raça Devon durante a Royal Show, na Inglaterra - a maior exposição agropecuária do mundo e que já não existe mais - em 1996. E lá, na terra do Devon, ele impressionou aos presentes e Expositores pela sua objetividade e comentários no julgamento. Agora em 2013, pude assistí-lo novamente julgando aqui em Esteio. E o resultado foi o mesmo. Parabéns ao Dr. Luis Fernando.
Delmar Hoffmann - 12/12/2013 - 00h20
Tive o prazer de assistir uma sessão solene da Camara Municipal de Toledo que fez a entrega de um titulo de Cidadao Honorário a esse Ilustre Cidadão, aprendi mais uma importante pagina da historia do Brasil e principalmente o marco para a agricultura brasileira representada pela criação da EMBRAPA. Um grande homem.
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